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"O monarca tropeçou, mas a monarquia não caiu": 5 curiosidades sobre o baile da Ilha Fiscal

O evento ficou conhecido como o último baile do império: na semana seguinte, militares revoltosos tiraram Pedro II do poder

Caio Tortamano Publicado em 15/11/2020, às 06h00

O Último Baile do Império, por Francisco Figueiredo
O Último Baile do Império, por Francisco Figueiredo - Wikimedia Commons

Com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, os quase 400 anos de comando monárquico no Brasil chegaram ao fim. Todavia, em 9 de novembro, praticamente uma semana antes, acontecia no Rio de Janeiro o Baile da Ilha Fiscal, que ficou conhecido como o último baile do império. 

Pensando nisso, o site Aventuras na História separou 5 curiosidades sobre o evento.

1. Motivo

Foi anunciada como uma comemoração aos oficiais de um navio chileno que desembarcaram duas semanas no porto carioca, o Almirante Cochrane. 

Contudo, o evento foi marcado com a intenção de celebrar as bodas de prata da Princesa Isabel com seu marido, o conde d’Eu, mostrando a força da monarquia em uma época que o governo era fortemente pressionado pelos republicanos.

O Gastão de Orléans em fotografias com a princesa Isabel / Crédito: Brasiliana Fotográfica

2. Impacto na época

A festa teve proporções imensas, com certeza para dar a ideia de consolidação do sistema monárquico e da família real no país. A cidade entrou em alvoroço com o início da distribuição de convites.

As roupas de alta costura no Rio de Janeiro inteiro se esgotaram. Além disso, as madames lotaram os cabeleireiros da cidade e 72 horas do baile sequer começar já não havia mais vagas em nenhum lugar do Rio. 


3. A ilha

A Ilha Fiscal — que dá nome ao histórico baile — é chamada assim por conta do prédio histórico e tombado, uma espécie de palacete, palco de onde seria realizada a festa. O edifício era um posto da Guarda Fiscal, um corpo especial das tropas portuguesas que regularizavam os itens que chegavam no porto.

Ilha Fiscal na Baía de Guanabara / Crédito: Wikimedia Commons

 

A ilha contava com um grande gerador no dia do baile, assim fornecendo eletricidade para que a festa contasse com milhares de lâmpadas iluminando a festividade. Além disso, esse evento contava com velas, balões e lamparinas. Com os faróis do encouraçado apontados para a ilha, o visual era espetacular.


4. Comida e bebida

Durante a celebração, feita para os mais de 2 mil convidados, foi encomendada uma grande quantidade de comida e bebida. Foram 188 caixas de vinho, 80 caixas de champanhe e 10 mil litros de cerveja, além de licores e destilados.

Para alimentar todos, foram necessários 48 cozinheiros e 150 copeiros que, entre outras funções, serviam os convidados com os mais diferentes tipos de comida. O cardápio tinha peças inteiras de caça e pesca (dos quais 800 quilos de camarão) e uma infinidade de aves exóticas. Além disso, mesas em forma de ferradura foram colocadas no pátio para servir o jantar. Entre as sobremesas, o sorvete, novidade da época.


5. Folclore

O episódio é um dos mais marcantes da derradeira história da monarquia no país, e conta com algumas lendas. A mais famosa delas é a de que Dom Pedro II chegou a tropeçar em um tapete do salão logo no início da festividade. Surpreendido, teria comentado: "O monarca tropeçou, mas a monarquia não caiu". Irônico.

Gravura da família imperial brasileira / Crédito: Getty Images

 

Outro factoide do qual não se pode ter confirmação é a respeito do número de adereços encontrados pelo pessoal da limpeza ao final da festa: 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 cintas-ligas. A coluna humorística do jornal O Paíz ainda elencou outra peça esquecida nos números ditos oficiais, um espartilho.


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