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15 dias perdido em alto mar: a impressionante odisseia de Ari Afrizal

Afrizal foi uma das vítimas do tsunami que matou cerca de 230 mil pessoas no ano de 2004

Giovanna Gomes Publicado em 09/12/2020, às 11h08

Ari (à esqu.) e a jangada (à dir.)
Ari (à esqu.) e a jangada (à dir.) - Divulgação

Era manhã do dia 26 de dezembro de 2004 e Ari Afrizal, um jovem indonésio de 21 anos, estava à deriva no Oceano Índico após um trágico tsunami que pegou moradores de diversos países do sudeste asiático de surpresa. A partir do triste episódio seriam longos e sofridos dias boiando em uma jangada no oceano até que fosse resgatado duas semanas depois.  

O desastre

Na manhã da catástrofe, Afrizal estava em um andaime, martelando pregos em uma prancha. Ele contava com uma equipe que o ajudava a elaborar uma casa de praia ao longo da costa oeste de Sumatra, em Aceh Jaya quando, de repente, o chão começou a tremer e todos correram desesperados. "Então as ondas começaram a chegar", disse o sobrevivente em entrevista à Associated Press.

A primeira delas tinha certa de um metro de altura e derrubou o andaime. Pouco depois surgiu uma grande com cerca de 9 metros. "Isso destruiu a casa. A onda atingiu as casas com um som terrivelmente alto".

Ilha de Sumatra seis semanas após o tsunami/ Crédito: Divulgação

 

Arremessado a 1.500 pés para o interior, o jovem bateu contra uma mangueira e agarrou um galho. Afrizal ainda disse que era como se estivesse dentro de uma gigante máquina de lavar. "Eu vi meus amigos também pendurados em árvores. Achei que o mundo estava chegando ao fim", declarou. "Continuei orando muito a Allah por minha vida".

Conforme o tsunami recuou, puxou-o para baixo e o sugou para o mar. Assim, o indonésio flutuou por uma hora até encontrar uma prancha de madeira, na qual subiu.

Com cortes por todo o corpo, exausto e faminto, ele ficou deitado na prancha pelo restante dia até que avistou cocos boiando. Com os dentes e um pedaço de madeira, Ari abriu as frutas para que pudesse se alimentar e beber água doce.

O resgate

No dia seguinte, um barco de pesca com vazamentos passou próximo ao jovem, que nadou até lá. No entanto, ele não encontrou ninguém a bordo. "Eu não estava preparado para morrer", disse ele. Sem notícias de seus familiares ele orou repetidamente em língua malaia: "Alá, eu busco seu perdão e busco sua ajuda para mim, para meus pais e minha namorada. Por favor, me dê vida. Por favor, me dê vida." 

Muitos navios passaram por Ari, mas não perceberam sua presença de modo que, após cinco dias, ele começou a perder as esperanças. Seu barco já estava inclinado e o vazamento piorava.

Além disso, o sol forte queimava sua pele. "Mas eu nunca fiquei com raiva", disse. "Fiquei grato por estar vivo. O calor vem de Deus. O frio vem de Deus. A morte e a vida também vêm de Deus."

Ele já estava no oceano havia sete dias quando avistou uma jangada não tripulada que possuía uma cabana e nadou até ela. Lá, o indonésio encontrou uma garrafa de água. 

O resgate

No 15º dia, Afrizal acordou com a visão de um navio porta-contêineres ao seu lado. Então ele tirou a camisa, acenou, assobiou e gritou socorro em malaio. O barco diminuiu a velocidade, deu a volta e buzinou três vezes.

Como já haviam se passado duas semanas após o tsunami, John Kennedy, o neozelandês que comanda o Al Yamamah, não esperava encontrar ninguém vivo na jangada. No entanto, o cenário foi animador. "Para nossa surpresa, surgiu um homem de aparência frágil", disse Kennedy a repórteres.

Vilarejo destruído na costa da Sumatra/ Crédito: Divulgação

 

Assim, a tripulação do navio jogou uma corda para Ari, que subiu a bordo. Com vida, ele abraçou Kennedy, caiu de joelhos e orou. Foi a primeira vez que chorou em 15 dias. Ele foi encontrado em mar aberto a cerca de 120 quilômetros a leste da Ilha Great Nicobar.

Ari foi alimentado pela tripulação, tomou banho e descansou em um beliche. No dia seguinte, ele chegou à Malásia, onde foi encaminhado para se recuperar em um hospital em Klang. Lá, ele foi colocado em uma sala com Rizal Shahputra, outro indonésio de Aceh Jaya que havia sobrevivido ao tsunami. 


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