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8 fatos sobre Marquesa de Santos, a Santa das Prostitutas

Do triângulo amoroso com a própria irmã às cartas picantes com o imperador, saiba mais sobre a mais famosa amante de Dom Pedro I

Isabela Barreiros Publicado em 12/02/2020, às 17h00

Marquesa de Santos
Marquesa de Santos - Wikimedia Commons

1. Romance com o imperador

Maria Leopoldina de Áustria, esposa de D. Pedro I, o imperador e Marquesa dos Santos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Domitila de Castro do Canto e Mello, mais conhecida como Marquesa de Santos, foi a amante mais famosa do imperador Dom Pedro I. Entre os diversos casos extraconjugais do imperador, a relação com a Marquesa foi a que mais se destacou, apesar dela nunca ter sido reconhecida como esposa.

O relacionamento entre ela e Dom Pedro começou em 1822 e terminou em 1829, sete anos registrados em mais de duzentas cartas de amor e confidências.


2. O triângulo amoroso com a própria irmã

Dom Pedro I teve um relacionamento extraconjugal com as duas irmãs, Maria Domitila de Canto e Melo, a Marquesa de Santos, sua amante oficial, e Maria Benedita de Canto e Melo, a baronesa de Sorocaba.

O ápice do conturbado triângulo amoroso do imperador aconteceu em 1827, quando a baronesa foi atacada a tiros enquanto passava de carruagem pela Ladeira da Glória, no Rio de Janeiro. Ela saiu ilesa, mas a notícia se espalhou por toda a corte e logo foi divulgado que a mandante do atentado seria sua irmã, a própria Marquesa de Santos.


3. Confundida com uma prostituta

Querendo conhecer a Corte Imperial mais de perto, Domitila passou a frequentar ambientes nobres. Entre eles, estava o Teatro da Constituição, onde ela acabou sendo barrada por ser confundida com uma prostituta.

Não se sabe ao certo o motivo da confusão, sejam os trajes diferentes daqueles vestidos pelas mulheres da realeza ou a forma de se portar de Domitila. O que sabemos é que o Imperador imediatamente mandou que as cortinas do teatro fossem descidas e que encerrou a apresentação. Desta forma, a honra e orgulho da mulher poderiam ser preservados.


4. Cartas picantes

Uma das cartas de D. Pedro I à Marquesa de Santos / Crédito: Domínio Público

 

Durante o tempo que ficavam separados, D. Pedro I e sua amante conversavam através de cartas escritas entre 1823 e 1828. O homem assinava como Fogo Foguinho e, durante os sete anos do romance, escreveu 143 cartas a ela.

Além das demonstrações de libido e ciúmes, por exemplo, há trechos de descontração hilariantes e reclamações mundanas que trazem uma perspectiva diferente de um dos casos amorosos mais famosos da História brasileira. As correspondências também estão recheadas de arroubos imperiais de paixão e até detalhes sobre a saúde do pênis do imperador.


5. Vítima de relacionamento abusivo

A famosa Marquesa de Santos foi vítima de violência doméstica em seu casamento. Seu primeiro marido, no ápice do abuso, chegou a esfaqueá-la em praça pública. Diante disso, numa atitude à frente do seu tempo, pediu o divórcio, já sendo amante do imperador Dom Pedro I quando o pedido lhe foi concedido.


6. O Solar da Marquesa 

Crédito: Divulgação

 

Retornando a São Paulo após o término com o imperador, ela adquiriu, em 1834, um casarão na atual Rua Roberto Simonsen, no centro da cidade. Sua casa se tornou o centro da sociedade paulistana, com saraus literários e grandes bailes de máscaras. Hoje em dia, o Solar da Marquesa é a sede do Museu da Cidade de São Paulo, onde ainda são feitas inúmeras exposições culturais.

O Solar é avaliado como o único exemplar da arquitetura residencial do século 18 na cidade de São Paulo. Sendo o último remanescente, ele é o mais antigo e o principal modelo de como eram as casas paulistanas na época. Mesmo tendo sofrido inúmeras alterações e algumas restaurações, o casarão ainda mantém características que possuía quando a Marquesa ainda morava no edifício.


7. Senhora caridosa

Marquesa de Santos aos 68 anos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante a velhice, a ex-amante se tornou uma senhora caridosa e muito devota, que socorria os desamparados, protegia os famintos e ajudava estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Talvez tenham sido esses os motivos que levaram algumas pessoas a considera-la uma espécie de santa.

Em sua nova fase, seria uma figura importante da sociedade paulistana, protegendo estudantes e artistas e promovendo saraus em seu solar. Morreu vista como patrona das artes e da educação na cidade de São Paulo. Também se dedicou a obras filantrópicas, protegendo pobres e indigentes.


8. Enterrada em São Paulo

A lápide da Marquesa no cemitério da Consolação / Crédito: DIvulgação

 

Domitila foi sepultada no cemitério da Consolação, em um túmulo onde também estão os corpos de seu irmão mais novo, Francisco; de sua filha com o Imperador, Maria Isabel; e de Felício, filho de seu primeiro casamento. As reformas de sua lápide foram curiosamente bancadas por Mario Zan, sanfoneiro e devoto da Marquesa. Ele cuidou do jazigo durante muitos anos e, após morrer, foi sepultado em um túmulo diante de Domitila.

O túmulo ainda recebe flores frescas de pessoas que a consideram uma espécie de santa. Entre as lendas, está a de que ela protege as prostitutas da cidade — e, por ter conseguido se casar novamente e reestruturar sua vida após romper com o Imperador, — Domitila virou inspiração para moças que queriam um bom parceiro.


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