Matérias » Música

A angustiante morte do rockstar Michael Hutchence, líder do INXS

O símbolo sexual dos anos 1990 teve uma virada na sua vida quando se tornou pai — e acabou se afundando nos excessos

Wallacy Ferrari Publicado em 09/04/2020, às 11h14

Retrato fotográfico de Michael Hutchence em um fundo preto
Retrato fotográfico de Michael Hutchence em um fundo preto - Wikimedia Commons

Junto com o sucesso estrondoso do álbum Kick no final dos anos 1980, a banda australiana INXS entrou no século 20 com o status de sensação mundial ao misturar new wave com rock. Muito de sucesso também é atribuído ao líder, Michael Hutchence, com uma presença de palco tímida, porém poderosa, se tornando um dos maiores sex symbols na indústria músical.

Apesar de ter revelado o medo de plateias e tirar suas lentes de contato para evitar ver o público, estampou diversas capas de revista com destaque ao vocalista, que com seus longos cabelos ondulados, centralizava publicações com muita naturalidade. Além disso, seu estilo de vida na alta sociedade rendeu-lhe amizades com Bono Vox, Johnny Depp, Lenny Kravitz e outros astros da época.

Sua fama de boa pinta não se restringia apenas a comentários; sempre ligado em moda, o cantor namorou Kylie Minogue e a guiou a cantora para se também se tornar um símbolo sexual, apesar da crença midiática de que Michael estaria corrompendo a companheira. Também teve um relacionamento com a supermodelo Helena Christensen e chegaram até a comparecer juntos em desfiles de moda.

Michael em destaque em capas da revista Rolling Stone / Créditos: Divulgação

 

Porém, nenhum relacionamento de Michael foi mais notável do que os anos que passou com Paula Yates. Os dois se conheceram no talk-show The Big Breakfast, que era apresentado pela loira em uma cama. A sintonia foi rapidamente notada pelos espectadores, que chegaram a comentar que a inglesa “ovulava ao vivo quando enaltecia” Hutchence. O único empecilho é o fato de que Paula era casada com o ativista Bob Geldof.

O romance foi revelado da maneira mais invasiva possível: nas capas de tabloides britânicos por via de fotos de um papparazi ao sair de um hotel. O divórcio do ativista foi rapidamente acionado e os três filhos do casal passaram a ser objetos no processo de guarda. Em 1996, no primeiro ano de união, o vocalista e a loira tiveram a primeira filha, Heavenly Hiraani Tiger. Os problemas pessoais, no entanto, eram maiores do que a felicidade do australiano em ser pai.

O começo do fim

A influência de Paula na vida de Michael resultou em uma série de hábitos distintos de sua antiga rotina. Antes de conhecer a apresentadora, Michael passava boa parte de seu tempo em uma casa de veraneio em Nice, na França, onde costumava realizar exercícios físicos e praticar ciclismo urbano. Com a nova companheira, passou a usar drogas ilícitas, além de intensificar o consumo de antidepressivos receitados por medos durante sua vida.

A entrevista no The Big Breakfast e uma capa estampando escândalos do casal / Créditos: Divulgação

 

No meio da batalha judicial pela guarda, uma embalagem de doces contendo drogas foi encontrada na residência do casal, dando a guarda das crianças a Bob, em Londres. Porém, com medo de que Paula influenciasse negativamente a criação dos filhos, tentou cuidar sozinho de todos em sua terra natal, Sydney. Sem sucesso, prosseguiu frequentando festas, mas sempre externando o desconforto com a vida pública.

Na noite de 21 de novembro de 1997, o uso combinado de drogas, álcool e antidepressivos deixou Michael sozinho e bastante alterado no hotel que estava hospedado. Decidiu então, ligar para alguém que pudesse atendê-lo em um momento sensível. Martha Trump foi uma das pessoas que receberam uma chamada do australiano, no entanto, não atendeu pelo horário, obrigando Hutchence a deixar uma mensagem na secretaria eletrônica.

 Chorando e com palavras confusas, o mesmo dizia que “não aguentava mais” e que não tinha mais coragem para retornar aos palcos. Foi o último registro da voz que marcou uma geração. Sua última ligação foi atendida por Bob Geldof e resultou em uma gritaria tremenda de acordo com outros hóspedes, que chegaram a ouvir Michael dizendo: “Não sei como vou viver sem ver a Tiger”.

Após as tentativas de amparo, o cantor prendeu um cinto na maçaneta da porta e se enforcou, sendo encontrado somente na manhã do dia 22. O pai do músico descobriu que o filho havia falecido por via de um telefonema de uma rede de televisão, ao vivo.

A hipótese inicial, que chegou a ser levantada por Paula, era de que o músico havia falecido após uma tentativa de asfixia autoerótica, por ter sido encontrado com poucas roupas e de pernas cruzadas ao chão, além de seu histórico com sadomasoquismo. Entretanto, foi possível concluir que o suicídio foi intencional e por causas decorrentes a sua depressão.

Seu irmão Rhett, que foi até o local do óbito e reconheceu o corpo de Michael, afirmou que os móveis estavam completamente revirados, como um surto. Cinco dias depois, seu funeral foi realizado em Sydney, na Catedral de Santo André, com os membros da banda carregando seu caixão. Seu corpo foi cremado e parte de suas cinzas foram atiradas em reservas florestais na Austrália.


++Saiba mais sobre esse assunto e a história do rock nos links abaixo:

1. Michael: My brother, lost boy of INXS, por Tina Hutchence (2018) - https://amzn.to/2Rl5FSY

2. As raízes do rock, de Florent Mazzoleni (2014) - https://amzn.to/2QKcltX

3. O som da revolução: Uma história cultural do rock 1965-1969, de Rodrigo Merheb (2013) - https://amzn.to/2QFW3C7

4. Breve História do Rock, de Ayrton Mugnaini Jr. (2007) - https://amzn.to/2uuJ6Cu

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/3b6Kk7du