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5 coisas que você provavelmente não sabia sobre a novela Pantanal

Símbolo dos anos 90 por bater a Globo durante o horário nobre, o roteiro foi vendido e será produzido em 2021 pela emissora carioca

Wallacy Ferrari Publicado em 24/09/2020, às 09h14

Imagem de Juma na capa do disco "Pantanal", de 1990
Imagem de Juma na capa do disco "Pantanal", de 1990 - Divulgação/Manchete

Em 27 de março de 1990, estreava na Rede Manchete a novela Pantanal que, em poucas semanas, seria a primeira em décadas a desbancar as telenovelas da TV Globo a nível nacional. Escrita por Benedito Ruy Barbosa, a direção era feita por Jayme Monjardim, além de contar com dezenas de personagens que marcaram a memória nacional.

O impacto da novela mudou os rumos da televisão brasileira, passando a explorar mais o popularesco durante a década de 1990, buscando se aproximar ao público e deixar de lado o status de elite que a televisão tinha. Não é por menos que, em 2016, a revista Veja elegeu Pantanal como a quarta melhor telenovela brasileira de todos os tempos — e receberá um remake da principal rival.

A Aventuras na História preparou cinco coisas que você provavelmente não sabia sobre a novela Pantanal:

1. Audiência assustadora

Com exibição original para as 21h30, a novela iniciou sua primeira semana com uma média de 7 pontos no IBOPE, porém, já conseguia superar a Globo a partir da quarta semana da novela, durante todos os dias. Para desespero da emissora de Roberto Marinho, assim seria ao longo de nove meses, sendo a primeira novela desde o fim da TV Tupi, em 1980, a superar as novelas da Globo quase que do início ao fim.

Para combater isso, a Globo passou a editar e estender a duração dos episódios de Rainha da Sucata para evitar que os espectadores migrassem para a Manchete, sem sucesso. Em resposta, a emissora do grupo Bloch circulava comerciais e anúncios em suas revistas provocando Rainha da Sucata, associando o nome ao lixo, além de enaltecer os picos frequentes de 30 pontos de audiência.


2. Elenco x elenco

Se por um lado a Globo contava com medalhões marcados na teledramaturgia brasileira, A Manchete conseguiu formar um elenco que mesclava figuras experientes da televisão com revelações, como Cristiana Oliveira, intérprete de Juma, e Marcos Winter, como Joventino. Um truque usado com destreza, no entanto, foram as participações especiais, adicionando personagens novos durante a trama.

Trecho da novela Pantanal com os protagonistas reunidos / Crédito: Divulgação/Manchete

 

Como tentativa de vencer a novela dos Bloch, a Globo colocou no ar Araponga após o fim de Rainha da Sucata. A nova produção contava com todo o elenco classe A da emissora carioca para tentar recuperar o máximo de audiência — mas passou despercebida ao competir com a fase final de Pantanal.


3. Reprises desgastantes

Abusando do sucesso repentino, Pantanal acabou sendo a carta coringa de duas emissoras para atrair os espectadores; sem contar a exibição original, a novela foi reprisada quatro vezes — duas pela Manchete e duas pelo SBT. A primeira, logo no ano seguinte de sua finalização, e a segunda, como um tapa-buraco para a novela Brida, que foi interrompida com o fim dos recursos financeiros da emissora.

As duas outras reexibições foram feitas pelo SBT, que comprou as fitas originais da novela em um leilão de equipamentos e itens da massa falida da Manchete, logo após o sucesso da exibição de outra novela da emissora carioca, Xica da Silva. A primeira exibição do SBT, iniciada em 2008, também fez a emissora vencer a Globo na audiência durante alguns minutos.


4. Bastidores das filmagens

A pré-produção envolveu diversos trâmites de elenco até acertar a produção, que iniciou em 15 de dezembro de 1989. Antes de Cristiana Oliveira, as atrizes Glória Pires, Adriana Esteves e Deborah Bloch foram cotadas para o papel de Juma Marruá.

Cristiane Oliveira encarna Juma montada em cavalo em cena de Pantanal / Crédito: Divulgação/Manchete

 

A novela realmente teve a maioria das cenas filmadas no Pantanal; 60% das gravações externas rodaram no bioma brasileiro e os outros 40% foram divididos entre São Paulo e Rio de Janeiro. Apenas as cenas internas, que eram raras no enredo, foram gravadas em um estúdio, localizado na zona norte do Rio de Janeiro.


5. Remake dos Marinho

Apesar da aquisição das fitas originais pertencer ao SBT, o roteiro de Pantanal foi adquirido em 2006 pela Globo, diretamente com o autor Benedito Ruy Barbosa. Tal fato rendeu um processo judicial a emissora de Silvio Santos e interrompeu o plano da Globo de fazer um remake no horário das 18h em 2008, com o nome Amor Pantaneiro.

No início de setembro, a emissora carioca anunciou que fará um remake de Pantanal em 2021, ocupando a faixa das 21h e usando o texto original da novela transmitida pela Manchete. Atualmente, a produção está em processo de seleção do elenco e contará com a direção artística de Rogério Gomes, que produziu os remakes de Cabocla e Sinhá Moça.


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