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Do Titanic a transfusão de sangue: Veja pessoas que foram mortas pelas próprias invenções e descobertas

Direta ou indiretamente, muitos nomes que entraram para a história foram alvo de de suas obras

Fabio Previdelli Publicado em 07/09/2020, às 09h00

O naufrágio do Titanic (à esqu.) e Thomas Andrews, o projetista naval (à dir.)
O naufrágio do Titanic (à esqu.) e Thomas Andrews, o projetista naval (à dir.) - Wikimedia Commons

1. Franz Reichelt, o alfaiate que desafiou a gravidade

Alfaiate, escritor e entusiasta da aviação, o austríaco Franz Reichelt, que nasceu em 1879, foi um dos pioneiros do paraquedas moderno. Franz desenvolvia protótipos em forma de asas usando a seda como matéria prima.

Apesar da invenção, o projeto era megalomaníaco: pesava cerca de 70 quilos e era feito de 6 metros de tecido. Mas isso não o impediu de se entusiasmar com o êxito nos testes que ele havia feito com bonecos.

Assim, em 1912, o corajoso inventor decidiu testar o  projeto e colocar sua vida em risco. Ele subiu no alto da Torre Eiffel — na época a estrutura mais alta do mundo — e saltou pela primeira, e última vez.

Franz Reichelt e sua invenção / Crédito: Getty Images

 

A bugiganga não funcionou corretamente e ele despencou de uma altura de 60 metros. Apesar de a autópsia alegar que ele morreu de um ataque cardíaco antes de chegar ao solo, as chances de sobrevivência à queda eram remotas.

2. Thomas Andrews, o projetista naval que naufragou com o Titanic

Logo aos 16 anos o irlandês Thomas Andrews começou a trabalhar no estaleiro Harland & Wolff — empresa responsável pela construção do lendário transatlântico RMS Titanic. Andrews era projetista naval e teve um papel importante no projeto.

Na trágica noite de 14 de abril de 1912, ele estava na cabine no momento em que o navio se chocou no o iceberg. Neste momento, o Capitão Smith, que chefiava o Titanic, enviou uma mensagem para que Thomas fosse até a cabine.

Thomas Andrews /Crédito: Wikimedia Commons

 

Após a vistoria, ele constatou que o Titanic naufragaria por completo nas próximas horas. Andrews auxiliou os passageiros a entrarem nos botes e colocarem os coletes salva-vidas. A última vez que alguém o viu, ele estava — sem colete — admirando uma pintura pendurada na primeira classe da embarcação.

3. Marie Curie, a primeira dama da ciência

Conhecida por ser a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel em duas áreas diferentes — Física (1903) e Química (1911) — a polonesa Maria Sklodowska, mais conhecida como Marie Curie, foi pioneira em conduzir pesquisas no campo da radioatividade.

Durante anos de estudo, Marie foi responsável pelas descobertas dos elementos rádio e polônio, que trouxeram grande avanço à química. Entretanto, como na época ainda não se sabia os efeitos negativos da radiação, Marie trabalhava sem qualquer proteção, o que a levou a desenvolver leucemia.

Marie Curie foi a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel em duas áreas diferentes — Física (1903) e Química (1911) / Crédito: Getty Images

 

Marie Curie morreu em 4 de julho de 1934, aos 66 anos, deixando um grande legado para a ciência.

4. Otto Lilienthal, o pai do voo planado

O pioneiro em voos de planador, o alemão Otto Lilienthal nasceu em 1848, na cidade de Anklam. Aos 19 anos o engenheiro mecânico publicou um estudo importante sobre o voo dos pássaros, que é considerado uma das obras mais importantes da aviação.

Em 1891, ele desenvolveu o modelo Derwitzer Glider — o primeiro a carregar uma pessoa. Após alguns anos, Lilienthal desenvolveu aquele que seria seu último projeto, o planador “Normal Glider”.

Os primeiros testes de Otto Lilienthal / Crédito: Getty Images

 

Em 9 de agosto de 1896, ao decolar e planar com ele, Otto caiu de uma altura de 17 metros do chão, o impacto quebrou a coluna do alemão. Ele morreu no dia seguinte. A história diz que suas últimas palavras foram: “Opfer müssen gebracht werden” ou, em tradução para o português, algo como “sacrifícios devem ser feitos”.

5. Alexander Bogdanov, o pioneiro na transfusão de sangue

Médico, filósofo, economista, escritor de ficção científica e revolucionário russo. Esse vasto currículo pertence a Alexander Aleksandrovich Bogdanov. Nascido em 10 de agosto de 1873, Bogdanov iniciou, aos 51 anos, experiências de transfusão de sangue em si próprio.

Nesta época, o conhecimento na área era limitado, o que não impediu que ele tivesse êxito ao tentar melhora sua visão e diminuir sua calvície. Entretanto, ele não tinha nenhum rigor em seus experimentos, afinal, injetava em suas veias qualquer tipo de sangue, independente da saúde do doador.

Alexander Bogdanov /Crédito: Wikimedia Commons

 

Com isso, ele acabou recebendo uma transfusão infectada com malária e tuberculose. Alexander Bogdanov morreu em 7 de abril de 1928, aos 54 anos, vítima de complicações por conta das doenças adquiridas.