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5 batalhas que acabaram em desastre

Uma estratégia errada pode transformar uma vitória na mais humilhante das derrotas

sexta 31 agosto, 2018
O exército austríaco
O exército austríaco Foto:Perry Miniatures / Reprodução

A melhor defesa nem sempre é o ataque, e a superioridade numérica não é garantia de sucesso. Uma estratégia mal planejada pode levar à morte milhares de soldados e um triunfo mal aproveitado pode transformar vitória em derrota definitiva. Ao longo do tempo, o homem coleciona aventuras desastrosas de generais incompetentes e de casos em que a resistência de um pequeno grupo pode causar a ruína até mesmo a nação mais poderosa do planeta.

1. Pirro em Roma, 280 e 275 A.C. 

Na época da expansão do império, Roma ameaçava as colônias gregas na península italiana. Para a cidade grega de Tarento, no sul, a derrota parecia certa. Sem saída, os tarentinos pediram ajuda a Pirro, primo de Alexandre, o Grande, e rei de Épiro, pequeno reino na costa ocidental grega.

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Ele forjou uma aliança com o vizinho mais poderoso, Ptolomeu Cerauno, rei da Macedônia, e partiu para a Itália com um exército de 20 mil soldados, 3 mil cavaleiros, 2 mil arqueiros e até 20 elefantes. Ele queria não só evitar a conquista de Tarento como também subjugar os romanos. Pirro obteve as primeiras vitórias em solo italiano. Na Batalha de Herácela, em 281 a.C., morreram 7 mil romanos, contra 4 mil gregos. Seria um sucesso categórico não fosse um problema: o exército de Pirro não conseguiria repor os desfalques.

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Na Batalha de Ásculo, no mesmo ano, os romanos perderam 6 mil homens, contra 3,5 mil de Pirro. Sem um terço das tropas, acabou derrotado pelos romanos por duas vezes, em Benevento (275 a.C.) Aos 46 anos, Pirro morreu de maneira mais patética: depois que uma senhora atirou uma telha em sua cabeça na cidade de Argos. Em seguida, foi atingido pela lança de um soldado.

2. Sul da Itália, 216 A.C. Aníbal venceu, mas não levou

“Nunca um exército tão grande foi aniquilado com tão poucas perdas para o inimigo como os romanos em Cannae.” É assim que o historiador alemão Theodor Mommsen descreve em História de Roma o massacre cometido por Cartago ao exército romano em Cannae, no sul da Itália, em agosto de 216 a.C. Cerca de 70 mil romanos morreram ao fim da batalha. Do lado cartaginês, as baixas não passaram de 6 mil.

A batalha foi um momento decisivo da II Guerra Púnica. Cannae era um importante entreposto romano tomado pelo general cartaginês Aníbal. Seu objetivo era atrair Roma a uma guerra que provocasse uma sublevação nas cidades romanas. Mas Roma enviou mais de 80 mil homens comandados pelos generais Aemilius Paulus e Terentius Varro.

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Aníbal contava com a metade do efetivo inimigo. Ele então atraiu as legiões ao centro do campo de batalha, enquanto mantinha suas divisões de elite descansadas. E venceu o poderoso exército. Porém Cannae virou um tiro n’água. Nenhuma cidade se rebelou. Roma colocou novamente suas tropas na frente de batalha, sob o comando de bons estrategistas, como o general Publius Cornelius Scipio, que foi a Cartago e derrotou Aníbal na Batalha de Zama.

3. Teutoburgo, oeste da Alemaha, ano 9 Bárbaros aniquilam inimigos 

Sob o comando do cônsul Públio Quintílio Varo, uma legião de 20 mil soldados romanos marchava pela floresta de Teutoburgo, no oeste da Alemanha, perto da atual cidade de Bielefeld. Era um bosque fechado. Chovia e ventava havia três dias. Sentindo que os romanos estavam vulneráveis, Armínio, chefe da tribo germânica dos queruscos, ordenou o ataque. Carregando armas leves, os germânicos se movimentavam mais rapidamente no atoleiro. Foram mais três dias de agonia para o comboio imperial. Poucos legionários voltaram para casa. Dezoito mil romanos morreram.

A derrota foi um atestado de ingenuidade de Públio Varo. Ele nem era soldado, mas conseguiu a indicação para o cargo de governador da Germânia e um posto à frente de três legiões. Tudo isso graças a seus contatos com o imperador Augusto. Armínio, seu carrasco, era um bárbaro que vivia a serviço do Império Romano e gozava da inteira confiança de Varo.

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Ele avisou ao governador sobre uma revolta de tribos germânicas nas proximidades de Osnabruck e alertou que era preciso atacar os rebeldes rapidamente. Indicou um atalho que passava pela floresta fechada de Teutoburgo. Varo confiou em Armínio e se deu mal. Antes de o banho de sangue terminar, Varo se suicidou. A cabeça do cônsul foi enviada ao rei bárbaro dos marcomanos. A expedição punitiva de rotina terminou em um desastre militar de Roma. Assim, o Reno virou uma fronteira intransponível do império.

4. Duque de Alba na Holanda, em 1573 

Em outubro de 1573, cerca de 12 mil soldados espanhóis comandados pelo violento duque de Alba cercaram a cidade holandesa de Leiden, em frente às muralhas. Lá dentro, 14 mil habitantes resistiam com um estoque de comida limitado. Não tinham exército: centenas de pessoas compunham milícias urbanas. Só que, em março de 1574, o cerco continuava. A única saída seria vencer o inimigo pela fome.

Do exílio na Alemanha, Guilherme de Orange, líder dos rebeldes holandeses, não conseguiu reunir mais que 15 mil soldados. Enquanto isso, as tropas do duque de Alba cresceram para 87 mil homens, em 1574. O verão passou e o cerco não acabou.

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A guerra contra a Espanha começara em 1568. Os holandeses queriam autonomia administrativa e religiosa – a maioria professava o novíssimo calvinismo. Leiden era estratégica. Tomada, a revolta seria esmagada. Numa atitude desesperada, o alto comando da resistência decidiu abrir diques. Inundaria o país, mas serviria para levar os navios holandeses até as muralhas de Leiden. Em setembro de 1574, os diques foram abertos, e a água expulsou os invasores. A Espanha, exaurida pelo esforço militar, entrou em bancarrota.

5. Karansebes, Romênia, século 18 

Aconteceu em Karansebes, cidade no sul da Romênia, um dos maiores fracassos da história militar. O autor do vexame foi José II, imperador da Áustria. Aos 47 anos, decidiu livrar a Europa dos turcos. Partiu de Viena com 245 mil homens, 37 mil cavalos, 900 peças de artilharia, 176 mil balas de canhão e mil toneladas de pólvora. Os homens do imperador permaneceram acampados nos Bálcãs esperando a ordem para atacar os turcos. Com a hesitaçãor, 172 mil homens morreram de malária e disenteria.

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Só em setembro de 1788 é que José II marchou para as margens do rio Timis com outros 100 mil soldados. Lá, não encontrou nenhum turco. Alguns cavaleiros de José II atravessaram o rio e deram de cara com ciganos, que receberam os soldados com aguardente. Quando já ia alta a bebedeira, companhias de infantaria chegaram, e começou uma briga. Não havia outra razão para o exército de José II não acreditar que uma batalha contra os turcos estava em curso. Canhões começaram a disparar contra seus próprios soldados. Morreram 10 mil austríacos. Dois dias depois, chegaram os turcos e não havia ninguém. Cerca de10 mil soldados voltaram a Belgrado para contar o vexame.

Cristiano Dias


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