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Amigos não arianos: Voluntários estrangeiros da Alemanha Nazista

Cerca de 2 milhões de recrutas de 30 países, da Nigéria até o Japão, passando pela Índia, se uniram ao exército alemão

quarta 11 abril, 2018
Voluntário nigeriano com o uniforme da Wehrmacht
Voluntário nigeriano com o uniforme da Wehrmacht Foto:Bundesarchiv

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Quando pensamos no exército alemão, a Wehrmacht, durante a Segunda Guerra Mundial, imaginamos fileiras de soldados dentro do ideal hitlerista (que ele próprio não cumpria): loiros dos olhos claros. Mas a realidade não era bem assim. Principalmente no fim da guerra, a Wehrmacht aceitou mais de 2 milhões de voluntários de cerca de 30 países. Não só europeus quanto menos exclusivamente "arianos". Recrutas de todo o mundo lutaram pela Alemanha nazista.

A ideia de aceitar voluntários estrangeiros surgiu antes mesmo do início da guerra. Em 1938, o comandante Heinrich Himmler decretou que não alemães de origem nórdica poderiam se alistar. Considerados arianos, dinamarqueses, finlandeses, noruegueses e holandeses eram bem vistos pelos nazistas. A Divisão Wiking, formada por escandinavos, foi a primeira divisão internacional do exército alemão.

Recrutas da Legião Árabe Domínio público

A campanha nazista na União Soviética atraiu muitos estrangeiros, motivados pelo anticomunismo. Entre 1941 e 1942, voluntários húngaros, búlgaros, croatas, romenos e eslovenos formaram divisões militares da Wehrmacht, mesmo sem serem considerados racialmente puros — durante a invasão da União Soviética, os ucranianos haviam aprendido pela pior forma que os nazistas não viam os eslavos como mais que escravos naturais.

Na mesma época, surgiram a Legião Árabe, formada por voluntários do Oriente Médio e África, e também a Legião da Índia, ambas motivadas pela resistência aos impérios Britânico e Francês. E a Divisão Azul era composta por anticomunistas ibéricos, a maioria veteranos da Guerra Civil Espanhola.

Oficial alemão analisa voluntários indianos Domínio público

Depois da derrota nazista em Stalingrado, no início de 1943, a necessidade de recrutar voluntários aumentou e os padrões raciais diminuíram. Cerca de 80 mil ucranianos, 40 mil azerbaijanezes e 30 mil armênios se uniram aos nazistas. Os bósnios foram aceitos por serem de origem ilíria, considerados quase arianos. Africanos, sírios, iraquianos, sauditas, libaneses, turcos, indianos, mongóis, uzbeques, chineses, japoneses, indonésios e tailandeses também formaram divisões que lutaram pelo exército nazista.

Legião do Turquestão, formada por turcos, uzbeques e turcomanos Domínio público

Formado em outubro de 1944, o Exército Russo de Libertação, comandado pelo general Andrey Vlasov, reunia desertores soviéticos anticomunistas e prisioneiros de guerra, capturados entre 1941 e 1943, que se uniram à Wehrmacht como alternativa aos campos de concentração.

Exército Russo de Libertação, liderado por Andrey Vlasov Domínio público

Mas nem todos os recrutas eram soldados. Muitos deles eram utilizados como motoristas, camareiros, cozinheiros e pedreiros. Dessa forma, soldados alemães que costumavam realizar essas tarefas degradantes podiam ser enviados às batalhas.

Com a derrota da Alemanha se aproximando, muitos voluntários desertaram e se uniram à Resistência. Milhares foram mortos pelos Aliados, e outros se renderam em seus países de origem.

O caso mais extremo, se não realmente "voluntário", foi o do coreano Yang Kyoungjong, capturado pelos aliados no DIa D. Começara lutando pelo Japão, foi pego pela União Soviética e alistado, e os nazistas fizeram o mesmo com ele, terminandno na Normandia. Misericordiosamente, os aliados o deixaram descansar. 

Letícia Yazbek

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