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De Adolf Eichmann a Walter Rauff: 7 nazistas que fugiram para a América do Sul após o fim da guerra

Com o término do conflito, os criminosos escaparam dos tribunais encontrando abrigo em países sul-americanos — que se tornaram locais ideais para as bestas de Hitler

Fabio Previdelli Publicado em 22/12/2020, às 08h45

Adolf Eichmann em Israel
Adolf Eichmann em Israel - Wikimedia Commons

Depois que os Aliados derrotaram a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, a Europa tornou-se um lugar hostil para quem estava ligado ao Terceiro Reich de Adolf Hitler.

Assim, milhares de oficiais nazistas, membros do alto escalão do partido e colaboradores — incluindo alguns notórios criminosos de guerra — escaparam pelo Atlântico e encontraram refúgio na América do Sul: particularmente na Argentina, Brasil e Chile.

Confira a lista de 7 nazistas que desembarcaram no nosso continente.

1. Adolf Eichmann

O “nazista mais procurado do mundo” foi um dos responsáveis por arquitetar a “Solução Final” de Hitler, que culminou com o extermínio de milhares de judeus na Europa. O tenente-coronel da SS orquestrou a identificação, a reunião e o transporte de judeus para Auschwitz, Treblinka e outros campos da morte.

Após o fim do conflito, Eichmann se escondeu na Áustria e com a ajuda de um monge franciscano em Génova, na Itália, obteve um visto argentino e assinou um pedido de passaporte falsificado da Cruz Vermelha.

O julgamento Eichmann / Crédito: Domínio Público

 

Em 1950, sob o pseudônimo de Ricardo Klement, ele, sua esposa e seus quatro filhos embarcaram em um navio a vapor para Buenos Aires, onde viveu em um subúrbio de classe média da capital e trabalhou em uma fábrica de automóveis da Mercedes-Benz.

Em 11 de maio de 1960, agentes israelenses do Mossad o capturaram e o levaram dopado para Israel. Lá, foi julgado por ser o responsável pela deportação de judeus nos campos da morte. Condenado, Eichmann recebeu a única sentença de morte já emitida por um tribunal israelense. Ele foi enforcado em 31 de maio de 1962.


2. Josef Mengele

Perdendo apenas para Eichmann como alvo de caçadores nazistas, o médico apelidado de “Anjo da Morte” conduziu experiências macabras com prisioneiros no campo de extermínio de Auschwitz. Oficial da SS, Mengele foi enviado no início da Segunda Guerra para a frente oriental com a função de repelir os soviéticos e recebeu uma Cruz de Ferro por sua bravura e pelo seu serviço.

Depois de ser ferido, foi declarado inapto no serviço ativo e foi designado para o campo de Auschwitz. Lá, ele usou os prisioneiros — particularmente gêmeos, mulheres grávidas e deficientes — como cobaias humanas. Mengele também torturou e matou crianças com seus experimentos médicos.

Após a derrocada alemã, Mengele passou três anos se escondendo na Alemanha. Em 1949, com a ajuda de um membro do clero católico, fugiu da Itália para a Argentina, onde possuía uma loja de equipamentos mecânicos. Quase uma década depois, em 1958, o “Anjo da Morte” se casou no Uruguai. A Alemanha Ocidental chegou a enviar uma solicitação de extradição do médico, no entanto, o pedido se arrastou e jamais foi concretizado.

Megele / Crédito: Domínio Público

 

No fim da tarde do dia 7 de fevereiro de 1979, o ex-cabo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Espedito Dias Romão afirmou ter recebido uma ligação informando que um corpo havia sido encontrado na cidade de Bertioga, localizada no litoral de São Paulo, era Wolfgang Gerhard. Alguns anos, uma pesquisa mais contundente revelou que a real identidade de Wolfgang era Josef Mengele.


3. Walter Rauff

Coronel da SS, Rauff foi fundamental na construção e implementação das câmaras de gás móveis responsáveis ​​por matar cerca de 100 mil pessoas durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de perseguir judeus pela França, em 1942, supervisionou as operações da Gestapo no noroeste da Itália. Lá, ganhou uma "reputação de total crueldade", já que era famoso pela execução indiscriminada de judeus e partidários locais.

Com o fim da guerra, o coronel acabou sendo preso pelas tropas aliadas. No entanto, ele conseguiu fugir de um campo de prisioneiros e se escondeu em conventos italianos. Depois de servir como conselheiro militar do presidente da Síria em 1948, foi para a Itália e lá conseguiu fugir para o Equador em 1949 — antes de se estabelecer no Chile, onde vivia com seu próprio nome.

Rauff / Crédito: Getty Images

 

Rauff jamais foi capturado. Durante anos, o nazista trabalhou como gerente de uma fábrica de conservas de caranguejos e espionava a Alemanha Ocidental. Seu paradeiro ficou conhecido depois que enviou uma carta solicitando que sua pensão fosse enviada para um novo endereço. Ele chegou a ser preso em 1962, mas a suprema corte chilena o libertou em menos de um ano.

O ditador Augusto Pinochet resistiu inúmeras vezes aos pedidos da Alemanha Ocidental pela extradição do nazista. Walter Rauff morreu no Chile em 1948. Em seu funeral, alguns alemães e chilenos fizeram saudações nazistas e gritaram “Heil Hitler”.


4. Franz Stangl

Apelidado de “Morte Branca” por sua tendência em usar uniforme branco e carregar um chicote, Franz trabalhou no programa de eutanásia Aktion T-4, no qual nazistas mataram centenas de pessoas com deficiências físicas e mentais. Mais tarde, serviu como comandante dos campos de concentração de Sobibor e Treblinka — acredita-se que mais 100 mil judeus tenham sido assassinados durante seu mandato em Sobibor, antes do sanguinário se mudar para Treblinka, onde foi diretamente responsável pela morte de outros 900 mil judeus.

Depois da derrota da Alemanha, Stangl foi capturado pelos americanos, mas conseguiu fugir para a Itália em 1947. Com o auxilio do bispo austríaco simpatizante dos nazistas, Alois Hudal, Franz fugiu para a Síria com um passaporte da Cruz Vermelha. Passado três anos no país, o nazista se mudou para o Brasil em 1951.

Aqui, foi contratado pela Volkswagen, em São Paulo, onde trabalhou até 1967, quando foi preso depois de ter sido encontrado por Simon Wiesenthal, um sobrevivente do Holocausto e conhecido caçador nazista. Extraditado para a Alemanha Ocidental, ele foi condenado à prisão perpétua. Franz Stangl morreu de insuficiência cardíaca em 1971.


5. Josef Schwammberger

O nazista austríaco comandante da SS foi encarregado por cuidar de três campos de trabalho nos guetos judeus da Polônia, que era ocupada pelos nazistas. Com um chicote de cavalo em suas mãos, Schwammberger também guiava um pastor alemão que era treinado para atacar pessoas.

Em 1942, o comandante chegou ao campo de trabalho forçado de Rozwadów, onde os prisioneiros morriam às centenas, sendo muitos deles mortos pelo próprio nazista. No ano seguinte, organizou a execução em massa de 500 prisioneiros judeus no campo de Przemyśl. Já em 1944, ele ‘limpou’ os judeus da cidade de Mielec.

Schwammberger foi preso na Áustria em 1945, mas conseguiu fugir para a Itália em 1948 e, meses depois, desembarcou na Argentina, onde viveu abertamente com seu nome, conseguido até a cidadania do país.

Procurado pela Alemanha Ocidental para extradição em 1973, Schwammberger se escondeu, mas acabou sendo preso por autoridades argentinas em 1987 — depois que um informante respondeu à recompensa de US $ 300.000 do governo alemão.

Retornou à Alemanha Ocidental em 1990 para ser julgado. Testemunhas disseram que flaglaram Schwammberger jogando prisioneiros em fogueiras, matando judeus e lançando cadáveres em valas. Também foi acusado de bater a cabeça de crianças contra as paredes “porque ele não queria desperdiçar uma bala nelas”. Em 1992 ele foi condenado à prisão perpétua. Josef Schwammberger morreu na prisão aos 92 anos, em 2004.


6. Erich Priebke

Hauptsturmführer (capitão) da SS e membro da Gestapo, Priebke participou do massacre das Fossas Ardeatinas, de 1944, em Roma, onde, na ocasião, os nazistas exterminaram 335 pessoas em retaliação pelo assassinato de 33 membros da SS.

Erich admitiu ter matado somente dois italianos, mas afirmou que só estava seguindo ordens. Ele também autorizou o transporte de dois mil judeus romanos para Auschwitz e serviu como intermediário nazista com o Vaticano.

Priebke escapou de um campo de prisioneiros de guerra britânico na véspera do Ano Novo, em 1946, cortando alguns arames farpados enquanto os guardas estavam bêbados. Com a ajuda do bispo Hudal, ele fugiu para a Argentina com um passaporte falsificado da Cruz Vermelha, em 1948. Lá, ele se estabeleceu na cidade montanhosa de San Carlos de Bariloche, na Patagônia.

Em 1994, o passado de Priebke foi revelado ao mundo após uma entrevista armada do jornalista da ABC Sam Donaldson. Como resultado do alvoroço após a publicação, Priebke foi extraditado para a Itália, onde foi condenado por crimes de guerra e sentenciado a prisão perpétua.

Erich Priebke morreu em 2013 aos 100 anos. Seu funeral resultou em um confronto entre manifestantes fascistas e antifascistas, e ele foi enterrado em um local secreto depois que a Argentina se recusou a enterrá-lo em seu solo.


7. Gerhard Bohne

Advogado e oficial da SS, chefiou o Grupo de Trabalho dos Sanatórios e Casas de Repouso do Terceiro Reich e foi responsável pela logística administrativa do programa de eutanásia Aktion T-4. Alegando ser um “assassino de misericórdia”, Bohne estava entre os líderes que realizaram um extermínio sistêmico para purificar a raça ariana e evitar gastos estatais com pessoas com deficiência mental e física — no total, o programa matou cerca de 200 mil alemães.

As vítimas eram levadas às câmaras de gás e depois eram cremadas. O programa serviu como teste para os campos de extermínio em massa posteriormente operados pela SS. Bohne foi expulso do Partido Nazista depois de apresentar um relatório acusando sua agência de fraude e corrupção.

Ele fugiu para a Argentina em 1949. Anos depois, Bohne retornou à Alemanha, onde foi indiciado por um tribunal em Frankfurt, em 1963. Liberado sob fiança, ele retornou novamente ao país sul-americano. No entanto, essa nova estadia durou apenas três anos, já que ele foi extraditado como o primeiro criminoso nazista rendido pela Argentina. Declarado impróprio para ser julgado, Gerhard Bohne sobreviveu mais 15 anos antes de sua morte, em 1981.


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