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A caótica história de William Heirens, o 'Assassino do Batom'

"Me peguem antes que eu mate mais. Eu não consigo me controlar", escreveu o assassino com batom na parede do apartamento de uma de suas vítimas

Ingredi Brunato Publicado em 09/12/2020, às 10h00

Fotografia de William Heirens já mais velho, anos após os crimes
Fotografia de William Heirens já mais velho, anos após os crimes - Wikimedia Commons

William Heirens foi o Assassino do Batom, um homem que aterrorizou a polícia de Chicago, nos Estados Unidos, durante a década de 40. Responsável por três assassinatos, foi no segundo que ganhou seu célebre apelido, ao escrever uma mensagem macabra na parede da casa de uma de suas vítimas. 

“Pelo amor de Deus, me pegue antes que eu mate mais. Eu não consigo me controlar”, diziam as letras tremidas encontradas na parede atrás de uma das cenas do crime, para o choque dos policiais norte-americanos. O instrumento usado para registrar a mensagem fora um batom que pertencia à vítima. 

Fotografia da mensagem escrita na parede / Crédito: Wikimedia Commons 

 

As investigações, que tinham como objetivo capturar o criminoso, ganharam a atenção da mídia após o desaparecimento de sua terceira vítima, que era a filha de um executivo de renome. 

A atuação da polícia local foi duramente criticada pela condução aparentemente caótica. Várias vezes, suspeitos foram detidos, com os oficiais alegando que haviam encontrado afinal o assassino. Todavia, eram alarmes falsos, seguidos da soltura desses suspeitos. 

Os assassinatos 

A primeira vítima foi Josephine Ross, de 43 anos. Ela foi esfaqueada repetidamente. Depois de verificar que seus ex-maridos e ex-namorados tinham álibis, os oficiais que a encontraram sem vida concluíram que a mulher não conhecia seu assassino. 

A hipótese oficial, portanto, acabou sendo que Josephine teria flagrado um bandido no momento em que ele roubava seu apartamento. Eles tiveram um confronto físico (havia cabelos nas mãos da mulher morta, um sinal de luta), que terminou com a morte de Ross

Meses depois, apareceu a segunda vítima. Era Frances Brown. Além de ter sido também esfaqueada, ela foi encontrada com a faca usada no crime atravessada em seu pescoço, e ainda uma bala alojada em seu crânio. Foi na parede dela que foi escrita a mensagem pelo qual o Assassino do Batom ficou conhecido. 

Terceira vítima 

A última e mais famosa vítima foi uma menina de apenas seis anos de idade chamada Suzanne Degnan. Seu pai era um executivo sênior no Escritório de Administração de Preços, órgão administrativo do governo estadunidense. 

Após seu desaparecimento, a família da criança recebeu uma carta pedindo dinheiro pelo seu resgate. Posteriormente, houve ainda diversos telefonemas anônimos exigindo o dinheiro, porém desligando antes que qualquer negociação pudesse ser feita. 

Mais tarde, os pedaços desmembrados de Suzanne foram encontrados espalhados pelo esgoto da cidade. 

Foi nesse ponto que ocorreram alguns dos momentos mais desesperados na procura pelo Assassino do Batom, com a polícia realizando centenas de interrogatórios, e alegando várias vezes que havia capturado o autor dos crimes, apenas para desmentir-se posteriormente. 

Dúvidas

Heirens foi preso sob a acusação de tentativa de roubo, e confessou ter sido o assassino por trás dos três crimes. Entretanto, essas confissões podem ser consideradas controversas devido à declarações feitas mais tarde pelo estadunidense, que disse ter sido vítima de brutalidade policial e práticas coercitivas de interrogatório. 

Segundo o homem, ele foi interrogado durante seis dias seguidos, e durante esse período teria sido espancado e deixado sem comida ou bebida. Também teria sido negado o direito de falar com um advogado. 

O interrogatório ainda contou com dois psiquiatras que teriam administrado um analgésico geral em William, fazendo com que não se lembrasse da maior parte do que se passou. Segundo os policiais, foi revelado que o preso tinha uma segunda personalidade chamada “George”, que seria o real autor dos crimes. A transcrição original do que foi dito nesse dia, contudo, acabou se perdendo. 

Digital encontrada na cena do crime, que seria condizente com a de Heirens em 8 pontos (o que, para alguns, deixava uma margem de erro muito grande para se dizer com certeza que era a digital dele) / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após outras reviravoltas referentes às impressões digitais deixadas nas cenas dos crimes, William Heirens acabou sendo condenado definitivamente. Ele passou 65 anos na prisão, morrendo em 2012 por complicações relacionadas à diabetes.


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