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De Lenin a Fidel: Confira 7 figuras históricas que sofreram atentados, mas sobreviveram

Na última quarta-feira, 7, o então líder do Haiti, Jovenel Moise, tornou-se vítima do chamado "magnicídio", quando um líder ou uma pessoa eminente é assassinada

Reinaldo José Lopes Publicado em 20/02/2020, às 13h00 - Atualizado em 07/07/2021, às 13h30

Vladimir Lenin em imagem colorizada
Vladimir Lenin em imagem colorizada - Domínio Público/Klimbim

Na última quarta-feira, 7, o então presidente do Haiti, Jovenel Moise, e sua esposa, Martine Moise, tornaram-se vítimas de um atentado em sua casa, em Porto Príncipe, capital do país. Aos 53 anos, o Chefe de Estado foi morto à tiros e, algumas horas mais tarde, a primeira-dama também tornou-se vítima do ataque.

O presidente Moise, contudo, não foi o primeiro líder de uma nação a sofrer um atentado fatal. Durante décadas, sujeitos que mandavam nos destinos das nações, cada vez menos vistos como intocáveis, passaram a ser alvos de assassinatos.

Mandar dirigentes desta para melhor virou algo tão comum que o ato ganhou até nome. Presidentes, reis e primeiros-ministros tornaram-se vítimas de "magnicídio", ou, segundo o dicionário, "assassinato de grande homem, de pessoa eminente". 

No século 20, o magnicídio deixou de ser mera estratégia de quem já era poderoso (e queria sua parte do bolo do poder) para se tornar uma arma de transformação política, empregada indistintamente por partidos e militantes à direita ou à esquerda. Todavia, muitos conseguiram escapar da morte.

Confira 7 políticos que quase vieram à óbito durante esses episódios:

 1. Vladimir Lenin

Lenin em imagem colorizada / Crédito: Domínio Público/Klimblim

 

A Revolução Russa ainda estava nos seus primórdios, e seu ex-mentor, Vladimir Ilitch Ulianov (eternizado pelo pseudônimo Lenin), enfrentava uma infinidade de inimigos dentro e fora da recém-criada União Soviética. Em 30 de agosto de 1918, enquanto o ex-líder discursava numa fábrica de Moscou, a ameaça veio do Partido Socialista Revolucionário, de Alexander Kerensky, que havia sido retirado do poder por Lenin em novembro de 1917.

Sem se conformar com o fechamento da Duma (o Parlamento) pelos bolcheviques, a militante Fanya Kaplan acertou dois tiros em Lenin. Mas o líder soviético se recuperou rapidamente do atentado e liderou o país na transição para o comunismo.


2. Adolf Hitler

Adolf Hitler em pintura / Crédito: Wikimedia Commons

 

A Segunda Guerra Mundial poderia ter acabado um ano antes se a valise cheia de explosivos colocada debaixo da mesa do ditador alemão Adolf Hitler em julho de 1944 o tivesse matado. A tentativa do major Claus von Stauffenberg e seus colegas do Exército, que queriam se livrar do Fürher para negociar uma rendição aos Aliados, matou quatro pessoas e fez com que Hitler saísse dali com o cabelo em chamas, um ferimento grave no braço e centenas de estilhaços de madeira pelo corpo. Porém, ele liderou a Alemanha até 1945, quando foi cercado pelo Exército soviético em Berlim e se matou.


3. Charles de Gaulle

Fotografia de Charles de Gaulle / Crédito: Marjory Collins/ Biblioteca do Congresso/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

O Citroen que carregava o herói de guerra e ex-presidente francês Charles de Gaulle nos arredores de Paris quase virou um queijo suíço naquele 22 de agosto de 1962. Catorze tiros de armas automáticas o acertaram, furando os pneus e quebrando o vidro traseiro.

No entanto, o general, sua mulher, seu motorista e seu enteado escaparam ilesos da tentativa incompetente da OAS (Organização do Exército Secreto, grupo de militares contrários à independência da Argélia, negociada por De Gaulle). Comentário do calejado ex-líder: "Que pontaria péssima!".


4. Fidel Castro

Fidel e o seu famoso charuto / Crédito: Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

A mais conhecida tentativa de derrubar o ex-ditador cubano aconteceu com o infame ataque de refugiados cubanos (armados pelo governo Kennedy) à baía dos Porcos, em 1961. Entre eles, havia um comando especial para encontrar Castroe eliminá-lo. Foi um furo na água. Reza a lenda que a CIA chegou a cogitar estratégias infinitamente mais esdrúxulas para dar cabo de Fidel.

Em agosto de 1960, por exemplo, o serviço secreto americano colocou toxinas letais em charutos e tentou misturá-los aos de Castro, em visita às Nações Unidas, em Nova York. Não funcionou, claro. Outras ideias brilhantes incluíram presentear Fidel com um traje de mergulho cheio de bacilos da tuberculose ou explodir uma ostra nas proximidades do local onde ele praticava pesca submarina. Fidel só veio a falecer anos depois.


5. João Paulo II

O papa João Paulo II / Crédito: Thomas J. O'Halloran/ Biblioteca do Congresso/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

"Maria, mãe de Deus", teria gritado o papa João Paulo II ao ser atingido pelos tiros do turco Mehmet Ali Agca enquanto desfilava em carro aberto pela praça São Pedro, em Roma, em 13 de maio de 1981. O pontífice passou por uma operação de 41 horas e acabou se recuperando. As sequelas do atentado, todavia, o fizeram sofrer por anos.

O atirador alegou ter sido orientado pelo governo da Bulgária, que teria agido sob influência da KGB. Em dezembro de 1983, o João Paulo II visitou Ali Agca na prisão e o perdoou publicamente.


6. Ronald Reagan

Fotografia de Ronald Reagan / Crédito: Michael Evans/ Domínio Público/ Wikimedia Commons/ Creative Commons

 

O ex-presidente-ator americano, que tinha acabado de se eleger, foi vítima de um maníaco por celebridades em 30 de março de 1981. John Hinckley Jr., de 25 anos, vivia escrevendo cartas para a atriz Jodie Foster, por quem era obcecado, e parece ter disparado seis tiros contra Reagan e seus assessores diante de um hotel em Washington para impressioná-la.

Uma das balas se alojou a poucos centímetros do coração de Reagan, mas o ex-presidente conseguiu se recuperar de forma completa e rápida. E não só cumpriu seu mandato como foi reeleito. Hinckley foi diagnosticado como portador de doença mental.


7. Yasser Arafat

Fotografia do ex-líder palestino Yasser Arafat /Crédito: Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

O ex-líder palestino foi páreo duro para Fidel Castro no quesito sobrevivência. A vida de Arafat foi ameaçada inúmeras vezes por palestinos e israelenses desde a década de 80, quando ele abandonou a guerrilha e ascendeu à liderança política de seu povo. Em setembro de 2002, durante um cerco de dez dias do Exército israelense ao QG de Arafat em Ramallah, na Cisjordânia.

O bombardeio deixou em escombros o prédio onde ele se abrigava, e os israelenses nem faziam muita questão de disfarçar que uma bomba "desgarrada" que o eliminasse viria a calhar. Ele, porém, conseguiu emergir intacto e só veio a falecer em 2004. 


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