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47 dias à deriva: O instinto sobrevivente de Tami Ashcraft

O que era para ser somente mais uma aventura dos noivos Richard Sharp e Tami Ashcraft, se tornou um grande pesadelo

Caio Tortamano Publicado em 31/05/2020, às 12h00

Tami Ashcraft e seu noivo, Richard Sharp
Tami Ashcraft e seu noivo, Richard Sharp - Divulgação

Tendo passado seis meses velejando pelo mundo em 1983, os noivos Richard Sharp e Tami Oldham Ashcraft decidiram que seria interessante transformar essa paixão em uma fonte de renda interessante, e aceitaram fazer uma entrega do Tahiti até os Estados Unidos cruzando o Oceano Pacífico.

O que o casal não previa, era que no dia 12 de outubro desse mesmo ano, quando eles já estivessem em alto-mar, que o furacão Raymond iria se formar justamente próximo de onde o casal velejava. O barco, de apenas 13 metros de comprimento, não foi nada para as ondas que mediam mais de 10 metros.

Richard

Sharp insistiu que Tami ficasse dentro do convés para se proteger da chuva enquanto ele, com mais experiência, tentasse controlar o barco contra as perigosas ondas que estavam se formando e atacando violentamente o barco. A última coisa que Ashcraft conta ter ouvido antes de apagar completamente foi seu noivo gritando “Ai meu Deus!”.

Depois disso, a mulher só viria a acordar 27 horas depois, com o seu veleiro praticamente destruído e nenhum sinal de Richard, ele estava morto. Em suas memórias reunidas no livro Red Sky in Mourning: A True Story of Love, Loss, and Survival at Sea, Tami conta que com certeza a força das ondas projetaram seu noivo para fora do barco, e ele não teria conseguido nadar de novo para dentro da embarcação.

Solidão

Agora, a moça estava sozinha, a deriva, com seus equipamentos destruídos, a cabine estava inundada pela metade, e os mastros e velas completamente disfuncionais. O sistema de navegação estava quebrado, assim como o sistema de rádio para se comunicar com quem quer que conseguisse ajudá-la naquela situação, ela estava completamente solitária.

A única saída de Ashcraft seria retornar a salvo para o solo. San Diego era o destino original do casal, mas já estava fora de cogitação, com um sério ferimento em sua cabeça e com pouca comida a bordo, a única chance dela sair dessa situação viva era encontrando o local mais próximo para que pudesse parar o barco.

Esperança

Por sorte, ela tinha um sextante para auxiliá-la a se direcionar. O instrumento é um dos mais antigos utilizados pelo homem em navegações, que usa o posicionamento das constelações com a linha do horizonte observável para dar coordenadas em grau para os navegadores.

A partir desses dados, constatou que em 2.400 quilômetros de distância estava a cidade de Hilo, no Havaí, essa era sua melhor chance. Para improvisar uma vela, a mulher usou um poste quebrado e fabricou uma bomba que retiraria a água de dentro do navio.

A única companhia dela, neste momento, eram seus próprios pensamentos. Claro, outros navegantes costumam fazer viagens sozinhos, mas pouquíssimos tem que lidar com essa solidão depois da trágica morte de uma pessoa amada, e tendo que improvisar absolutamente todos os equipamentos.

Sobrevivência

Sua alimentação passou a se basear nas coisas que sobreviveram a terem sido inundadas, como itens enlatados. A perda de sangue e a má alimentação fizeram dela cada vez mais fraca, Tami conta no livro que chegou a ficar catatônica por dois dias, sem conseguir se mexer e muito menos comer. De acordo com a sobrevivente, foi uma voz dentro dela que fez com que se levantasse e tentasse sobreviver a todo custo.

Graças a essa voz, inclusive, Ashcraft conseguiu pensar pouco a respeito do que tinha acontecido, e estava focada em seus passos para chegar ao Havaí. Todo meio-dia (que ela constatou graças ao seu relógio), a velejadora usava o sextante para reajustar sua rota.

Muito para sua cabeça

Alguns pensamentos passaram em sua cabeça, em dado momento ela carregou uma espingarda que estava dentro do navio e colocou em sua boca, queria dar um fim a aquele sofrimento, mas uma voz — que ela diz ter escutado externamente três vezes durante a experiência — falou para ela parar.

O barco quando chegou ao Havaí / Crédito: Divulgação

 

Passados 47 dias à deriva desde a passagem do furacão, um barco de pesquisa japonês avistou a pequena embarcação com somente Tami a bordo. Por sorte, ela estava no caminho certo, e a poucos quilômetros da cidade do porto de Hilo, conseguiu sobreviver em uma situação que somente ela poderia se salvar.


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