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24 anos de reclusão em um hotel: a insana trajetória de Ida Mayfield Wood

Casada com um grande editor de jornais, a socialite herdou uma fortuna quando ficou viúva — mas teve grande parte de suas mentiras desmascaradas após décadas de isolamento

Pamela Malva Publicado em 29/07/2020, às 16h40

Retrato de Ida Mayfield Wood
Retrato de Ida Mayfield Wood - Divulgação

Em meados do século 19, o universo editorial era um dos mais rentáveis do mercado e, assim, grande parte dos editores fazia parte da elite social. Nos Estados Unidos, por exemplo, um dos jornais mais conhecidos da época era o New York Daily News.

Na liderança da publicação do diário, Benjamin Wood era um homem respeitado pela burguesia e frequentava alguns dos círculos sociais mais restritos de Nova York. Viciado em jogos, contudo, ele sempre colocava sua fortuna em risco.

No ano de 1857, já casado com sua segunda esposa, Benjamin conheceu Ida Mayfield Wood, uma jovem de 19 anos. Recém-chegada em Nova York, ela era dona de um sorriso encantador e prometia virar a vida do editor de cabeça para baixo.

Por trás de cortinas perigosas, os dois logo começaram um relacionamento que introduziu Ida à sociedade elitista da época. Juntos, os dois tiveram uma filha, fruto de uma relação complexa e bastante controladora.

Ilustração de Bejamin Wood / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nova socialite

Foi apenas quando a segunda esposa de Benjamin faleceu que ele e Ida puderam assumir o relacionamento. Até então, os dois mantinham a relação nas sombras. Logo que colocou os pés para fora, no entanto, Ida conquistou a sociedade burguesa.

Tendo total conhecimento das escapadas do marido para perder quantias alucinantes em jogos de azar, Ida exigiu que Benjamin desse metade de seu dinheiro para ela. Assim, a mulher astuta guardou uma grande parcela da riqueza do editor.

Com montes de dinheiro sob o colchão, Ida viu-se viúva do marido em 1900. Nessa época, ela tornou-se a verdadeira detentora da fortuna de Benjamin e, durante meses, cuidou pessoalmente da edição e publicação do New York Daily News.

Fortuna misteriosa

Em 1907, depois de alguns anos como chefe do jornal, Ida cansou-se dessa vida, fechou sua conta bancária e sacou cerca de US $ 1 milhão da instituição. Ao lado da filha, Emma, e de sua irmã, a socialite decidiu isolar-se do mundo.

No Herald Square Hotel, as três ficaram reclusas por anos a fio em uma suíte de dois quartos. Emma cresceu no quarto alugado e as duas mulheres tinham contato com a luz solar apenas através de grandes janelas, cobertas por cortinas luxuosas.

Em 1931, quando tinha 93 anos, Ida foi obrigada a abrir a porta do quarto de hotel pela primeira vez em anos. Ela irrompeu pelos corredores do hotel, clamando por ajuda: sua irmã, Mary Mayfield, estava morrendo.

Fotografia do antigo hotel Herald Square, em Nova York / Crédito: Divulgação

 

Janelas fechadas

A família isolada recebeu os primeiros socorros de uma camareira, que logo chamou o gerente do hotel e um médico especializado. Nas poucas horas seguintes, um agente funerário entrou na suíte, acompanhado por dois advogados.

Mais tarde, descobriu-se que, durante a reclusão, Emma teria falecido naturalmente, em 1928. Assim, quando Mary morreu, Ida viu-se sozinha no enorme quarto vazio. Cercada por profissionais, a mulher foi obrigada a contar cada detalhe de sua curiosa trajetória.

O caso ganhou espaço na mídia, principalmente quando oficiais descobriram que Ida havia vendido a empresa de seu marido em 1901, pouco depois da morte dele. Com isso, mais dois detetives foram contratados para investigar a mulher e sua história insólita.

Túmulo de Ida Wood / Crédito: Divulgação

 

Cortina de fumaça

Dentro da suíte de Ida, os investigadores encontraram 240 mil dólares escondidos em uma caixa. Mais tarde, uma enfermeira achou outros 500 mil dólares em um vestido da mulher. As quantias foram logo colocadas em um cofre no Banco Nacional Harriman.

Com atitudes bastante suspeitas, Ida demonstrou estar descontente com toda a investigação. Eventualmente, com o rosto da mulher estampado em jornais, mais e mais herdeiros começaram a aparecer, reivindicando a fortuna. Foram 406 no total.

Depois de 24 anos de reclusão, a verdade sobre Ida, todavia, não demorou para ser revelada. No mesmo dia em que ela morreu, em março de 1932, os detetives descobriram que o nome verdadeiro da socialite milionária era Ellen Walsh, uma jovem nascida em uma família pobre de Dublin, na Irlanda.

Ainda mais, descobriu-se que Emma, a filha de Ida, era, na verdade, mais uma de suas irmãs. Juntas, as três familiares viveram por anos em uma suíte isolada, às custas do dinheiro arrecadado com a venda de todos os bens do falecido Benjamin Wood.


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