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194 anos da Guerra da Cisplatina, uma causa perdida para o Brasil Império

O conflito pelo território que hoje é o Uruguai gerou insatisfação aos povos nativos dos países protagonistas

Pamela Malva Publicado em 10/12/2019, às 17h24

O Juramento dos Trinta e Três, obra de 1877
O Juramento dos Trinta e Três, obra de 1877 - Wikimedia Commons

A época do Brasil Império — que existiu no século 19 — foi marcada por diversos conflitos territoriais. Naquele momento, o Estado nacional lutava pela supremacia sul-americana, sob a liderança de portugueses.

Um evento em especial, marcado como o segundo dos cinco conflitos armados àquela época, teve início há exatos 194 anos: a Guerra da Cisplatina. De um lado, o Brasil Império tentava conquistar a Província da Cisplatina, atualmente o Uruguai; do outro, as Províncias Unidas do Rio da Prata, conhecidas hoje como Argentina, tentava defender o território.

Em julho de 1821, o território, antes ocupado, foi incorporado ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves pelo rei Dom João VI. Nesse momento, recebeu o nome de Província Cisplatina. Inicialmente, a província aceitou fazer parte do Império do Brasil, mas um grupo específico não ficou tão feliz.

Os Trinta e Três Orientais, como se autodenominavam, iniciaram uma revolta contra o Brasil em 1825. Liderados por Juan Antonio Lavalleja, proclamaram a independência da Cisplatina e sua união ao território que os apoiava, as Províncias Unidas do Rio da Prata. no dia 10 de dezembro daquele ano, o Brasil Império declarou guerra.

Durante o conflito, o exército brasileiro contava com mais de 26 mil homens e, no final, não conseguiu derrotar as forças rebeldes da Cisplatina e das tropas argentinas em batalhas terrestres. Ainda que o Brasil Império estivesse dominando os conflitos nas águas, o exército nacional estava desfalcado.

Em lutas anteriores, entre 1811 e 1821, o Brasil Império contava com as forças portuguesas. No entanto, dois anos depois que proclamou independência (o grito foi dado em 1822), as tropas de Portugal retornaram à Europa.

Anos depois do início do conflito, as duas partes começaram a negociar a paz em meados de 1828. Com a mediação da França e da Grã-Bretanha, o tratado de paz entre o Brasil Império e as Províncias Unidas foi assinado em agosto daquele ano.

Dom Pedro I, imperador do Brasil Império durante a Guerra da Cisplatina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como consequência, o Brasil perdeu a Província da Cisplatina e gastou mais de 30 milhões de dólares. Como se não fosse o suficiente, cerca de 8 mil brasileiros morreram no conflito, baixas que deixaram o povo muito insatisfeito.

Ao final de agosto de 1828, D. Pedro I, que governava o Brasil Imperial na época, perdeu sua popularidade. Nesse sentido, a guerra era impopular desde o começo, já que houve um aumento significativo de impostos para o que o país pudesse financiar mais um conflito.

Assim, quando o Brasil assinou o tratado de paz, o povo interpretou o conflito como algo que gastou dinheiro público e sacrificou a população por uma causa perdida. A perda da Província Cisplatina, então, foi um motivo adicional para a abdicação do imperador.


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