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40 anos de mistério: a história de Megumi Yokota, a menina sequestrada pela Coreia do Norte

Em meados de 1977, a japonesa de 13 anos estava voltando da escola quando simplesmente desapareceu. Décadas mais tarde, seus pais receberam a terrível notícia: ela não voltaria para casa

Pamela Malva Publicado em 15/08/2020, às 10h00

Fotografia de Megumi Yokota ainda jovem
Fotografia de Megumi Yokota ainda jovem - Divulgação/Youtube

Bem estabelecidos em uma vila costeira na província de Niigata, os Yokota eram uma família japonesa comum. Nascida em 1964, a pequena Megumi era a pupila dos olhos dos pais e, com um carisma adorável, ela alegrava a todos que conhecia.

Quando a menina chegou aos 13 anos, contudo, a sua luz foi roubada da casa dos Yokota. No dia 15 de novembro de 1977, Megumi simplesmente desapareceu enquanto voltava da escola e nunca mais foi vista pela família — não com vida, pelo menos.

Com o passar dos anos, todavia, a trama do sumiço demonstrou ser bem mais complexa do que o esperado e outras nações acabaram se envolvendo no caso. Descobriu-se, então, que Megumi, na verdade, havia sido sequestrada pela Coreia do Norte.

Megumi Yokota (de rosa, no centro) em foto com a família / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Anos de terror

Sozinha, cercada por agentes desconhecidos em um barco estranho, Megumi foi levada até o território norte-coreano e, por meses, aprendeu a se portar como uma garota local. Costumes, crenças e até a língua coreana foram ensinadas para a jovem.

Megumi Yokota, entretanto, não foi a única arrancada de sua família. Junto dela, outros dois estudantes sul-coreanos de 16 e 18 anos também haviam sido sequestrados, em agosto de 1977, poucos dias antes da menina japonesa.

Um ano mais tarde, outros três sul-coreanos chegaram à instituição onde os jovens eram mantidos. Entre eles estava Kim Young-nam, um garoto de 16 anos que, no futuro, se tornaria o marido de Megumi.

Suposta fotografia de Megumi Yokota já mais velha / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Solidão e serviço

Como uma das únicas japonesas sequestradas pela conspiração misteriosa, Megumi tinha um papel importante na organização. Registros sugerem que ela teve de treinar espiões norte-coreanos, para que eles se passassem por cidadãos do Japão.

Em janeiro de 1997, 20 anos após o desaparecimento de Megumi, os pais da mulher receberam a notícia que mais temiam. Sua filha, agora mais velha, tinha sido, de fato, sequestrada e, apesar de estar bem, ela nunca mais voltaria para casa.

Anos mais tarde, em 2002, um novo mistério sobre Megumi surgiu. Junto de um comunicado norte-coreano confirmando a versão da captura, os pais da mulher também descobriram que ela supostamente teria cometido suicídio.

Universo de mentiras

Os restos cremados de Megumi foram enviados para a família da jovem, mas os pais dela nunca realmente acreditaram na sequência de fatos que lhes foi contada. Para tirar a dúvida, então, pediram que um exame de DNA fosse feito com as cinzas.

A partir dos testes, o governo japonês alegou que aqueles realemente não eram os restos da menina desaparecida, o que apenas confirmou a suspeita dos Yokota. Eles sequer acreditavam que ela teria tirado a própria vida.

Cheia de reviravoltas, contudo, a história ganhou um novo rumo quando o marido de Megumi, com quem ela havia se casado em 1986, veio à público. Para o pai da jovem, todavia, nem uma palavra dita por Kim Young-nam era verdadeira. Ele acreditava, inclusive, que o homem foi obrigado a ler um roteiro criado pelos norte-coreanos.

A mãe de Megumi Yokota (no sofá à direita) em entrevista posterior / Crédito: Wikimedia Commons

 

Herança

Ainda que Kim Young-nam tenha confirmado as tendências suicídas de Megumi, a história nunca foi realmente comprovada. Sabe-se, no entanto, que os dois tiveram uma filha juntos, a pequena Kim Hye-gyong, em 1987.

Em 2012, um boato sobre a herdeira de Megumi surgiu, afirmando que a menina estava sob vigia do governo norte-coreano para que, no futuro, servisse de moeda de troca com o Japão. Dois anos mais tarde, os pais da jovem desaparecida finalmente puderam conhecer sua suposta neta na Mongólia.

Mais de 40 anos depois, muitos detalhes do caso permanecem um mistério. O próprio teste de DNA feito nas supostas cinzas da jovem, por exemplo, foram realizados por um cientista que afirmou não ter experiência em análises com amostras cremadas. Assim, a verdade por trás do desaparecimento de Megumi Yokota nunca foi descoberta.


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