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67 mortos e pânico: O shopping que sofreu um atentado durante mais de três dias

O episódio se tornou um dos mais mortíferos da história do Quênia

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 12/03/2022, às 10h00

Registro do ataque no documentário 'Terror at the Mall'
Registro do ataque no documentário 'Terror at the Mall' - Divulgação/Vídeo/Terror at the Mall (HBO)

Em setembro de 2013, o Westgate Mall, um shopping localizado na cidade de Nairóbi, capital do Quênia, foi palco de um violento ataque terrorista que deixou pelo menos 67 vítimas fatais, somando civis de diversas nacionalidades e oficiais de segurança, e chocou o país. 

Câmeras registram o ataque inicial /Crédito: Divulgação/Vídeo/Terror at the Mall (HBO)

O responsável pelo atentado foi o al-Shabab, que surgiu em 2006 e cujo nome original significa "Movimento do Jovem Guerreiro". Trata-se de um grupo jihadista, isto é, que é formado de uma minoria de muçulmanos que possuem uma interpretação radical das escrituras do Islã, e também acreditam na luta armada como forma de alcançar seus objetivos.  

Conforme informações relembradas pela BBC em 2020, a milícia seria um dos muitos braços da famosa al-Qaeda, que foi culpada pelos acontecimentos ocorridos nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001. 

Fotografia do Westgate Mall / Crédito: Getty Images

A tragédia

O ataque a Westgate durou quatro dias, tendo início em um sábado, e apenas terminando com a morte dos quatro terroristas que estavam presentes no shopping, de acordo com as informações divulgadas pelas autoridades quenianas da época. 

Vale mencionar que dezenas de vítimas foram capazes de escapar das imediações do centro comercial, porém aqueles que ficaram enfrentaram um verdadeiro inferno. 

As pessoas estavam em pânico, as crianças choravam. Estávamos tentando acalmar as pessoas e dizer a elas para não usarem seus telefones ou mantê-las em silêncio. O tempo todo ouvíamos tiros. Era uma situação de guerra", contou Surajit Borkakyoty, um dos sobreviventes do atentado, em entrevista à BBC em 2013.

Durante este período, as cenas feitas no local viajaram o mundo, permitindo que pessoas de diferentes nações acompanhassem o tenso desenrolar dos acontecimentos. 

O episódio, que se tornou um dos mais sangrentos da história do Quênia, consistiu de uma retaliação às ações militares realizadas pelo exército queniano na Somália, que é o país onde ficam as bases do al-Shabab. 

Fotografia de 2013 mostrando um altar em homenagem às vítimas / Crédito: Getty Images

As repercussões

Um dos mais recentes desdobramentos da traumática situação foi o julgamento e condenação de dois homens em 2020. Os criminosos teriam colaborado com o grupo fundamentalista islâmico, além de estarem pessoalmente envolvidos com atos de terror. 

Como resultado, Mohammed Ahmed AbdiHussein Hassan Mustafa receberam penas de 33 e 18 anos, respectivamente, segundo divulgado pelo Arab News. 

Já no ano passado, durante o oitavo aniversário do atentado, o departamento de polícia do Quênia divulgou um comunicado abordando o que haviam mudado desde o triste evento. 

"O Westgate nos serviu lições importantes. Como consequência, passamos a ter uma presença policial aprimorada em nossas instalações de segurança em todo o país. Além disso, o serviço instalou um sistema de vigilância confiável nas principais cidades e adquiriu equipamentos de segurança modernos”, afirmou a mensagem, conforme repercutido pela AA na época. 

Outra diferença teria sido que, de 2013 para 2021, mais 40 mil policiais foram adicionados às forças policiais da nação. A história também pode ser relembrada na produção 'Terror at The Mall', lançada pelo HBO.