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Matérias / Evita Perón

70 anos sem Evita: Como foi a juventude da mulher que se tornou símbolo da Argentina

Evita Perón, mulher que entrou para a história como 'mãe dos pobres', falecia neste dia, em 1952

Redação Publicado em 26/07/2022, às 09h00

Pintura retrata Evita, primeira-dama da Argentina - Domínio Público
Pintura retrata Evita, primeira-dama da Argentina - Domínio Público

Neste dia, em 1952, Eva Perón falecia após as consequências de um câncer no útero, tendo seu corpo embalsamado e exposto ao público. Era apenas um dos capítulos de uma trajetória que nunca se apagou da cabeça dos argentinos.

Evita, como ficou conhecida, foi casada com Juan Domingo Perón, presidente que se manteve no poder por mais dois mandatos, até sua morte em 1974 quando foi substituído por sua segunda esposa, Isabel Perón. Todavia, a juventude de Eva apresenta capítulos emocionantes. 

Maria Eva Duarte foi a quinta filha de Juana Ibarguren, humilde costureira. Fruto da relação com o estancieiro Juan Duarte, de quem era amante, ela nasceu em Los Toldos, província de Buenos Aires. Quem nos relembra isso é o Prof. Dr. Celso Ramos, do Centro Universitário Estácio de São Paulo, em entrevista exclusiva.

"O pai, que era homem de destaque na pequena Chivilcoy, distante cerca de 170 km da capital, tinha esposa legítima e seis filhos; reconheceu todos os filhos “ilegítimos”, à exceção de Eva. Quando a futura Primeira-Dama da Argentina nasceu, o pai já havia se separado de Juana, e Eva cresceu sem ter conhecido o pai. A única vez em que o viu, foi seu velório – Juan falecera em um acidente de automóvel - quando Evatinha nove anos", diz Celso. 

Preconceito

Filha de mãe solteira, Eva teve uma infância simples e marcada pelo preconceito. Ceslo Ramos explica que os valores morais da época eram diferentes do que encontramos no cenário atual, principalmente se tratando de um país predominante católico. 

"A menina, bem como a adolescente Eva também foi vítima desses sentimentos hostis. Psicólogos consideram que estas dificuldades na infância e adolescência tenham sido um dos motivos da luta de Evita pela valorização das mulheres e dos “descamisados”, maneira como ela se referia aos mais pobres", enfatiza ele. 

Na escola, todavia, Eva se destacava numa época em que os meios de comunicação em massa ganhavam cada vez mais espaço. E assim iniciou o caminho que marcaria o seu futuro.

"Nas décadas de vinte e trinta, os meios de comunicação de massa estavam em franca expansão e popularização. Grandes produções cinematográficas e os programas de rádio ganhavam cada vez adeptos. Na escola, a menina Eva se destacava como oradora e declamadora. Ela escolheu que este seria o seu caminho para a “celebridade”, como mesmo dizia e decidiu “ser artista", explica o professor. 

Quando tinha 15 anos, a jovem tentou a sorte em Buenos Aires, e conseguiu: "Aos 17 (Eva) já havia trabalhado como coadjuvante em algumas pequenas produções teatrais e de rádio, quando foi convidada para atuar em um filme", diz Celso

E se engana quem imagina que em 1944 Eva ainda não era conhecida. Artista, ela participou, ao lado de outros artistas, de um concerto com o objetivo de ajudar vítimas de um terremoto que acometeu no interior da Argentina. 

Domínio Público

"No evento, organizado pelo governo argentino, conheceu o então coronel Juan Domingo Perón, que na época ocupava o cargo de Secretário de Trabalho e Segurança Social do governo", explica o professor. 

Ao se casar com o coronel, se inicia os primeiros capítulos da etapa de sua vida que foi eternizada nos livros de História: a saga de 'Evita', a mulher que se tornou primeira-dama da Argentina quando o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente.