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80 metros de diâmetro e 7 vítimas fatais: A cratera do metrô da Linha Amarela

Uma das vias mais modernas do transporte público paulista, a Linha 4-Amarela já estampou as capas dos jornais por causa de uma terrível tragédia na estação Pinheiros. Relembre!

Fabio Previdelli Publicado em 12/04/2021, às 17h17

Cratera na estação Pinheiros da Linha 4-Amarela
Cratera na estação Pinheiros da Linha 4-Amarela - Assembleia Legislativa de SP

Em junho de 2010, o paulistano recebeu uma nova alternativa no transporte público: a Linha 4-Amarela do metrô, com as inaugurações das estações Paulista e Faria Lima. Além destas, primeira fase, já concluída, entregou outras quatro estações: Butantã, Pinheiros, República e Luz.  

Atualmente, outras quatro estações estão em funcionamento: Fradique Coutinho, Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e, futuramente, Vila Sônia — que fazem parte da segunda fase do projeto. 

Segundo o site da ViaQuatro, que administra o trecho, quando todas as obras estiverem concluídas, a Linha Quatro abrangerá 12,8 quilômetros e operará em 11 estações, que ligarão a região central da Luz até o bairro da zona sudoeste da Vila Sônia. 

Utilizando o sistema driverless, que permite a operação dos trens sem a necessidade de um condutor, a ViaQuatro destaca que a tecnologia da Linha 4-Amarela é única na América Latina e muito semelhante com os sistemas de novas linhas implementadas de Dubai, Barcelona, Cingapura e Kopenhagen. 

Imagem interna da Linha 4-Amarela / Crédito: Divulgação/ ViaQuatro/ Digna Imagem/Clóvis Ferreira

 

Porém, na história recente desse importante avanço no transporte público paulista há um episódio que estampou todas as páginas de jornais. 

Episódio recorrente 

Iniciada em 2 de setembro de 2004, após décadas de atraso em seu planejamento e execução, como aponta matéria da Época de 2011, a Linha 4-Amarela foi permeada de acidentes durante seus primeiros anos de construção. 

Conforme mostra matéria publicada na CartaCapital em 2007, ao todo, 10 acidentes foram contabilizados, sendo que, ao menos três foram causados por erros de engenharia. Como consequência, casas tiveram que ser interditadas em 2005 e 2006 nas regiões das estações Pinheiros, Faria Lima e Oscar Freire.  

Além disso, em junho de 2006, ainda segundo a CartaCapital, um funcionário acabou morrendo soterrado durante as obras, quando ele participava das escavações da Estação Oscar Freire. Porém, o pior ainda estava por vir. 

Grande cratera 

Em janeiro de 2007, as forças estavam voltadas para a construção da Estação Pinheiros que, além da Linha 4-Amarela, também faria baldeações com outras linhas da CPTM. Foi então que uma terrível notícia ganhou as páginas dos jornais. 

Cratera na estação Pinheiros da Linha 4-Amarela/ Crédito: Assembleia Legislativa de SP

 

No dia 12 daquele mês, um deslizamento de terra no canteiro de obras causou um enorme buraco de 80 metros de diâmetro e 30 metros de profundidade, como relata matéria publicada no dia seguinte pelo jornal O Estado de São Paulo. 

Em pouco mais de um minuto, como aponta o periódico, “a cratera tragou tudo a sua volta, caminhões, máquinas, carros e quem passava pelo local”. Uma varredura inicial, feita pelo Consórcio Via Amarela, garantiu que o acidente não havia deixado mortos e ainda propôs que o buraco fosse aterrado, o que foi declinado após as equipes de resgate ouvirem moradores da região alegarem que poderia haver vítimas no local, como relata matéria da Época.  

Ainda de acordo com a Época, a equipe de bombeiros só não interrompeu as buscas pois alguns profissionais ouviram barulhos de buzinas vindos da cratera. Além disso, o GPS presente em um dos micro-ônibus que passava pelo local apontava que o veículo estava soterrado a 28 metros abaixo do entulho. 

Após quatro dias de buscas, a primeira vítima foi resgatada, sendo que a última só foi encontrada no 13º dia. Como relembrou o Estadão, sete pessoas morreram na tragédia e 73 famílias tiveram que ser removidas de suas casas — que foram interditadas.  

O dia antes da tragédia acontecer 

Como mostra matéria publicada pela Folha de São Paulo, um dia antes do acidente, funcionários que trabalhavam nas escavações da estação de Pinheiros haviam notificado um pequeno afundamento na laje superior da estrutura.

Apesar disso, os engenheiros do consórcio decidiram que o melhor a se fazer era consertá-lo antes que ele aumentasse — embora a falha pudesse sugerir que um problema maior poderia acontecer, assim como foi. 

Além disso, a CartaCapital ouviu um engenheiro que relatou “inúmeros” outros problemas que sinalizavam falha na construção. Com isso, no dia seguinte à tragédia, o Consórcio Via Amarela publicou uma nota oficial atribuindo que o ocorrido foi causado como consequências das “fortes chuvas” que atingiram a região nas semanas anteriores, que “teriam causado uma reação anômala e inesperada no maciço da terra em que se [encontrava] a obra, provocando seu repentino colapso e consequente desmoronamento”.  

Imagem da estação Pinheiros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após o episódio, denúncias feitas em matérias da Época e da TV Globo mostraram que a segurança de mais estações poderia estar em perigo, em especial do bairro da Consolação, no final da Avenida Paulista.  

Com isso, o cronograma geral das obras foi revisto e acabou atrasando em quatro meses. Já as obras da estação Pinheiros só puderam ser retomadas depois do fim das investigações para concluir o que causou o acidente — o que representou quase dois anos de atraso nas obras.  

Desdobramentos 

Inicialmente, o laudo sobre o que causou a cratera deveria ser entregue em agosto de 2007, cerca de dezenove meses após a tragédia. Porém, somente em março de 2010 que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entrou com uma ação civil alegando que a omissão do Metrô de São Paulo foi o principal motivo para o acidente. Com isso, solicitou que uma indenização de 240 milhões de reais fosse pagam por danos materiais e morais.  

Uma matéria publicada pelo G1 em 18 de outubro de 2016 aponta que a Justiça de São Paulo inocentou 14 réus envolvidos no caso da cratera da Linha 4-Amarela. Na ocasião, a juíza Aparecida Angélica Correia, da 1ª Vara Criminal, considerou que os acusados não concorreram para a infração penal. 

Matéria da Record, em 2017, sobre os 10 anos do acidente/ Crédito: Divulgação/ Record TV

 

“Ora, os acusados não tinham como prever o acidente, em razão de todas as circunstâncias apuradas. A execução do projeto de obra estava dentro da normalidade, todas as equipes acompanhavam cuidadosamente cada passo da execução e não apontaram qualquer situação que indicasse a possibilidade de um acidente”, disse Aparecida


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