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Quem escreveu o Apocalipse?

Os 12 maiores enigmas da Bíblia, parte 11: O livro fala sobre o fim do mundo com dragões, bestas e cavaleiros macabros

Fabio Marton Publicado em 22/12/2018, às 08h00

Os quatro cavaleiros do apocalipse são: peste, guerra, fome e morte
Os quatro cavaleiros do apocalipse são: peste, guerra, fome e morte - Reprodução

É o livro mais destoante do Novo Testamento. Enquanto os evangelhos contam a história de Jesus, o Livro de Atos, dos primeiros discípulos, e as várias cartas discutem os problemas e a doutrina da nascente Igreja, a Bíblia cristã se encerra com um colorido livro de profecias, falando em bestas, dragões e cavaleiros macabros.

O Apocalipse foi mesmo um patinho feio. Até o século 7, autoridades cristãs aparecem alternadamente incluindo ou excluindo o livro da lista dos canônicos que formaria o Novo Testamento. O Concílio de Laodiceia, em 364, não o lista. Nos concílios de Hipona (393) e Cartago (397 e 419), entre outros, ele está lá. Mas, lá na frente, em 692, no Concílio de Trullo, novamente desaparece.

Parte do problema sempre foi sua autoria. Ainda que a tradição o identifique com o João do evangelho e das epístolas – o "Amado Discípulo", já mencionado –, no século 3, o papa Dionísio de Alexandria rejeitava o livro, como pertencente a outro autor menos prestigiado.

O Apocalipse contém aparentes erros de grego, usa uma grafia diferente para Jerusalém que no Evangelho de João e também uma palavra grega diferente ao falar no "cordeiro" de Deus.

É o suficiente para a maioria dos estudiosos atuais concluir que não pode ser o mesmo autor. E não é de hoje: no século 2, o bispo de Hierápolis, Papias, afirmava que quem havia escrito o livro era João, O Presbítero. Uma figura que não é citada posteriormente por qualquer outro autor.

Na dúvida, o Apocalipse é hoje atribuído a João de Patmos. Uma figura não identificada com nenhuma outra pessoa do começo do cristianismo. O nome vem de ele próprio ter dito ser prisioneiro na ilha de Patmos (Apocalipse 1:9).