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41 dias à deriva: Tami Oldham, a mulher que sobreviveu sozinha a um dos piores furacões do Pacífico

Um passeio romântico entre Tami e seu namorado Richard Sharp, acabou em uma terrível tragédia

Paola Churchill Publicado em 11/06/2020, às 16h46

Tami e seu namorado Richard Sharp
Tami e seu namorado Richard Sharp - Wikimedia Commons

Em outubro de 1983, a jovem Tami Ashcraft vivia uma aventura com seu namorado, Richard Sharp. Os dois amantes eram apaixonados pelo mar, então, colocaram todas os seus pertences pessoais num veleiro em direção ao Taiti. Richard já tinha uma vasta experiência em alto mar, a namorada nem tanto, mas ela estava disposta a viver uma grande aventura ao lado de seu amado e aceitou o convite para partir rumo ao desconhecido.

Era um sonho. Parecia que só existiam os dois na imensidão do mar e mesmo que tivessem sido avisados de um furacão se formando na América Central, não ficaram com medo. O casal tinha certeza que passaria longe do caos.

No entanto, o pesadelo se tornou realidade. Uma tormenta mudou o rumo do furacão e foi em direção aonde o casal estava, no meio do pacífico. Com ondas gigantescas de mais de 15 metros, o pior aconteceu: o barco virou.

Tami voltou a si muito rapidamente. Para seu desespero, estava sozinha: as ondas haviam levado seu amado. Desesperada, ela ficou dias e mais dias parada sem saber o que fazer. Ela não sabia como pilotar o barco e estava em luto diante do óbito do amado.

Pensamentos obscuros a assombravam, em certo momento, ela até carregou uma espingarda para tentar se matar,  A mulher começou então a ouvir uma voz dizendo o que ela precisava fazer, e não teve dúvidas, foi um jeito de seu amor dar forças para ela continuar. Mesmo com muita dor e desespero, Tami conseguiu pilotar a embarcação.

 

No começo foi difícil, ela teve que pilotar o veleiro de forma manual e, para piorar toda a situação, ela sentia muitas dores devido a uma costela quebrada, além de ter que lidar com sintomas severos de desidratação — era preciso controlar o consumo de água.

Tami tinha todas as dificuldades possíveis, a cabine estava inundada, os mastros e velas todos impossíveis de serem utilizados. Além disso, tanto o sistema de rádio como de navegação estavam quebrados. 

Ashcraft sabia que sua única saída seria o solo. Isso porque o destino final planejado que era San Diego era impossível, então tentou com afinco localizar um lugar mais próximo que pudesse parar o veleiro. 

Por sorte, tinha um sextante para auxiliá-la a se direcionar. O instrumento é um dos mais antigos utilizados pelo homem em navegações. A partir dessas informações que o instrumento a disponibilizou. Tami constatou que em 2.400 quilômetros de distância estava a cidade de Hilo, no Havaí, essa era sua melhor chance.

Para improvisar uma vela, a mulher usou uma parte da estrutura do barco e fabricou uma bomba que retiraria a água de dentro do navio. A única companhia dela, neste momento, eram seus próprios pensamentos.

O barco quando chegou ao Havaí / Crédito: Divulgação

 

Ela passou mais de 41 dias, completamente sozinha, sobrevivendo apenas de alimentos enlatados. Tomada pela paranoia e medo, acreditava que não teria saída, e que seu fim estava próximo, assim como Richard.

Oldham estava prestes a desistir, mas, um milagre aconteceu: no dia 22 de novembro de 1983, um barco de pesquisa japonês avistou a pequena embarcação com somente Tami a bordo. Por sorte, ela estava no caminho certo.

A poucos quilômetros da cidade do porto de Hilo, conseguiu sobreviver em uma situação que somente ela poderia se salvar. A embarcação levou a sobrevivente até Hilo, no Havaí, lugar onde recebeu toda a ajuda que precisava.

Imagem do filme "Vidas à Deriva" inspirado na vida de Tami/Crédito: Divulgação

 

Tami sobreviveu a um dos piores furacões do Pacífico, hoje, mais de 30 anos depois dos seus dias de tormenta, a mulher começou uma nova família, mas nunca se esqueceu de seu amado Richard, que nunca teve seu corpo encontrado. A história de superação de foi reproduzida no filme Vidas à Deriva (A Drift, no título original) de 2018.


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