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Do naufrágio do Titanic a superpoderes: 7 teorias bizarras sobre múmias

Os corpos embalsamados dos antigos egípcios sempre despertaram curiosidade

Fabio Previdelli Publicado em 26/10/2019, às 08h00

Howard Carter explorando a tumba do rei Tutancâmon
Howard Carter explorando a tumba do rei Tutancâmon - Getty Imagens

1. MÚMIA EM PÓ

Do Egito Antigo até o século 19, por mais bizarro que isso seja, não era incomum que os remédios fossem provenientes de partes do corpo humano. Assim, uma múmia poderia ser transformada em pó que ganharia vida em gesso ou dissolvido em líquidos para curar várias doenças.

Francis Bacon era um dos que acreditava na teoria / Crédito: Getty Imagens

 

Os filósofos Robert Boyle e Francis Bacon defendiam a múmia em pó como tratamento para contusões e prevenção de sangramentos. Agora, é claro, temos anti-inflamatórios e bandagens para isso.

2. ABASTECIMENTO DE COMOTIVAS

Vários jornais americanos do século 19 divulgaram que o sistema ferroviário do Egito usava múmias como combustível para abastecer as locomotivas, supostamente por falta de outros recursos.

A hipótese foi levantada até mesmo pelo escritor Mark Twain — que viajou de trem do Cairo para Alexandria — no livro A Viagem dos Inocentes, de 1869. “O combustível que eles usam para a locomotiva é composto por múmias de 3.000 anos de idade, compradas em toneladas para esse fim (...)".

Mark Twain / Crédito: Getty Imagens

 

No entanto, a ideia de queimar múmias para usar de combustível ferroviário é uma ideia completamente maluca, pelo menos é o que explica o estudioso Chris Elliott. Em 2017, ele publicou um artigo no Journal of the History of Reception of Ancient Egypt quebrando esse mito.

“Assim como os trilhos e locomotivas para a ferrovia foram fabricados na Grã-Bretanha e importados, a fonte óbvia para o combustível era o carvão britânico, em vez das múmias egípcias”.

3. MÚMIAS USADAS COMO PAPEL

Antes do século 19, muitos viajantes europeus que visitavam o Egito voltavam divulgando histórias de que as múmias estavam sendo usadas como papel de carta de alta qualidade. Elliott sugere que essas afirmações eram satíricas, destinadas a ilustrar a avidez ou avareza de certos comerciantes.

Porém o mito do ‘papel múmia’ recusou-se a morrer. Um livro de 1876 sobre a história da fabricação de papel alegou que um jornal de Syracuse, Nova York, foi impresso em material feito de trapos de múmia importados.

No entanto, o próprio jornal se retratou sobre o ocorrido: “Trapos do Egito. Agora o nosso diário está impresso em papel feito de trapos importados diretamente da terra dos faraós, nas margens do Nilo. Eles foram importados pelo Sr. GW Ryan, o veterano fabricante de papel em Marcellus Falls, neste país, e ele os considera tão bons quanto a os trapos ingleses e franceses”.

Relatórios posteriores também declararam que as fábricas no nordeste dos EUA estavam produzindo papel múmia, mas todas as fontes eram anedóticas e não existem evidências concretas da prática.

4. MALDIÇÕES

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Louisa May Alcott escreveu histórias sobre múmias amaldiçoadas / Crédito: Wikimedia Commons

Alguns romancistas do século 19, incluindo a escritora Louisa May Alcott, escreveram histórias sobre múmias que se vingaram contra aqueles que profanaram seu repouso eterno. No entanto, a suposta maldição só ganhou notoriedade depois que o arqueólogo Howard Carter abriu a tumba do rei Tutancâmon em 1922.

Tudo se deve ao fato da sequência de presságios estranhos e mortes misteriosas que aconteceram com Carter e sua equipe. A jornada fez três vítimas fatais: Lord Carnarvon (que financiou a expedição) e sua filha Evelyn (que entrou na tumba no dia em que ela foi aberta), além do próprio Carter. O episódio mais estranho envolveu o Lord, que pereceu após ser infectado com a picada de um mosquito presente na tumba.

Outros acontecimentos bizarros também permearam a descoberta, como uma suposta cobra — retratada na máscara de ouro de Tut — que teria comido um canário pertencente à expedição. Além do mais, o amigo de Carter, Bruce Ingham, recebeu a mão de uma múmia como peso de papel, logo depois sua casa foi incendiada.

5. UMA MÚMIA E O TITANIC

Logo após a tragédia do Titanic, um boato sugeria que uma múmia seria a principal culpada pelo naufrágio da embarcação. Relatos diziam que o sarcófago de uma sacerdotisa egípcia estava sendo transportado no navio e que a maldição caiu sobre o transatlântico.

RMS Titanic / Crédito: Getty Imagens

 

Entretanto, o caixão teria sido salvo e encaminhado para um museu britânico. No entanto, o mito foi facilmente detonado quando a lista de carga do Titanic foi encontrada e não havia relato de qualquer sarcófago sendo transportado.

6. FERTILIZANTES

Os antigos egípcios sacrificavam, mumificavam e sepultaram milhões de animais —principalmente gatos — que serviriam de oferenda. Em 1888, um fazendeiro egípcio descobriu uma necrópole antiga com milhares de felinos mumificados, e cerca de 180 mil deles foram enviados para a Inglaterra.

Enquanto alguns foram leiloados, um comerciante de Liverpool teria comprado alguns deles, que foram triturados e comercializados como fertilizante. Embora seja verdade que algumas múmias tenham sido usadas como esse propósito, esse método não parece ter ocorrido com certa regularidade.

7. PODERES

Supostamente, o rei Carlos II (que governou de 1660 a 1685) usava uma máscara facial que continha pó de múmia para absorver os poderes do faraó. Além do mais, as pessoas diziam que ele misturava pó de crânios humanos — que podem ou não ter sido de múmias reais — em uma tintura chamada gotas do rei.

O rei Carlos II usava uma máscara facial que continha pó de múmia para absorver os poderes do faraó / Crédito: Getty Imagens

 

Muitos europeus acreditavam que as múmias possuíam sabedoria antiga, e que consumi-las ou absorvê-las transmitiria sua sabedoria a quem ingerisse. Os estudiosos afirmam que o conceito é paralelo ao ritual católico de beber vinho da comunhão.


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