Matérias » Alemanha Nazista

A Cruz de Ferro é um símbolo nazista?

Neonazistas desfilam com o objeto no peito e fazem muita gente se perguntar: seria a cruz algo que remete diretamente à experiência hitlerista?

Redação Publicado em 30/10/2019, às 11h40

None
Reprodução

Se você perguntar aos neonazistas, a resposta provavelmente é sim. Ou, ao menos, não faltam imagens deles desfilando com ela, acompanhada ou não pela suástica:

Neonazistas em manifestação / Crédito: Getty Images

 

Mas, se você perguntar aos alemães — principalmente aos militares — terá uma resposta bem diferente:

Eurofighter Typhoon da aeronáutica alemã / Crédito: Wikimedia Commons

Isso pois a Cruz de Ferro ainda é plenamento usada como insígnia das diversas armas da Bündeswehr, as forças armadas da Alemanha democrática. 

O fato é que o símbolo é muito anterior ao nazismo. A medalha física surgiu em 1813, durante as Guerras Napoleônicas, no reino da Prússia. Foi herdada pela Alemanha unificada em 1870 e usada amplamente na Primeira Guerra. Sua inspiração foi a cruz dos Cavaleiros Teutônicos, que moveram cruzadas contra os pagãos do Mar Báltico (e vários cristãos no caminho). 

Cavaleiros teutônicos em retratação clássica / Crédito: Reprodução

Na Primeira Guerra, a medalha tornou-se a insígnia da Alemanha, estampada em veículos terrestres e aéreos. Em março de 1918, foi modificada para a forma reta, porque a tradicional era quase um alvo: dava visibilidade demais aos aviões, uma vantagem ao inimigo.

Fokker DVIII de 1918 com a nova insígnia reta / Crédito: Wikimedia Commons

 

Essa forma seria mantida no período nazista :

Crédito: Wikimedia Commons

 

E a medalha, reinstaurada em 1939, ganhou uma suástica no meio:

Crédito: Wikimedia Commons

11 anos após o fim da guerra, em 1957, o governo da Alemanha Ocidental ordenou a troca das cruzes de ferro dadas no período nazista por versões novas, sem a suástica. As versões originais acabaram caindo nas mãos de colecionadores. E aí começa outra parte da história: seu uso pela contracultura.

Nos anos 60, a Cruz de Ferro foi adotada por motoclubes. Junto com ela vieram elmos ao estilo alemão (o icônico pickelhaube). E, sim, suásticas.

Cena de The Wild Angels (1966) / Crédito: Reprodução

A ideia era chocar os reacionários e a sociedade comum. Nos anos 70, punks também usaram suásticas como provocação. Nada podia ser mais detestável à geração que lutara na Segunda Guerra.

Com neonazistas de verdade entrando em evidência, a suástica se tornou exclusiva deles. Quanto à cruz, ela ficou. Se você perguntar aos ciclistas, aos skatistas, aos fãs da kultura kustomaos fãs da banda Motörhead — várias subculturas, enfim, que adotaram a Cruz de Ferro — ela não tem nada a ver com nazistas.

Talvez a palavra final possa ficar com o lado mais afetado. A Liga Antidifamação, criada por judeus americanos para denunciar o neonazismo e episódios antissemitas, abordou a questão se a Cruz de Ferro é um símbolo ódio. Eis o que disseram:

"O uso da Cruz de Ferro num contexto não racista proliferou enormemente nos Estados Unidos, ao ponto em que uma Cruz isolada (isto é, sem uma suástica sobreposta ou acompanhada por outros símbolos de ódio) não pode ser determinada como um símbolo de ódio. Cuidado deve ser tomado para interpretar corretamente este símbolo em qualquer contexto em que seja encontrado."


Saiba mais simbologia nazista em: 

1 - Arktos: The Myth of the Pole in Science, Symbolism and Nazi Survival, de Joscelyn Godwin - https://amzn.to/34hinpw

2 - Nazi symbolism, organizado por Lambert M. Surhone, Miriam T. Timpledon e Susan F. Marseken - https://amzn.to/2Pvc7qj

3 - What's in a name?: meanings of the swastiks, de Edward Canney - https://amzn.to/31XGgRH

4 - The Swastika and the Nazis: A Study of the Misuse of the Swastika by the Nazis, de Servando Gonzalez - https://amzn.to/2NsvA8r

5 - Cross of Iron: The Rise and Fall of the German War Machine, 1918-1945, de John Mosier - https://amzn.to/335I6S0

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.