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Israel siberiana, proibição da Vodca e Ilha Canibal: 5 fatos bizarros sobre a Revolução Russa

Durante a revolução, a União Soviética escondia mais segredos do que podemos imaginar

Redação Publicado em 20/10/2019, às 06h00

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- Crédito: Wikimedia Commons

Com a Revolução de Outubro de 1917, o Partido Bolchevique liderado por Lenin impôs o governo socialista soviético na Rússia — situação que endureceu com a subida de Stalin ao poder, em dezembro de 1929. Confira algumas situações insólitas que ocorreram no período:

1. Uma Israel na Sibéria

Não só surgiu como ainda existe. A União Soviética tinha o Komzet, Comitê para Reassentamento dos Judeus. Em 1931, os judeus soviéticos, incentivados pelo governo, começaram a se mudar para Birobidjan, cidade no meio da Sibéria, onde uma utopia judia era prometida. Stalin a princípio aprovou, mas incluiu os judeus em seu Grande Expurgo de 1937, com a ideia de que tinham mais fidelidade a si mesmos que ao Estado.

2. Mães que tinham mais filhos ganhavam prêmios

Bolcheviques achavam o casamento e a família instituições burguesas. No começo da Revolução, o casamento se tornou civil, o divórcio foi facilitado, o aborto, liberado, e mães solteiras passaram a ser protegidas pela lei.

A sociedade reagiu com hedonismo. Mas Stalin reverteu tudo: baniu o aborto e dificultou o divórcio, criou um imposto para quem não tinha filhos, e até mesmo uma medalha para as mães de mais de sete filhos. Tudo em nome do crescimento populacional.

3. Genética e darwinismo foram proibidos

Na era Stalin, a genética foi ideologizada como uma pseudociência burguesa. Três mil cientistas foram demitidos ou, pior, presos e executados. As razões eram: os nazistas falavam demais em genética e evolução; o criador da genética, Mendel, foi um padre e essa conversa sobre competição batia de frente com o desejo de criar um novo ser humano.

No lugar do darwinismo foi proposto o lysenkoismo, de Trofim Lysenko, que afirmava a existência de cooperação natural ao invés de competição.

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Trofim Lysenko / Crédito: Wikimedia Commons

 

4. A Ilha Canibal

Talvez a mais emblemática atrocidade da era Stalin foi o incidente na Ilha de Nazino, na Sibéria. O plano era fazer um experimento de colonização com prisioneiros. Em maio de 1933, mais de 6 mil pessoas foram deixadas na ilha com 50 guardas. Duzentas e noventa e cinco morreram no primeiro dia.

Só depois de quatro dias receberam comida — farinha de trigo pura, sem qualquer instrumento para cozinhar. A situação logo se deteriorou em selvageria, com guardas caçando fugitivos e múltiplos incidentes de canibalismo predatório — matar para comer. Dois mil restaram para contar a história.

5. Tentaram acabar com a vodca

Pouco antes da guerra, o czar havia imposto a lei seca, tornada permanente durante o governo provisório, em março de 1917. Lenin manteve a proibição e mandou destruir todo o estoque de álcool em novembro do mesmo ano.

Trotsky ordenou a busca e apreensão com as palavras de ordem: “Sem misericórdia aos vendedores de bebida!”. Aos poucos, eles tiveram de ceder à pressão popular: o vinho foi liberado em 1921 e a cerveja no ano seguinte, mas a vodca apenas em 1925 por razões econômicas.


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