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Mais lidas: 286 anos depois, começa a ser desvendada a 'múmia sereia' do Japão

Adorado por suas 'propriedades medicinais', o peculiar corpo mumificado conta com o torso de macaco, cauda de peixe, além de cabelo e unhas humanos

Isabela Barreiros Publicado em 13/03/2022, às 08h00 - Atualizado em 20/03/2022, às 00h00

A "múmia sereia" do Japão
A "múmia sereia" do Japão - Divulgação/Vídeo/The Asahi Shimbun

Entre 1736 e 1741, um pescador teria capturado um espécime bizarro de 30,5 centímetros de comprimento em uma região desconhecida do Japão. O corpo estranhamente mumificado supostamente foi, então, vendido a uma família rica.

É isso que se sabe sobre a história da famosa “múmia sereia” japonesa, adorada há séculos no país, aparentemente em decorrência de suas propriedades medicinais em um templo na província de Okayama.

As poucas informações sobre o artefato curioso estão em uma nota, que foi deixada dentro da caixa que a guarda no local religioso. Como ela foi parar no templo? Ninguém sabe responder a essa pergunta também.

No entanto, basta olhar para o corpo estranhamente preservado para se ter curiosidade sobre ele. Com o torso de um macaco e uma cauda de peixe, a "sereia" ainda conta com cabelos e unhas humanas.

O espécime de "múmia sereia" / Crédito: Divulgação/Vídeo/The Asahi Shimbun

Envolta de teorias conspiratórias, a múmia finalmente começou a ser estudada recentemente após Hiroshi Kinoshita, membro do conselho da Okayama Folklore Society, tomar conhecimento dela por meio de uma enciclopédia de criaturas míticas, onde viu uma foto do espécime.

O especialista teve que convencer o templo a dar permissão para que o espécime se tornasse objeto de pesquisa, iniciada pelo paleontólogo da Universidade de Ciências e Artes Kurashiki, Takafumi Kato, e seus colegas, que passaram a investigar as origens do peculiar artefato.

Estudando a 'múmia sereia'

Para iniciar as pesquisas, os cientistas submeteram os restos mortais incomuns a uma tomografia computadorizada, em que eles foram fotografados minuciosamente. O procedimento foi realizado no dia 2 de fevereiro deste ano, como reportou o jornal japonês The Asahi Shimbun.

A expectativa é que amostras de DNA sejam coletadas da múmia para que as espécies combinadas para sua formação sejam identificadas, no próximo passo do projeto de pesquisa que quer entender o item místico da província de Okayama.

Detalhes do corpo mumificado / Crédito: Divulgação/Vídeo/The Asahi Shimbun

Os resultados das investigações devem ser divulgados no final deste ano e os sacerdotes do templo esperam que o estudo possa contribuir para o legado da sereia, além de ajudar na preservação do folclore local.

"Espero que o projeto de pesquisa possa deixar registros científicos para as gerações futuras”, afirmou Kozen Kuida, o sacerdote-chefe do templo, à publicação japonesa.

O religioso acrescentou que a múmia é entendida como um presságio de boa saúde pelos moradores da região. Ele explicou: “Nós o adoramos, esperando que isso ajudasse a aliviar a pandemia de coronavírus, mesmo que apenas levemente”.

Isso provavelmente porque o espécime possui algumas características similares a criaturas místicas do folclore japonês geralmente associadas a curas milagrosas e aumento da longevidade, como destacou o portal LiveScience.

Alguns exemplos importantes são seres conhecidos como Amabies, sereias com bicos no lugar de bocas que contam com três barbatanas, e os Ningyos, que são tidos como criaturas parecidas com peixes, porém com cabeças humanas.

Uma lenda famosa no Japão, intitulada de "Yao Bikuni", conta a história de uma mulher que acidentalmente comeu a carne de um Ningyo inteiro e, por este motivo, teria vivido por 800 anos, ajudando na crença sobre as propriedades mágicas dessas criaturas. 


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