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Por dentro do Titanic: Mitos, fatos e imagens

Veja o que é verdade e o que é lenda urbana sobre o mais célebre desastre naval, em 13 mitos e fatos, e conheça de perto como ele funcionava

sexta 13 abril, 2018
Desespero
Desespero Foto:Shutterstock

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Nos números, o naufrágio do Titanic não é a maior tragédia marítima da história. Suas 1 514 vítimas fatais correspondem a menos da metade das mais de 4 mil pessoas que morreram no incêndio da embarcação filipina Doña Paz, em 1987. Em seu tempo, o Titanic não era o navio mais veloz nem o mais resistente, mas tornou-se o naufrágio mais famoso dos oceanos graças a fatores tão variados como afundar na viagem inaugural depois de colidir com um iceberg no meio do Atlântico Norte e a presença de celebridades a bordo. O navio acumulou uma vasta coleção de histórias coladas à narrativa principal, já tão explorada em Hollywood e adjacências. Algumas flertam abertamente com a ficção, outras nem tanto. Indiscutível é o fascínio que elas ainda provocam. A seguir, alguns mitos e fatos sobre o Titanic que sobrevivem ao longo dos anos.

1 - A champanhe era amaldiçoada

Nos batizados de navios, se a garrafa de champanhe batida contra o casco não quebra de primeira, é um sinal de mau agouro. Isso teria ocorrido com o Titanic. Não procede. A White Star, dona do navio, não costumava realizar a cerimônia. MITO


2 - Concerto embaixo d'água

Uma das histórias mais comuns sobre o Titanic fala sobre a bravura e resignação dos músicos. Eles teriam tentado serenar os ânimos tocando valsas e mesmo um hino gospel durante o naufrágio. Jornais americanos e britânicos, com base em depoimento de passageiros e rumores, falavam até em acordes soando quando os músicos tinham água pela cintura. Historiadores como Richard Howells, autor de O Mito do Titanic, apontam para impossibilidades físicas óbvias, como o fato de o navio estar adernando e prestes a se partir. Mas o fato de nenhum dos 13 músicos a bordo do Titanic ter sobrevivido deu carga dramática especial à história. O enterro do maestro Wallace Hartley reuniu 40 mil pessoas. O corpo de Hartley teria sido resgatado com o estojo do violino a tiracolo. Justiça seja feita, só de ter tentado tocar já poderia ser considerado um feito heroico.  MITO


3 - O Capitão Smith cometeu graves erros

Diferentemente de Francesco Schettino, o infame capitão cuja pressa em abandonar o navio Costa Concordia deu fama à expressão "vada a bordo, cazzo!"(volte a bordo, &*$@!) os oficiais do Titanic não tiveram a honradez questionada. O comandante, Edward John Smith afundou com o navio. Smith, porém, pode ser comparado a Schettino no que diz respeito à habilidade no timão. O inquérito do naufrágio concluiu que o capitão foi imprudente ao não diminuir a velocidade depois de receber informações sobre a presença de icebergs na rota e ao permitir que os botes saíssem parcialmente ocupados, o que teria contribuído para a morte de pelo menos 500 pessoas, um terço das vítimas da tragédia. FATO


4 - O diretor da companhia vetou botes salva-vidas

O Titanic não violou a lei ao zarpar com apenas 20 botes salva-vidas - suficientes para 30% do total de passageiros e tripulantes. A legislação britânica tinha como parâmetro navios de 10 mil toneladas, 5 vezes menores que o Titanic. O projetista do navio, Thomas Andrews, previu 64 botes. Seus planos foram vetados por J. Bruce Ismay, diretor da White Star, por causa dos custos e da estética: botes extras teriam de ser alojados no convés da 1ª classe. Ismay também teria ignorado a regra de preferência para mulheres e crianças ao se alojar num dos botes. Passou o resto da vida como pária e viajava incógnito em trens e navios. FATO


5 - O Titanic foi anunciado por seus construtores como "inafundável"

A história do navio inafundável surgiu em publicações especializadas da indústria naval, depois de executivos da White Star terem ressaltado a preocupação com a segurança de cargas e passageiros na concepção do projeto. Mas eles nunca disseram que era "inafundável". MITO


6 - O primeiro filme do naufrágio saiu um mês depois, estrelado por uma sobrevivente

Dorothy Gibson, assim como vários outros sobreviventes do Titanic, relatou o horror do naufrágio. Porém precisaria revisitar seus fantasmas pouco tempo depois de pisar terra firme. Ela estrelou Salva do Titanic, filme lançado apenas um mês após a tragédia e uma produção que mexeu com a sanidade da atriz - nas filmagens, usou a mesma camisola que trajava quando embarcou num dos botes salva-vidas. Salva do Titanic, por sinal, nem de longe foi uma tentativa isolada de lucrar com o naufrágio. Mais de 100 produções cinematográficas ou televisivas sobre os acontecimentos da noite gelada de 15 de abril foram realizadas, incluindo, claro, a dirigida por James Cameron, um dos filmes mais lucrativos da história. FATO


7 - "Titanic" é a terceira palavra mais reconhecida da língua inglesa

É uma frase sem atribuição, afirmando que Titanic é a terceira mais conhecida do inglês após "Coca-Cola" e "God". Se serve para alguma coisa, as três palavras mais procuradas no Google ano passado foram Hurricane Irma, iPhone 8 e Iphone X MITO


8 - Há um enorme tesouro afundado com o navio

Rumores de que os cofres do Titanic estavam cheios de ouro, joias e dinheiro alimentou a ambição de muitos caçadores de recompensas - afinal, diversos membros da alta sociedade europeia e americana estavam na 1ª classe. No entanto, em 1987, o cofre foi resgatado e aberto diante das câmeras de uma equipe de TV americana: nele havia um único bracelete de diamantes. Só. MITO


9 - O capitão bateu no iceberg porque queria bater um recorde de velocidade

Os depoimentos dos sobreviventes não podem ser considerados ao pé da letra se levado em conta o estresse e a confusão. Adicione à mistura o afã da imprensa dos dois lados do Atlântico e está pronto um bolo de informações em que a licença poética não raramente ofuscou fatos. Exemplo? A pressa do capitão: a versão de que a negligência do comandante do Titanic foi alimentada pelo desejo de estabelecer um novo recorde para a travessia do Atlântico durante anos foi veiculada como uma das razões pelas quais o navio trafegava em alta velocidade numa zona cheia de icebergs. Mas o inquérito que investigou o desastre concluiu que o Titanic seguia a 22 nós no momento do choque, pelo menos 2 nós abaixo de sua velocidade máxima. E o navio não era uma embarcação construída para ser veloz - seu sistema de propulsão o fazia mais lento do que vários transatlânticos da época. MITO


10 - A tripulação atirou nos pobres para não entrarem nos botes

Na versão de James Cameron para o desastre, o imediato do Titanic, William Murdoch, mata a tiros um passageiro da 3ª classe que tentava escapar. Embora alguns tripulantes mais graduados tivessem recebido armas como uma forma de garantir a segurança e controlar as multidões em caso de pânico, historiadores que estudaram o naufrágio geralmente concordam que o episódio jamais ocorreu. E o fato de a produtora Fox ter pedido desculpas oficialmente à família de Murdoch é um sinal evidente do exagero. MITO


12 - Vários sobreviventes cometeram suicídio pelo trauma

Dez sobreviventes cometeram suicídio, incluindo Frederick Fleet, o vigia que estava de plantão na noite em que o Titanic bateu no iceberg e que alertou o capitão sobre o ocorrido. Outro caso célebre foi o de Annie Robinson, tripulante que havia sobrevivido a um naufrágio anterior, também envolvendo uma colisão com um iceberg. Ela se atirou de um navio prestes a atracar no porto de Boston - o som da buzina de alerta para nevoeiro teria despertado memórias da noite gelada no Atlântico Norte. FATO


13 - Homens se vestiram de mulher para embarcar nos botes salva-vidas

A história de que homens teriam se disfarçado de mulher para conseguir vaga nos botes salva-vidas esbarra no fato de que muitos barcos foram ao mar sem lotação esgotada, algo que historiadores explicam ter sido motivado também pela relutância de muitos passageiros em deixar o navio.  MITO


Por dentro do Titanic

Entenda como era a vida no navio 

 

➽ Extensão: 268,83 m

➽ Largura: 28,04 m

➽ Altura: 40 m

➽ Peso: 46 mil toneladas

➽ Capacidade: 3547 passageiros

1.Fumo e leitura

Wikimedia Commons

As três classes tinham salas de estar e de fumo - estas só para homens - e contavam com áreas ao ar livre no convés. A primeira classe dispunha de um salão de leitura com luz elétrica e lareira, e a segunda, de uma biblioteca.


2.Bote para poucos

Wikimedia Commons

Sobrou luxo, mas faltaram botes. O número de barcos salva-vidas era definido de acordo com o peso do navio. Só que a lei previa no máximo 10 mil toneladas, que exigiam 20 botes. Mesmo com 36 mil toneladas a mais, o Titanic viajou com esses mesmos 20.


3.Hora da refeição

Reprodução

Os salões de jantar obedeciam à divisão de classes, e as refeições estavam incluídas na passagem. O da primeira classe, com 532 lugares, imitava o estilo jacobino do século 17. Mesmo na terceira classe a fartura impressionava: pães, frutas, bolos, sopas, carnes e ovos eram servidos diariamente.


4. Mantendo a forma

Wikimedia Commons

O navio tinha uma quadra de squash de 30 x 20 m, exclusiva da primeira classe. Os passageiros podiam ainda usar o ginásio, aparelhos de remo e halteres e fazer esquitação em um cavalo mecânico. Homens, mulheres e crianças tinham horários separados.


5. Mais luxo

Reprodução

O Titanic possuía escadarias luxuosas, três elevadores, hospital com sala de cirurgia e lavanderia. Entre os tripulantes, havia instrutores de squash e ginástica, massagistas e músicos, todos para a primeira classe, que também era servida por garçons e camareiros.


6. Para relaxar 

Wikimedia Commons

A primeira classe podia nadar e descansar em uma piscina de 10 m de comprimento. Havia ainda banhos turcos e saunas a vapor com decoração em estilo árabe, além de serviço de massagem.


Cama e banho

O conforto aumentava de acordo com a classe. Na terceira, os quartos, espartanos, tinham beliches. Na segunda, os banheiros ainda eram em áreas comuns. Os mais privilegiados ficavam em suítes finamente decoradas, com sala de estar e banheiro. Quatro delas tinham lareira, varanda e cabines para os criados. 

Texto Fernando Duarte e Flávia Ribeiro / Ilustrações Acelula e Alexandre Jubran

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