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A curiosa múmia do faraó Merneptá, que foi roubada e reapareceu misteriosamente, após 3 mil anos

Em um roubo que ocorreu na antiguidade, ladrões queimaram os sarcófagos do quarto rei da Décima Nona Dinastia do Egito

Vanessa Centamori Publicado em 25/04/2020, às 08h00

Múmia do faraó Merneptá
Múmia do faraó Merneptá - Wikimedia Commons

Após 3 mil de anos de mistério, em 1898, o egiptólogo francês Victor Loret encontrou um cadáver mumificado na tumba de Amenófis II, sétimo faraó da 18° dinastia. A visão foi surpreendente: o corpo era de um homem velho, com um pouco mais de 1,70 metros de altura, quase totalmente careca - apenas com uma franja de cabelos brancos e uns fios rebeldes pretos caindo nos lábios.

Tratava-se da múmia de Merneptá, o quarto faraó da Décima Nona Dinastia do Egito Antigo. Décimo terceiro filho de Ramsés II, ele reinou de 1213 a.C a 1203 a.C. Após a morte de Ramsés, ocorreu uma revolta geral entre os povos da Palestina, fazendo com que Merneptá tomasse o controle à força. 

Ascenção

Merneptá acabou assumindo o trono egípcio também em partes: seus irmãos primogênitos haviam morrido precocemente. O soberano estava no que era considerado o auge da velhice, nos seus sessenta anos, quando comandou o Egito.

Escultura de Merneptá / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Ele teve um casamento incestuoso com a rainha Isetnofret, que era sua irmã - e tinha o mesmo nome que a mãe dele. Merneptá também se envolveu com a rainha Takhat, com quem teve um filho, chamado Seti II.

Governo

Em seu reinado, Merneptá mudou o centro administrativo do Egito de Pi-Ramessés, a antiga capital estabelecida por seu pai, de volta a Memphis, onde ergueu um palácio próximo ao templo de Ptah .

Durante seu quinto ano de governo, os Povos do Mar, vindos da Anatólia, invadiram a Líbia. Unidos com os líbios, a confederação de marinheiros procurou também incitar a revolta dos Líbios do Sul e dos Núbios contra a dominação do Egito. No entanto, o faraó conseguiu deter esse confronto, em uma batalha na região do Delta do Nilo.

Merneptá fez também campanhas militares na Palestina contra as cidades de Ascalon, Gezer e Yenoham. Isso porque ele queria manter a dominação egípcia sobre tais regiões. Foi em vão: o governo do político foi breve e durou apenas dez anos. 

A arqueóloga Lyla Pinch Brock, no trabalho de reconstrução de uma gigantesca caixa externa de sarcófago pertencente ao faraó egípcio Merneptá / Crédito: Divulgação 

 

Declínio 

O sucessor de Merneptá seria Naneferkaptah. Porém, ele faleceu antes mesmo do pai morrer. Então, a sucessão do trono caiu nas mãos de Seti II, filho da rainha Isisnofret com o faraó. Mas a situação ficaria ainda pior.

Amenmesés, um rei inimigo que era meio-irmão de Naneferkaptah, assumiu o controle do Alto Egito. Após cinco anos de disputa, Seti II finalmente dominou Tebas, para depois superar completamente Amenmesés.

Sarcófago de Merneptá, no Vale dos Reis, que ficou conservado / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Sofrendo de artrite e arteriosclerose, Merneptá morreu em idade avançada. O faraó foi enterrado originalmente no túmulo KV8, no Vale dos Reis, mas sua múmia não foi encontrada no local. Isso ocorreu porque a tumba foi roubada há milhares de anos e os quatro sarcófagos do soberano foram quase todos despedaçados e queimados. 

Durante o ato de vandalismo, a parte externa do primeiro caixão de Merneptá, a segunda e um pouco da terceira foram quebradas. Só o quarto sarcófago e as tampas do túmulo de granito vermelho ficaram intactos.

"Marcas de queimadura, lascas e rachaduras circulares em vários locais do interior e exterior atestam o uso do fogo para aquecer partes da caixa, seguido de um rápido resfriamento com água para enfraquecer o granito", descreveu a pesquisadora Lyla Pinch Brock, ao portal Live Science. 

Por sorte, a múmia de Merneptá foi retirada do sarcófago antes das chamas começarem. Foi enterrada em outro local - como sabemos só foi encontrada mais de 3 mil anos depois -, misteriosamente, na tumba de Amenófis II, em 1898. Hoje, está exposta no Museu Egípcio, do Cairo. 


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