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Há 52 anos, acontecia a Revolta de Stonewall

O episódio entrou para a História e marcou a luta pelos direitos LGBTQIA+

André Nogueira Publicado em 28/06/2020, às 07h00 - Atualizado às 12h40

Entrada de Stonewall, em 2020
Entrada de Stonewall, em 2020 - Getty Images

No mês de junho é celebrado o Orgulho LGBTQIA+ e muito se deve ao ocorrido do dia 28 de junho de 1969, que mais tarde ficou marcado na história como um dos maiores episódios envolvendo a luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+.

A Revolta de Stonewall, como ficou conhecida, foi um ato revolucionário em prol da igualdade e da aceitação da comunidade LGBTQIA+, lutando contra a sociedade LGBTfóbica.

Diversas pessoas participaram dos atos, entre elas as famosas ativistas trans Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson.

Contexto histórico

Uma série de manifestações e brigas de rua tiveram início no bar Stonewall Inn, no bairro nova-iorquino de Greenwich Village. Numa época em que a homossexualidade começava a ser legalizada pelos EUA — até 1962, era completamente proibida —, a luta contra o sistema judiciário e policial estadunidense exigiu muita coragem e, principalmente, muito orgulho dessas camadas oprimidas da sociedade.

Nessa época, eram raros os estabelecimentos dedicados ao público LGBTQIA+ e os poucos lugares disponíveis costumavam ser duramente reprimidos pela polícia, institucionalmente homofóbica.

 

 

Em 1969, o Stonewall Inn era o único remanescente desses lugares em Nova York. Para existir, os donos do lugar pagavam altas taxas de propina à polícia. Como único espaço livre para ser gay, lésbica, trans, bi, etc, o Stonewall era um lugar bastante precário, mas livre. Era um dos poucos espaços de NY em que homens dançavam e se travestiam — o que era proibido.

Mesmo assim, a polícia vivia batendo na porta do Stonewall, prendendo funcionários e agredindo clientes. Em uma dessas batidas, na madrugada do dia 28 de junho, quatro policiais invadiram o bar. Estourou uma grande revolta contra toda a situação de homofobia e transfobia comuns no mundo todo.

A revolta que mudou a História

No bar, havia 200 pessoas que não permitiram a continuidade dos abusos policiais. As luzes foram apagadas e o som desligado. Era sinal da entrada da polícia! Todos que estavam "vestidos de mulher" foram separados para terem seu sexo conferido. No entanto, no clima de confronto, as pessoas se recusaram a se submeter aos policiais. A corporação, então, decidiu que mandaria todos para a delegacia. A partir daí, a revolta não era mais barrável.

Nem deu tempo da primeira viatura de reforço chegar — a revolta estava instaurada com sucesso. Mais de 2.000 pessoas já estavam nos arredores do bar, se acumulando mais e mais, aumentando a tensão no local. Os manifestantes gritavam "Poder Gay!" e cantavam músicas de protesto. Os policiais, claro, reagiram com violência.

Uma mulher começou a ser agredida e pediu ajuda, que veio em peso: a manifestação começou a atirar tudo o que podiam contra as viaturas e os policiais que abusavam do poder. A violência se instaurou na rua Christopher.

Marsha ao lado de Sylvia Rivera / Crédito: Divulgação / A Morte e Vida de Marsha P Johnson de David France

 

Quem estava detido dentro do bar também começou a atirar coisas para fora, contra os policiais, além de atearem fogo em lixos. O local ficou em chamas, o que, somado à violenta invasão dos policiais, destruiu o estabelecimento.

Muitas pessoas foram presas, ao mesmo tempo em que a credibilidade da polícia diminuía pelas agressões e também pela zombaria dos manifestantes, que humilhavam seus agressores, sem baixar a cabeça.

Chegavam mais reforços policiais e de bombeiros, mas a situação já estava fadada: às 4h da manhã, a rua havia sido esvaziada e o bar destruído, mas o recado de resistência e exigência de mudança já tinha sido dado com bastante clareza. E não acabava ali.

Os dias seguinte

Na noite seguinte, milhares de LGBTQIA+ voltaram ao local da luta, que tinha sido destruído, para manifestarem suas sexualidades nas vias públicas. Aos montes, gays, lésbicas, bis, travestis e transexuais se beijavam, dançavam e cantavam, ocupando diversas ruas nos arredores do bairro.

O Stonewall Inn, mesmo em ruínas, abriu suas portas e mais um ato ocorreu espontaneamente lá. De novo, a polícia foi ao local e deu início a uma batalha que virou a noite. E assim aconteceu nas cinco noites que se seguiram, até que a rebelião foi plenamente contida, à força.

Não podemos esquecer que os anos 1960 foram foco de diversas dessas revoltas em nome dos direitos civis: junto aos movimentos negros e às ondas feministas, os LGBTQIA+ também levantaram forças em nome da mudança social. Depois de Stonewall, não havia mais como fingir que essa não era uma questão e a voz LGBTQIA+ se tornou central nas lutas pela igualdade.

Em poucos meses, todas as grandes cidades dos EUA tinham manifestações pelos direitos dessa comunidade. No dia 28 de junho do ano seguinte, usando a revolta como marco, foi marcada a Primeira Marcha do Orgulho Gay dos EUA.


+Assista ao vídeo sobre a trajetória de Marsha P. Johnson:


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