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5 coisas que turistas precisam obedecer na Coreia do Norte

Em um dos países mais fechados do mundo, envolto em mistérios sobre seu governo, o turismo é bem diferente

Redação Publicado em 18/02/2022, às 09h00 - Atualizado em 18/03/2022, às 10h00

Retrato de cidadãos norte-coreanos em setembro de 2018
Retrato de cidadãos norte-coreanos em setembro de 2018 - Getty Images

Com as fronteiras fechadas a todos os estrangeiros devido à pandemia de Covid-19, a Coreia do Norte é, na verdade, um destino de turismo. Com a possibilidade de visitar algumas das regiões liberadas do país, ao turista é permitido conhecer um pouco mais da cultura norte-coreana e seus costumes.

No entanto, nem tudo é positivo, com rígidas regras e limitações para quem adentrar terras da Coreia do Norte, o turismo à nação chama atenção. As viagens somente podem ser feitas em grupos, que serão acompanhados por guias norte-coreanos.

Devido as limitações, não são muitas agências que organizam excursões de turismo para a Coreia do Norte e a conexão, seja ferroviária ou aérea, é somente possível vindo de pouquíssimos países, como Rússia e China.

O site Aventuras na História listou cinco das regras que os turistas internacionais devem obedecer enquanto estão em terras norte-coreanas.

1. Grande tabu: política não se discute

Um dos maiores símbolos da Coreia do Norte, a Biblioteca Nacional - Créditos: Getty Images

Se esforçando para impedir quaisquer reflexos de conflitos internacionais dentro de suas fronteiras, com o impedimento de jornalistas norte-americanos e sul-coreanos, as discussões sobre política também são expressamente proibidas, como revelam os guias e oficiais militares logo na entrada do país.

De acordo com relatos de brasileiros que visitaram a Coreia do Norte, dados ao portal de notícias BBC, em reportagem de 2017, as conversas se mantêm nos assuntos menos polarizados, como futebol, cultura e, como afirmou Marcelo Druck ao veículo, até mesmo novelas.

Uma das guias morou em Cuba e quis saber tudo sobre 'A Escrava Isaura'. Foi surreal!", contou.

2. Qual a pena? 

Enquanto alguns turistas são punidos por desobedecer, como o estudante Otto Frederick Warmbier, que foi condenado a 15 anos de trabalhos forçados por roubar um cartaz com propaganda política, e extraditado em coma em 2017, morrendo alguns dias depois, o peso geralmente cai nas costas dos oficiais responsáveis por cada grupo.

Isso é avisado também no momento de ingressão no país.

"O principal era ter em mente que qualquer coisa que eu fizesse de errado ia ser paga pelos meus guias, dificilmente por mim", disse em entrevista à BBC.


3. A lista

Praça Kim Il-sung, um dos pontos de turismo de Pyongyang, capital norte-coreana - Créditos: Getty Images

Alguns dos pertences não podem entrar com o turista na Coreia do Norte, mas, a lista completa é revelada na alfândega, onde precisam se desprender de alguns objetos específicos. Câmeras com GPS, livros e revistas sul-coreanos, lentes de longo alcance são proibidos.

Inclusive, de acordo com o website oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, celulares também não podem ficar com o turista no país. Além disso, todas as comunicações telefônicas são escutadas ou fiscalizadas.

“Não é permitida a utilização de telemóveis. Os visitantes deverão entregá-lo na alfândega, aquando da entrada no território, o qual será devolvido à saída. Durante a estadia, também não terão acesso à Internet ou E-mail. A rede de telemóveis local não permite chamadas para o exterior”, escrevem.

4. Fotos de militares são proibidas

Ao usar as câmeras com as quais o turista entraram na Coreia do Norte, não é permitido tirar fotos de qualquer coisa.

Enquanto não há regras sobre conversar com os civis, ser fotografado com eles ou fazer retratos de paisagens, o mesmo não é possível com militares norte-coreanos. Somente é possível tirar uma fotografia com eles na Zona Desmilitarizada, local que fica entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.


5. ‘Veneração’ dos líderes?

Mural de propaganda do governo norte-coreano - Créditos: Getty Images

Dentro da Coreia do Norte, o roteiro de viagem já é definido para turistas, contando com visitas a parques, fábricas, museus, plantações e até um criadouro de tartarugas. Ao longo dos pontos determinados é possível identificar alguns costumes usuais dos norte-coreanos.

Um deles é uma certa ‘veneração’ aos líderes da nação. O turista pode realizar reverências e deixar flores aos pés das estátuas em memória de dois principais chefes de Estado: o Grande Líder, que comandou o país na época da libertação norte-coreana da ocupação japonesa, e seu filho, Kim Jong-il, apelidado de ‘Querido Líder’.