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A curiosa reconstrução facial de Hilda, a sacerdotisa de uma cultura céltica há 2 mil anos

A sábia da Idade do Ferro morreu na Escócia sem nenhum dos dentes

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 12/09/2021, às 08h00

Reconstrução facial de Hilda
Reconstrução facial de Hilda - Divulgação/Universidade de Dundee

Quando estudiosos encontram crânios de pessoas que viveram no passado, muitas vezes é possível reconstruir o rosto desses indivíduos por meio de novas tecnologias extremamente modernas. 

Reconstituições em 3D fazem com que nossa curiosidade seja aflorada pelas características de figuras que viveram há milhares de anos e que novas informações sobre essas antigas sociedades sejam descobertas, por exemplo.

Ao longo dos últimos anos, inúmeros projetos revelaram rostos de pessoas históricas. Em 2019, por exemplo, uma estudante de arte forense da Universidade de Dundee, na Escócia, foi responsável por trazer à luz os atributos de uma mulher que viveu há 2 mil anos.

Crânio de Hilda, usado para desenvolvimento da reconstrução facial / Crédito: Divulgação/Universidade de Edimburgo

 

Trata-se de uma idosa apelidada de Hilda. Ela era uma sacerdotisa que fez parte de uma cultura céltica que habitou o passado da região que hoje conhecemos como Ilha de Lewis, na Escócia. 

Os restos mortais foram encontrados por pesquisadores no local em 1833 e preservados. Hoje, o fóssil pertence ao The Anatomical Museum, da Universidade de Edimburgo, que emprestou o esqueleto para que a estudante Karen Fleming pudesse estudá-lo.

Resultado impressionante

A reconstrução em 3D feita pela estudante revelou a face já envelhecida de uma mulher que, pela análise realizada no crânio, provavelmente tinha impressionantes 60 anos de idade quando morreu há 2 mil anos na Escócia.

Embora hoje seja possível pensar que ela morreu jovem, na verdade, a expectativa de vida para mulheres era extremamente baixa para mulheres naquele período. Ela teria vivido quase o dobro do esperado. 

Rosto de Hilda / Crédito: Divulgação/Universidade de Dundee

 

“A expectativa de vida de uma mulher naquela época era mais ou menos 31 anos, mas agora se pensa que viver mais durante a Idade do Ferro é indicador de um passado privilegiado”, ressaltou Fleming em comunicado divulgado na época.

A idade elevada também foi destacada pelo fato de que a idosa não tinha nenhum dos dentes quando morreu entre 55 a.C a 400 a.C., segundo um estudo de 1833. Outro detalhe é que ainda não foram realizados exames de datação por radiocarbono para confirmar a idade do fóssil. 

Para a responsável pela reconstituição da face de Hilda, o fato de ela ter morrido sem dentes “não é muito surpreendente considerando as dietas das pessoas daquela época”, mas ela aponta, no entanto, que “é impressionante que ela tenha vivido tanto tempo”.

Crédito: Universidade de Dundee

 

Hilda foi uma druida na sociedade celta, espécie de líder muito sábio, e provavelmente por isso viveu tanto tempo, ao ter um status elevado durante a Idade do Ferro. A conselheira dos mais poderosos nas tribos do antigo povo celta provavelmente viveu na região de Stornoway.

Sobre o busto da sacerdotisa, Fleming revelou que, por ter sido feito em com cera, foi muito difícil mantê-lo inteiro, principalmente durante o verão escocês.

“É engraçado dizer que tive que guardar algumas partes de Hilda, como suas orelhas, no freezer”, contou. “Muitas vezes tive que mantê-la no carro, no banco traseiro. Tenho certeza que pedestres que estavam de passagem não vão esquecer daquela cena.”


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