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A entrevista de Marília Gabriela com Cazuza: 'Meu desprezo total? Pela direita, pela Igreja'

Em 1988, o músico explicou seus hábitos sexuais e refletiu sobre política

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/05/2021, às 16h19

Marília Gabriela e Cazuza em entrevista em 1988
Marília Gabriela e Cazuza em entrevista em 1988 - Divulgação / YouTube / Band / Lula Zeppeliano

Sendo um dos maiores expoentes do rock nacional durante início dos anos 1980, Cazuza chegava a segunda metade da década já com carreira solo; filho único do diretor da gravadora Som Livre, João Araújo, esbanjava rebeldia com a banda Barão Vermelho, que explodiu comercialmente no cenário nacional após o período de redemocratização.

Retratando sua geração em letras poéticas, o músico saiu do grupo em 1985 e, com álbuns próprios, venceu o Troféu Villa-Lobos e o Prêmio Sharp da Música Brasileira, as duas condecorações mais prestigiadas da indústria fonográfica na época — sempre contrastando a irreverência de sua vida pessoal, na qual fez questão de revelar em 1988 para a jornalista Marília Gabriela.

Não seria o primeiro encontro do letrista com a apresentadora. Cinco anos antes, uma longa entrevista feita no programa ‘TV Mulher’, da Rede Globo, amplificou a projeção da identidade visual de sua banda. Por isso, a vitrine disponibilizada em seu novo programa, ‘Cara a Cara’, pela TV Bandeirantes, seria perfeita para desbravar suas opiniões e experiências.

Cazuza fala (quase) tudo

Transmitida originalmente em 6 de dezembro de 1988, Cazuza explicou suas inspirações para compor, o ambiente musical em que cresceu e chamou atenção com posicionamentos políticos, profetizando o crescimento do Partido dos Trabalhadores no cenário nacional: “O único medo que tenho do PT é o radicalismo de estatizar tudo. Eu acho que tem de ser estatizado o básico — saúde, escola, o básico”.

Ao ser questionado pela apresentadora sobre algo ou alguém que tinha “desprezo total”, disse: “Meu desprezo total? Pela direita, pela Igreja. Eu acho a direita uma coisa tão mesquinha… eu gosto de viver no coletivo. Eu sou de esquerda porque eu tenho muito amigo, eu gosto de dividir minhas coisas. [...] Você sabe que ela não prega a divisão no fundo, né. A igreja quer dinheiro”, justificou.

Contudo, quando indagado sobre seus hábitos sexuais, chegou a ser perguntado por Marília sobre o surgimento da AIDS, enaltecendo que, em sua juventude, o vírus foi capaz de paralisar as orgias desenfreadas com até 20 pessoas.

Também acrescentou que não se dava bem com pessoas mais velhas em relacionamentos amorosos, afirmando que "25 anos já era velho" e que preferia "os brotos".

Contudo, ao ser perguntado se era portador do vírus, disse: “Não estou aidético, não. Eu tive um problema muito sério, uma coisa de pulmão seríssima e estranhíssima, e realmente achei que eu tivesse com AIDS e não tinha coragem de fazer o exame, mas agora está tudo legal”, respondeu.

Revelando a condição

A conversa com Marília foi capaz de mudar os rumos da revelação; em 13 de fevereiro de 1989, dois meses após a transmissão, o cantor revelou a Zeca Camargo — que na época, ainda assinava como José Carlospelo jornal Folha de S. Paulo — que tinha o vírus e que estava animado com a orientação que obteve no Boston Medical Center, nos Estados Unidos.

Ao divulgar, foi perguntado pelo jornalista o por quê de ter negado a doença. "Justamente. Foi depois disse que ela veio me falar que não fazia sentido o fato de eu negar o vírus e a minha posição liberal como artista. Aí eu pensei, vi que ela tinha razão e achei melhor parar de esconder", esclareceu Cazuza.

Em abril daquele ano, a revelação foi detalhada pelo próprio cantor em reportagem da Veja, onde criticou o estigma de morto pela imprensa após ter a frase “Uma vítima da Aids agoniza em praça pública” estampada na capa. O músico morreu em 7 de julho de 1990, aos 32 anos, em decorrência de complicações da soropositividade.

Confira a entrevista completa:


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