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A curiosa caverna na Inglaterra que teria sido casa de um rei eremita

O local já havia sido descoberto havia muito tempo, porém sua história fascinante foi alvo de pesquisas apenas em julho de 2021

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 15/08/2021, às 08h00

Fotografia da caverna analisada pelos arqueólogos
Fotografia da caverna analisada pelos arqueólogos - Divulgação / Edmund Simons/Wessex Archaeology

Em julho deste ano, uma equipe de arqueólogos britânicos descobriu que uma grande caverna de rochas de arenito localizada na porção sul do Reino Unido era, na verdade, muito mais antiga do que antes pensado. O caso foi repercutido pela Revista Galileu. 

Antes da pesquisa, acreditava-se que as grutas, que em algum momento serviram como moradia para pessoas, haviam sido esculpidas na pedra durante o século 18. 

O estudo recente, todavia, publicado no periódico científico “Proceedings of the University of Bristol Speleological Society”, concluiu que as cavidades pertencem a um período completamente diferente: o do início da Idade Média.

O local é também mais especial do que inicialmente julgado: isso pois as cavernas foram possivelmente habitadas por um rei, de acordo com as estimativas dos pesquisadores, que foram capazes de reconstruir a planta original do lugar através do uso de drones e análises arquitetônicas em geral. O lugar era constituído de três cômodos e uma capela. 

Fotografia mostrando a capela da caverna / Crédito: Divulgação/ Mark Horton/Wessex Archaeology

 

Foi nesse momento então que eles puderam perceber que as técnicas de edificação usadas na estrutura se assemelhavam às da arquitetura saxônica, um estilo presente na Inglaterra no início da época medieval.

"Isso torna [a construção] provavelmente o interior doméstico intacto mais antigo do Reino Unido - com portas, piso, telhado, janelas, etc. - e, tem mais, pode muito bem ter sido habitado por um rei que se tornou um santo!”, afirmou o autor do estudo, Edmund Simons, através de um comunicado publicado no site da instituição “Wessex Archaeology”, ainda conforme a Galileu. 

Registro de séculos atrás

As pistas apontando para qual membro da realeza habitou a caverna vieram de um livro do século 16. Segundo registrado pela obra histórica, um eremita chamado de SantoHardulph vivia no penhasco próximo ao rio Trento — a mesma região onde ficam as grutas analisadas. 

Aparência exterior da caverna / Crédito: Divulgação / Edmund Simons/Wessex Archaeology

 

Antes de adotar aquele estilo de vida em isolamento, todavia, o homem teria sido o rei Eardwulf, o governante do reino da Nortúmbria, que hoje é parte do território britânico, entre os anos de 796 d.C e 806 d.C.  

Seu domínio acabou quando ele foi deposto e condenado ao exílio. Também segundo o estudo, não era incomum que soberanos medievais adotassem uma existência voltada para a religião após terem sido retirados de seus tronos ou escolhido sair deles por conta própria. Alguns conseguiam alcançar até mesmo a canonização como santos. 

"As semelhanças arquitetônicas com os edifícios saxões e a associação documentada com Rei Eardwulf / Santo Hardulph mostram que essas cavernas foram construídas, ou ampliadas, para abrigar o rei exilado”, contou Edmund

Mark Horton, um professor de arqueologia da mesma universidade inglesa dos pesquisadores envolvidos no estudo, fez um comentário a respeito daquela descoberta tardia a respeito da verdadeira função de uma construção histórica: 

“É extraordinário que edifícios domésticos com mais de 1200 anos sobrevivam à vista de todos, não reconhecidos por historiadores, antiquários e arqueólogos. Estamos confiantes de que outros exemplos ainda serão descobertos para dar uma perspectiva única sobre a Inglaterra anglo-saxônica”, observou o especialista.


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