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A CIA já tentou matar Raúl Castro?

Documento da agência americana, revelado em 1975 graças a Lei de Acesso à Informação, explica conspiração

Fabio Previdelli Publicado em 13/05/2021, às 17h31

Os irmãos Fidel e Raúl Castro
Os irmãos Fidel e Raúl Castro - Getty Images

Como informado pela equipe do site do Aventuras na História, na segunda metade do mês passado, Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e líder militar da Revolução Cubana, informou que deixaria o cargo de maior poder de Cuba.  

Além disso, durante discurso no primeiro dia do oitavo congresso do Partido Comunista Cubano, Raúl pediu para que existisse um diálogo mais respeitoso do país com os americanos. "Ratifico deste congresso do Partido a vontade de desenvolver um diálogo respeitoso e edificar um novo tipo de relação com os Estados Unidos". 

Esta não foi a única vez que Castro tentou criar melhores laços com os norte-americanos, algo parecido já havia sido iniciado durante a gestão de Barack Obama, que conseguiu reativar relações diplomáticas entre as nações — que haviam rompido em 1961.

Raúl Castro ao lado de Che Guevara/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Porém, as tratativas ficaram para trás no governo de Trump, que reforçou embargos econômicos à Ilha, algo que acontece desde 1962.  

Esse episódio, entretanto, é apenas um dos inúmeros envolvendo a relação dos Castro com os Estados Unidos. Apesar de parecer mais amena hoje em dia, Raúl já foi perseguido pelos americanos que, segundo relatório, elaboraram um plano para matá-lo. 

Os detalhes 

O plano para acabar com Raúl aconteceu durante a década de 1960, mas só foi revelado em 1975, graças a Lei de Acesso à Informação, como explica matéria da Superinteressante.

Mas como isso aconteceu? 

Tudo se iniciou quando o piloto cubano Jose Raul Martinez disse ao agente da CIAWilliam J. Murray, seu contato local, que levaria o irmão de Fidel em uma viagem de avião que partiria de Havana, capital do país, em 21 de junho de 1960, e teria como destino a cidade de Praga, na atual República Tcheca — que na época pertencia à URSS e tinha o nome de Tchecoslováquia. 

Assim, Murray e Martinez passaram a elaborar artimanhas para dar fim à vida de Castro. Logo, dois planos surgiram como os mais plausíveis, já que eles se passariam como “acidentais”, segundo o documento. Estes seriam: causar uma falha no motor da aeronave logo após a decolagem ou ‘pousar’ com o avião em alto mar, horas depois da decolagem.  

Raúl Castro em visita à China, em 2012/ Crédito: Getty Images

 

Porém, um ponto importante da tramoia é que não há uma especificação de como Jose Raul escaparia do acidente armado. Mesmo assim, o piloto se demonstrou preocupado com a estratégia, segundo aponta a Super.  

Adeus Raúl? 

Para realizar o combinado, o documento aponta que a Martinez teria feito o “pagamento de dez mil dólares após a conclusão bem-sucedida” tudo isso a título de “riscos corridos para armar o acidente”. 

Além de receber cerca de 90 mil dólares em valores atuais, como diz matéria da Super, o piloto também conseguiu convencer a CIA de pagar os estudos de seus filhos até a faculdade caso ele morresse no acidente.  

Chegado o dia 21, tudo já estava preparado e, inclusive, o voo já havia saído de Cuba. Porém, a sede da CIA em Langley, Virgínia, enviou uma ordem para a base em Havana mandando abortar a missão. “Não prossiga”, dizia a mensagem, aponta matéria da Super. 

Porém, pelo fato de o avião já estar no ar, não havia nenhuma maneira de impedir o planejado sem que a conspiração acabasse sendo revelada. Mas, por sorte, Martinez acabou não cumprindo com o combinado, por falta de coragem ou sabe-se lá o motivo.  

Esta, aliás, não foi a única vez que os americanos falharam ao tentarem atingir Cuba. Semanas depois, inclusive, o país começou outro planejamento: desta vez para invadir a Baía dos Porcos.

O grande sonho americano era matar Fidel e terminar de uma vez por todas com a Revolução Cubana, que havia acabado com o regime de Fulgencio Batista — apoiado pelos Estados Unidos — há dois anos.  

Posteriormente, em abril de 1961, como relembra a Superinteressante, cerca de 1.400 soldados americanos partiram da base americana na Guatemala e na Nicarágua para combater em Cuba, que foi bombardeada meses antes por oito aeronaves B-26. 

Guerrilheiros revolucionários cubanos contra-atacando os americanos durante Invasão da Baía dos Porcos/ Crédito: Rumlin/Wikimedia Commons

 

Três dias depois da tentativa de invasão de 17 de abril, os grupos paramilitares acabaram se rendendo e o plano foi por água abaixo novamente. O bombardeio chegou ao conhecimento popular pouco depois e causou uma enorme repercussão negativa para o então presidente John Kennedy.  

Uma suposta represália ao ataque, inclusive, pode ter sido a causa da conspiração que matou o presidente americano em 22 de novembro de 1963. A teoria é levantada por diversos estudiosos e também é apontada no clamado filme ‘JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar”, de 1991.


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