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759 anos de prisão: os horrores da estranguladora Juana Barraza

A mulher utilizava um jaleco e se passava por uma enfermeira para entrar na casa das idosas, suas vítimas preferidas

Nicoli Raveli Publicado em 06/05/2020, às 20h17

Juana Barraza, ex-lutadora e assassina
Juana Barraza, ex-lutadora e assassina - Divulgação

A mexicana Juana Barraza teve uma vida repleta de reviravoltas. A jovem morava com sua mãe, Justa Samperio e a relação nunca foi marcada por afeto, e sim por muitas conturbações. Isso porque, na época, sua mãe já apresentava sinais marcantes de alcoolismo.

Em um dos episódios turbulentos, Samperio trabalhou até mesmo como prostituta e também chegou a espancar e vender sua filha ao alcoólatra José Lugo em troca de três latas de cerveja.

Entretanto, a má sorte familiar não parou por aí. A mulher foi estuprada e agredida diversas vezes por Lugo, até que engravidou duas vezes e sofreu abortos espontâneos. Sem apoio familiar, Barraza decidiu seguir sua vida em 1980, após a morte de sua mãe. Ao se mudar para o México, a mulher passou a ser conhecida como uma lutadora profissional. E fez sucesso. Toda vez que subia no ringue, a apelidada Dama do Silêncio chamava a atenção.

A assassina Juana Barraza

 

Acredita-se que essa tenha sido a maneira que a lutadora encontrou de focalizar sua raiva. Dessa maneira, por trás da figura de uma mulher forte, havia uma pessoa com grandes problemas familiares.

A Dama do Silêncio

Em meio a diversos torneios de luta, Juana conheceu homens de países diferentes. Como consequência, ela teve quatro filhos de relações diferentes. Todavia, sua maré de azar não tinha fim. Seu primeiro filho morreu quando ainda era jovem, vítima de assaltantes que o espancaram. Pouco tempo depois, segunda herdeira saiu de casa ao se casar.

Juana teve apenas a companhia dos outros dois filhos por mais tempo, um garoto de 13 anos e uma menina, de 11. No entanto estavam longe de ser uma família. Incomodada, Barraza levou os filhos à casa de sua irmã mais velha, que passou a cuidar dos jovens.

Os crimes de Juana

Embora não tivesse uma família para sustentar, Barraza passava por necessidades diariamente, já que seu salário como faxineira e lutadora não rendiam muito lucro. Como consequência, ela passou a cometer furtos em lojas locais e assaltos a residências. E deu certo por um tempo.

Até que, em 1996, ela e sua amiga, Araceli Martinez tiveram uma ideia que, para as assaltantes, parecia promissora: elas se vestiriam como enfermeiras para ter acesso a casas de pessoas idosas.

Entretanto, a amizade entre as mulheres não durou muito tempo. Juana não sabia que Martinez namorava um policial corrupto, Miosés Flores. Durante um dos assaltos provocados pela ex-lutadora, o homem a extorquiu 12 mil pesos e, em troca, alegou que não a entregaria à polícia. 

Sem esperanças, Barraza se aposentou da luta livre, o que gerou uma grave situação financeira. A mulher deixou de lado sua profissão e seguiu um caminho pelo qual ficaria ainda mais conhecida – mesmo que por um motivo trágico.

Os assassinatos na Cidade do México

A partir de 2002, a Cidade do México passou a presenciar um aumento no número de roubos e assassinatos. Os moradores, porém, mal sabiam que esses atos eram provenientes da Dama do Silêncio.

Acredita-se que os assaltos foram motivados por sua decadente condição financeira, já que ela havia se aposentado de sua profissão e não dispunha de uma renda fixa. Já os assassinatos, todavia, representavam apenas um ato de combustão de toda a raiva que a mulher havia armazenado desde a sua infância, principalmente de atos relacionados a sua mãe.

Bandeira com o rosto da assassina, Juana Barraza / Crédito: Divulgação 

 

Desde o início, suas vítimas mais comuns eram mulheres acima de 60 anos e que moravam sozinhas, e todos os seus atos seguiam o mesmo esquema: estrangulamento e assalto. Para isso, a criminosa conseguiu uma lista do governo com o nome de diversas idosas e agiu como uma funcionária do governo.

Um de seus crimes mais conhecidos foi na residência de Maria de la Luz González. Com um jaleco branco, Juana bateu a sua porta e a informou que prestava serviços médicos a favor do governo.

Sem pensar duas vezes, González abriu a porta de sua casa para que a suposta enfermeira pudesse entrar. Em pouco tempo, a ex-lutadora a violentou e a enforcou até que morresse.

Não demorou muito para que os próximos planos da destemida Barraza fossem colocados em prática. Durante três meses, a mulher identificou suas próximas vítimas e passou a atacar novamente, resultando em 40 assassinatos por estrangulamento.

Acredita-se que a homicida espancava as mulheres mais velhas com diversos golpes na cabeça, mas que não causavam uma morte imediata. Dessa maneira, a morte viria lentamente, o que resultava em mais sofrimento para as vítimas.

O início da investigação

Ao investigar o caso do aumento de mortes de idosas com mais de 60 anos, a polícia acreditava que o assassino era um travesti, já que muitas testemunhas alegavam que a pessoa apresentava características masculinas, como grandes músculos.

Isso fez com que a polícia prendesse cerca de 50 prostitutas e travestis, todos suspeitos pelo alto nível de assassinatos na cidade. No entanto, uma vez que a digital foi colhida, nenhuma pessoa foi incriminada.

Sem o sucesso anterior, as autoridades deram início a Operação Parques e Jardins, que era uma referência a locais onde a assassina cometia parte de seus crimes. Os policiais faziam questão de distribuir panfletos sobre o que estava acontecendo e aconselhavam que idosos a tivessem cuidado quando um desconhecido batesse à porta.

As autoridades não pararam nem um minuto até que o culpado fosse encontrado. E então, no dia 25 de janeiro de 2006, a polícia se deparou com uma pista: a casa de Ana María de lós Reyes Alfaro havia sido assaltada.

Assim que receberam a chamada, as autoridades correram até o local. Lá, encontraram Alfaro, que infelizmente havia sido enforcada até a morte com um estetoscópio. Esse era o ato final da ex-lutadora, já que ela havia sido encontrada a poucos quarteirões do local do crime.

Dessa maneira, após quatro anos marcados por inúmeros assassinatos, Juana foi presa e julgada por 30 homicídios. Enquanto seu julgamento ocorria, a mulher foi culpada por 16 deles e mais 12 assaltos, o que resultou em 759 anos de prisão e sem nenhuma chance de liberdade condicional.

Quando questionada sobre seus atos criminosos, Barraza alegou que, movida pelo ódio, enxergava naquelas idosas a sua própria mãe, a pessoa que a havia torturado, vendido e que permitiu que fosse estuprada.


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