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150 concubinas e 77 filhos: os bastidores da corte de Rama V, rei da Tailândia

Era conhecido como um monarca justo e reformador, no entanto, havia costumes que não deixava de lado; incluindo o casamento com suas irmãs

Nicoli Raveli Publicado em 17/03/2020, às 10h04

Rama V, o quinto monarca de Sião
Rama V, o quinto monarca de Sião - Wikimedia Commons

Chulalongkorn, também chamado Phrachunlachomklao ou Rama V, foi o nono filho do rei Mongkut, mas o primeiro a nascer de uma rainha e reconhecido como herdeiro do trono da dinastia Chacri do Sião.

Quando ele tinha 15 anos, seu pai morreu e o garoto conseguiu assumir o trono com a ajuda da regência de Somdet Chao Phraya Si Suriyawong.  Em 1868, e nos cinco anos seguintes, Rama V se preparava para assumir suas funções ao observar os negócios da corte e realizar viagens para a Malásia e para as Índias Orientais.

Com a sua coroação em novembro de 1873, o jovem decretou diversas reformas ambiciosas, como a abolição da escravatura e a melhoria para as instituições judiciais e financeiras, com o objetivo de proporcionar uma padronização idêntica aos modelos ocidentais.

Chulalongkorn rapidamente tornou-se um monarca justo e reformador que procurou modernizar seu país com a construção dos primeiros hospitais e a intalação das primeiras ferrovias.

O rei também contratou professores ocidentais para todos os seus filhos e os enviou para a Europa para um estudo digno. Mesmo assim, havia costumes que ele não deixava de lado, incluindo o casamento com suas irmãs. No total, Rama V teve 153 concubinas, consortes e esposas que lhe concederam cerca de 80 filhos. As mulheres eram de origens diferentes. No entanto, as rainhas de Chulalongkorn tinham que ser obrigatoriamente de sangue real, ou seja, membros da família.

Logo, ele escolheu três meias irmãs para designarem o papel de suas rainhas. Como justificativa, sua ação foi entendida como costume do local. Em 1880, uma das jovens rainhas estava em um barco a caminho do palácio real, quando o navio afundou. Ela e seu filho morreram pois, de acordo com o protocolo real da época, ninguém poderia tocar na rainha, mesmo que fosse para salvá-la.

Com o ocorrido, Chulalongkorn construiu um memorial para a esposa e o filho, provando que sua relação com ela não se devia apenas ao costume local, e sim porque ele a amava. Além disso, ele puniu o guarda que havia obedecido a lei e que não permitiu que ninguém tocasse na rainha. 

Rama V, o herdeiro do trono da dinastia Chacri do Sião / Crédito: Wikipedia Commons

 

Na mesma época, suas atitudes políticas chamaram a atenção e causaram uma crise no início de 1875. Ele foi rejeitado pela população mais velha e, como consequência, não instituiu novas reformas na década seguinte, mas conseguiu construir uma equipe de administradores que foram capazes de revisar e estudar uma administração que seria adequada para o rei.

O processo contou com a criação de 12 ministérios organizados de acordo com as linhas ocidentais que eram responsáveis pela administração provincial, defesa, relações exteriores, justiça, educação e obras públicas. 

Dessa maneira, a administração arbitrária foi restringida e a autonomia das províncias deixou de existir. Além disso, Rama V instituiu o estado da lei impessoal, criando a base da cidadania tailandesa moderna por meio da educação primária e do recrutamento militar.

As reformas internas foram realizadas devido ao rei liberal acreditar que seriam eficazes e que era importante demonstrar às potências coloniais que o rei era civilizado e evitar que houvesse uma dominação colonial.

Entretanto, suas estratégias não funcionaram por muito tempo. Em 1892, os franceses provocaram uma guerra com Chulalongkorn e ele teve que renunciar aos seus direitos. Após 17 anos, os quatro estados malaios de Kelantan, trengganu, Kedah e Perlis foram cedidos à Grã-Bretanha. Com o intituido de não gerar mais guerras, Rama V equilibrou as potências coloniais entre si e determinou que o Sião fosse tratado da mesma forma entre as nações. Entre 1897 e 1907, ele foi tratado de maneira igual entre os monarcas ocidentais.

Sua morte ocorreu em 1910 e ele ainda é lembrado como o responsável pelo reinado mais longo da história da Tailândia. O trono foi destinado ao seu filho, Vajiravudh, caracterizado por um rei moderno e independente, que reinou até 1925.


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