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276 jovens cruelmente raptadas: O chocante caso das meninas de Chibok

Elas estavam na escola quando um grupo terrorista realizou o rapto - e até hoje, muitas estão mortas ou desaparecidas

Ingredi Brunato Publicado em 18/12/2020, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa de uma boneca quebrada
Imagem meramente ilustrativa de uma boneca quebrada - Imagem de Frank Becker por Pixabay

Em abril de 2014, a região de Chibok, na Nigéria, passou por uma tragédia. Era a semana dos exames finais quando a escola para meninas local sofreu um atentado do grupo terrorista Boko Haram. Os extremistas não vieram para tirar vidas, todavia, e sim para sequestrá-las. Era o começo de um pesadelo.

Um total de 276 meninas acabaram sendo levadas - apenas 57 delas foram sortudas o suficiente para conseguir pular da caçamba da caminhonete responsável por levá-las para longe dos familiares.

Por muito tempo, o governo da Nigéria pouco interferiu no caso, possivelmente receoso de precisar lidar com o grupo islâmico radical. Apenas em 2017, três anos após a tragédia, uma negociação de maiores proporções rendeu a libertação de 82 das estudantes. Vale ressaltar que diversas negociações anteriores também falharam. 

Muitas das garotas de Chibok que terminaram longe das mãos do Boko Haram foram sendo reencontradas e libertadas aos poucos. 

Um dos dilemas enfrentados pelas autoridades nigerianas foi como negociar com os terroristas - o que foi inclusive desaconselhado pelos ministros de Relações Exteriores dos EUA, de Israel, da França e do Reino Unido. Segundo esses políticos, a única resposta possível a terroristas era o uso da força. 

Atualmente, muitas ainda estão nas mãos do Boko Haram, possivelmente entrando num casamento forçado com membros da facção. Já outras foram vendidas como escravas, tornando sua localização ainda mais difícil.  

Escola quebrada após sequestrado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Embora o caso das meninas de Chibok tenha sido o que ganhou maior repercussão internacional, estima-se que os membros do grupo radical sejam responsáveis pelo rapto de muitas outras meninas e mulheres.

Em 2016, por exemplo, uma operação militar nigeriana foi capaz de libertar por volta de 1.000 cativas - sendo que nenhuma das estudantes estava presente no local. 

Depois do sequestro 

A UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) condenou publicamente o chocante ocorrido, todavia, foi apenas após um advogado nigeriano criar a hashtag “#BringBackOurGirls” (Ou “Traga de volta nossas garotas”, em tradução livre), que a notícia do caso rodou o globo, alcançando a primeira posição entre as hashtags mais citadas do Twitter. 

O apoio nas redes sociais chegou a contar com Michelle Obama, que postou uma fotografia segurando uma placa em que apresentava a hashtag. 

Fotografia postada por Michelle Obama / Crédito: Wikimedia Commons

 

A visibilidade foi fundamental para dar volume às petições online que exigiam um maior esforço do governo nigeriano, especialmente em uma situação em que muitos dos pais das vítimas tinham medo de se manifestar publicamente, temendo a possibilidade de suas filhas serem punidas. 

Um exemplo das críticas feitas ao governo da Nigéria foi expressada por um artigo do The Economist em 2014: "O pior aspecto da forma como o governo nigeriano lida com o sequestro é sua aparente indiferença à situação das famílias das meninas. Demorou mais de duas semanas antes de Jonathan [então presidente do país] abordar o assunto em público." 

Dilemas 

Fotografia de pais de vítimas chorando em encontro público / Crédito: Wikimedia Commons

 

Outra questão é que a visibilidade ganhada pelo caso teve também uma consequência negativa: tornou as estudantes sequestradas muito mais valiosas para o grupo islâmico radical, que ficou mais relutante em libertá-las. 

Em 2016, um artigo do Sunday Times entrevistou um comandante militar que explicou a situação: "O Boko Haram vê as meninas Chibok como seu trunfo. Achamos que elas as mantêm com sua liderança principal. O dia em que conseguirmos as meninas Chibok representará o fim do Boko Haram, mas temo que eles vão matar todas em ataques suicidas em massa no processo".