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6 anos de Papa Francisco: 10 frases marcantes ditas pelo pontífice

Declarações polêmicas marcam a trajetória do líder católico

Letícia Yazbek e Alana Sousa Publicado em 13/03/2019, às 10h00

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Há exatos seis anos, em 13 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio foi eleito papa, após a sucessão de Bento XVI. A decisão foi tomada no segundo dia do conclave, e Bergoglio escolheu o nome de Francisco, em referência a Francisco de Assis.

Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina, Francisco foi o primeiro jesuíta a ser eleito papa e primeiro papa do continente americano.

Ao longo de sua trajetória, Francisco já reuniu uma série de frases consideradas polêmicas e controversas. Confira algumas delas.


1. “O inferno não existe. O desaparecimento das almas dos pecadores existe”.

A frase foi dita durante uma entrevista a Eugenio Scalafari, fundador do jornal italiano La Repubblica, em março de 2018. Em nota, o Vaticano contestou a afirmação, alegando que o Papa recebeu o jornalista para uma conversa privada, e que a frase foi usada fora de contexto.


2. “Quando [a homossexualidade] se manifesta na infância, a psiquiatria pode desempenhar um papel importante para ajudar a perceber como as coisas são. Mas é outra coisa quando ocorre depois dos vinte anos”. 

Em uma conversa com jornalistas, em 2018, Francisco disse ainda que “ignorar um filho ou uma filha com tendências homossexuais revela falta de paternidade ou maternidade”. O aconselhamento de intervenção psiquiátrica foi recebido com espanto. O Vaticano, então, declarou que ele “não queria dizer que se trata de uma doença psiquiátrica, mas talvez que se deve ver como estão as coisas a nível psicológico”.


3. “Pensemos nas armas nucleares, na possibilidade de aniquilação de um número elevado de seres humanos num pequeno instante. Pensemos na manipulação genética, na manipulação da vida ou na teoria do gênero, que não reconhecem a ordem da criação”.

Durante uma entrevista, reproduzida no livro “Esta Economia Mata”, de Andrea Tornielli e Giacomo Galeazzi, o Papa comparou as novas visões de identidade de gênero aos perigos das armas nucleares e da manipulação genética.


4. “É um escândalo dizer uma coisa e fazer outra. Isto é uma vida dupla. Se esta pessoa é católica, é melhor ser ateu”.

Em outubro de 2018, durante uma missa matinal, Francisco criticou as pessoas que dizem “sou muito católico, sempre vou à missa, pertenço a isto e a esta associação”, mas, ao mesmo tempo, exploram pessoas e fazem negócios sujos. Segundo o papa, é melhor ser ateu e não levar uma “vida dupla”.


5. “Interromper uma gravidez é como eliminar alguém. É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema?”.

Em agosto de 2018, em uma habitual audiência na Praça de São Pedro no Vaticano, o Papa Francisco abordou o aborto como tema de sua homilia. O religioso disse: “Interromper uma gravidez é como eliminar alguém. É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema? Não é justo. Não podemos eliminar um ser humano, mesmo que pequeno, para resolver um problema”, e ainda comparou o aborto ao programa de eugenia dos nazistas: “No século passado, todo mundo se escandalizou com o que os nazistas faziam para preservar a pureza da raça. Hoje, fazemos o mesmo com colarinho branco”.


6. “Gostaria de reafirmar com clareza: se na Igreja for descoberto um só caso de abuso – que por si só representa uma monstruosidade -, este caso será enfrentado com a máxima seriedade”.

Durante a reunião histórica para debater a luta contra a pedofilia na instituição religiosa, o Papa afirmou que abusar é “um instrumento de satanás”. O pronunciamento veio após a descoberta recorrente de casos de abuso sexual dentro da Igreja Católica.


7. “Um bom católico não se envolve na política. Isso não é certo. Este não é um bom caminho. Um bom católico deve empenhar-se na política, oferecendo o melhor de si, para que o governante possa governar”.

Em missa realizada em 2013, o líder religioso afirmou que um católico deve participar da política e oferecer além de suas orações, também empenhar-se em participar. “governante seja sim um pecador, como Davi, mas eu devo colaborar com a minha opinião, com a minha palavra, e também com a minha correção”, declarou o Papa.


8. “A estratégia desse inteligente 'pai da mentira' é a mímesis, uma sedução traiçoeira e perigosa que se abre no coração do homem com argumentos falsos e atraentes”.

De acordo com o pontífice, a primeira notícia falsa remonta ao início dos tempos, quando Eva foi tentada a comer uma maçã no Jardim do Éden com informações enganosas dadas por uma cobra. No início de 2018, após uma viagem à América do Sul, o líder católico comentou sobre o crescente aparecimento de fake news: “Nós precisamos desmascarar o que pode ser chamado de 'táticas de cobra' usadas por aqueles produtores das fake news que usam disfarces para atacar a qualquer hora e local”.


9. “De acordo com o relato bíblico, a fim de preservar a humanidade da destruição, Deus pediu a Noé que entrasse na arca junto com sua família. Nós também em nome de Deus, a fim de salvaguardar a paz, precisamos entrar juntos como uma família numa arca que pode navegar pelos mares tempestuosos do mundo: a arca da fraternidade”.

O Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum, assinado pelo Papa Francisco no início de fevereiro deste ano, em conjunto com mais 150 líderes religiosos durante sua visita oficial aos Emirados Árabes Unidos, convida que “todas as pessoas que têm fé em Deus e fé na fraternidade humana a unirem-se e trabalharem juntas para que sirvam de guia às futuras gerações para promover uma cultura de respeito mútuo na consciência da grande graça divina”. Foi uma maneira do Papa rejeitar a intolerância religiosa e incitar a aceitação de diferentes religiões por membros da Igreja.


10. “A pena de morte é contrária ao senso de humanitas e misericórdia divina, que deve ser um modelo para a justiça dos homens. Trata-se de um tratamento cruel, desumano e degradante, como é o sofrimento antes do tempo de execução e a terrível espera entre condenação e pena”.

Em 20 de março de 2015, Francisco escreveu uma carta ao presidente da Comissão Internacional Contra a Pena de Morte, Federico Mayor, declarando seu apoio à comissão e seu compromisso por um mundo livre da pena de morte.