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Há exatos 12 anos, um avião da TAM derrapava na pista de Congonhas, em São Paulo

199 pessoas morreram em um dos piores acidentes aéreos do Brasil

Valentina Nunes Publicado em 17/07/2019, às 08h00

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- Reprodução

Um dos maiores acidentes da história da aviação civil no Brasil, paradoxalmente, ocorreu em solo durante aterrisagem. No início da noite de uma terça-feira chuvosa, o Airbus 320 da TAM que fazia o voo JJ-3054, proveniente de Porto Alegre, aparentemente sem freios, derrapou na pista do aeroporto de Congonhas em São Paulo, atravessou a área de escape de grama, cruzou parte da Avenida Washington Luís e despencou sobre o setor de carga e descarga da própria companhia, a TAM Express. Morreram 199 pessoas, entre os 187 passageiros e tripulante e outras doze que estavam no prédio atingido. 

As primeiras informações foram desencontradas. Testemunhas relataram que viram o avião derrapar até bater contra o prédio, mas fontes da Aeronáutica chegaram a dizer que o piloto teria tentado arremeter, ou seja, tentado nova decolagem ao detectar algum problema de pouso, antes de cair. O Ministério Público do Estado São Paulo abriu inquérito e apurou que a pista principal de Congonhas havia sido liberada sem estar pronta, sem as ranhuras (groovings) que atravessam o asfalto para escoamento da água da chuva e evitar aquaplanagens.

Segundo o que foi apurado na época do acidente, as obras haviam iniciado em 14 de maio, com interdição de 45 dias. A pista foi reaberta em 29 de junho, com a conclusão dos declives e da substituição das camadas gastas do asfalto. O trabalho vinha sendo feito durante as madrugadas segundo a Infraero, com conclusão prevista para 27 de setembro, porém sem as ranhuras.

Na primeira fase da obra, o número de pousos e decolagens foi reduzido de 48 para 33 por hora, alguns foram suspensos, outros remanejados para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Durante o período de fechamento da pista principal, todas as operações de pousos e decolagens foram feitos pela pista auxiliar. 

Mapa de Congonhas e região / Crédito: Divulgação

 

A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Denise Abreu, foi responsabilizada pelo Ministério Público Federal, porque autorizou a liberação da pista do aeroporto sem ranhuras que facilitam a frenagem das aeronaves.

Além disso, o setor técnico da Polícia Federal apurou que um dos manetes de controle das turbinas da aeronave estava na posição para acelerar e isso anulou o sistema de freios. Não foi esclarecido se o comando estava na posição errada por falha humana ou mecânica. 

O diretor de segurança de vôo da TAM na época, Marco Aurélio dos Santos Miranda e Castro, e o vice-presidente de operações da companhia aérea, Alberto Fajeman, segundo o MPF, deixaram de seguir o manual de segurança de operações, porque "não providenciaram o redirecionamento necessário das aeronaves para outro aeroporto, mesmo após inúmeros avisos de que a pista principal do aeroporto de Congonhas estaria escorregadia, espacialmente em dias de chuva". Os dois executivos também foram acusados de não alertarem os pilotos sobre as mudanças de procedimento quando o reversor estivesse desativado. De acordo com a análise do MPF, foram essas imprudências que causaram o acidente. 

O que restou do prédio da TAM Express foi implodido. A empresa aérea doou o terreno à Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo TAM JJ-3054, e surgiu no local a praça Memorial 17 de Julho, inaugurada em julho de 2012, cinco anos após o acidente. A área de 8 mil metros quadrados foi projetada pelo arquiteto Marcos Cartum. 


Reportagem retirada do livro 365 dias que mudaram o Brasil, da autora Valentina Nunes