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54 anos depois: o misterioso desaparecimento das crianças Beaumont

O fatídico sumiço marcou a sociedade australiana para sempre, dando um choque de realidade no país que acreditava que suas crianças estavam seguras

Caio Tortamano Publicado em 07/04/2020, às 19h00

Imagem meramente ilustrativa de um urso desgastado
Imagem meramente ilustrativa de um urso desgastado - Pixabay

Os irmãos Jane Nartare Beaumont, Arnna Kathleen Beaumont e Grant Ellis Beaumont, de 9, 7 e 4 anos, respectivamente, estavam indo juntos pra praia de Glenel, em Adelaide, na Austrália. Era feriado nacional em 26 de janeiro, que estava sendo comemorado o Dia da Austrália em 1966.

Jane levou as irmãs usando um carrinho elétrico para ir até a praia em um trajeto que mal durava cinco minutos. O destino era o resort mais famoso da região em Glenelg, na qual eles tinham ido no dia anterior e não tiveram nenhum problema, a região sempre fora muito tranquila.

Porém, nesse fatídico dia, as crianças, que deveriam ter voltado para casa às duas da tarde, não chegaram o dia todo. Às sete e meia da noite, os pais, Nancy e Jim, ficaram desesperados e ligaram para a polícia.

As investigações começaram imediatamente, especialmente por se tratar de crianças, que dificilmente estariam em outro lugar sem a supervisão e conhecimento dos pais — a não ser que alguma coisa tivesse acontecido.

Indo até o local do desaparecimento, os policiais descobriram por meio de testemunhas que as três crianças estavam brincando perto da praia na companhia de um homem loiro, alto com cerca de 30 anos. Aparentemente, estavam tranquilas e se divertiam na presença do rapaz.

Depois de algum tempo, eles teriam saído da praia a pé, e Jane comprou pastéis e uma torta de carne com uma nota de uma libra. Esse detalhe foi fundamental para a investigação, uma vez que o vendedor que conhecia a família Beaumont, e que eles não tinham o hábito de comprar torta de carne. Além disso, a mãe das crianças detalhou que deu somente moedas para pagarem a tarifa do carrinho elétrico que as levou para a praia, e nenhuma cédula.

A última vez que eles foram vistos, porém, foi na tarde desse mesmo dia. Estavam fazendo o caminho de volta para casa, alegres e saltitantes. O relato foi dado por um carteiro que conhecia a família, mas que provavelmente se confundiu com o horário (tendo dito que viu elas por volta das três da tarde), sendo que elas deveriam estar em casa uma hora mais cedo.

Os pais das crianças descreveram os filhos como tímidos. Então, a razão que eles estariam brincando com um aparente estranho seria a de que as duas meninas e o menino conheceram o suposto rapaz no dia anterior, tendo já uma confiança nele.

Capa do jornal local mostrava as três crianças que estavam desaparecidas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um detalhe essencial foi percebido pela mãe durante uma conversa no dia anterior ao desaparecimento, Anna disse para Nancy que Jane tinha um namorado na praia. A mãe não deu atenção para o fato, até entender que, provavelmente, se tratava do homem loiro.

O desaparecimento das crianças alterou completamente a sociedade australiana, especialmente a da região de Adelaide, onde os pais davam enorme liberdade para seus filhos devido a falta de violência e confiança na população local. Depois da repercussão do caso, os adultos começaram a temer pela segurança dos mais jovens, e liberdades foram cortadas.

O caso teve tamanha repercussão que, em novembro de 1966, o parapsicólogo Gerard Croiset resolveu tentar ajudar nas investigações, causando um alarde na mídia, que entendeu que os investigadores estavam perdidos e precisavam de qualquer tipo de ajuda.

Croiset identificou um armazém que tinha certeza que as crianças teriam sido enterradas por embaixo do prédio. Os donos da propriedade cederam à pressão popular e permitiram a escavação, mas nada foi encontrado. Nem mesmo trinta anos depois, quando o prédio foi demolido, qualquer indício de enterro das crianças foi detectado.

Em 1968, uma carta chegou até a residência dos Beaumont, escrita por um suposto guardião e pela filha mais velha, Jane. A carta dizia que a convivência entre eles era agradável, e que estaria disposto a entregar os filhos de volta para os pais e marcou um local de encontro.

Acompanhados por um agente a paisana, Nancy e Jim foram até o local, mas ninguém apareceu. Depois de um tempo, receberam uma carta do mesmo autor falando que ele não compareceu pois sabia que eles estavam acompanhados. Em análises futuras feitas por meio de impressões digitais, foi descoberto que se tratava de um trote dado por um um adolescente, que não chegou sequer a ser indiciado.

Nancy e Jim foram acolhidos com a simpatia do público australiano, que não chegou a apontar negligência por parte deles uma vez que toda a sociedade local considerava seguro e confiável deixar que suas crianças brincassem sozinhas na região, especialmente em praias movimentadas.

O caso até hoje permanece em aberto, nenhum culpado foi encontrado de fato, mesmo depois de terem sido apontados alguns suspeitos que teriam envolvimento em outros desaparecimentos de crianças no país. O sumiço dos Beaumont foi o primeiro caso de uma série de outros amplamente difundidos casos de assassinato de crianças e jovens, mudando a sociedade para sempre.


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