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Da Antiguidade à Copa da Rússia: a evolução da bola

Da bexiga de porco às bolas planejadas em laboratório: muito rolou com essa invenção milenar

Redação AH Publicado em 22/06/2018, às 07h01

Dos romanos até hoje, muita mudança rolou para a gorduchinha
Dos romanos até hoje, muita mudança rolou para a gorduchinha - AH

Jogos com bola, usando pés, mãos ou qualquer combinação dos dois, datam da Antiguidade. Diversos mosaicos e afrescos greco-romanos mostram pessoas trocando patadas, voleios e, em um alto-relevo no Museu Nacional de Arqueologia, em Atenas, até mesmo praticando embaixadinhas. Mas esses jogos e suas regras se perderam no fim do Império Romano. O futebol moderno nasceu de diversões populares da Inglaterra medieval, que estavam mais para briga de rua do que para esporte, com grupos imensos lutando pela posse da “bola” – que podia, na verdade, ser qualquer objeto.

No football, palavra registrada pela primeira vez em 1424, chutar a bola (ou os adversários) era permitido, mas não havia regra que limitasse o uso das mãos. Os ingleses chamavam de football até mesmo algumas versões que proibiam usar os pés. Daí o “futebol” americano, no qual os pés só são usados em condições especiais. Assim como o rúgbi, é um descendente desses mesmos e violentos passatempos que deram origem ao futebol como conhecemos, o association football, cujas regras foram codificadas no século 19 por associações estudantis inglesas. Entre outras coisas, o número de jogadores foi modificado de “multidão” para 11, e foi proibido usar as mãos. Talvez Maradona não tenha sido avisado.

Séculos 2 a.C. até 5 - Pila Romana

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Romanos e gregos antigos faziam diversos tipos de bola, recheadas com penas, novelos de linha ou, no caso da pila ou follis, uma bexiga de porco coberta com couro costurado. Cícero menciona um incidente no qual um cliente foi morto em seu barbeiro quando levou uma bolada na cara, chutada pela criançada na rua.

Séculos 13 a 19 - Futebol medieval

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Quando o ancestral do futebol surgiu na Grã-Bretanha medieval, era uma guerra entre vizinhos na qual por acaso também valia chutar a “bola”, que podia ser uma bexiga de porco sem cobertura, bolsas velhas cheias de serragem ou cortiça, ou ocasionalmente bolas de verdade, feitas à maneira romana.

1894 - Primeira bola do Brasil

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O processo de vulcanização da borracha, em 1844, permitiu a aposentadoria da bexiga suína. Em 1894, quando Charles Miller trouxe ao Brasil as regras e equipamentos do futebol moderno, também trouxe bolas com interior de borracha, cobertas com couro marrom. Os laços serviam para abrir quando era preciso inflar – a válvula só surgiria décadas depois.

1930 – As bolas da discórdia

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Na final da primeira copa, no Uruguai, em 1930, cada time apareceu com uma bola diferente. A Argentina trouxe seu modelo Tiento, similar a uma bola de vôlei atual e quase idêntica às das copas seguintes. O Uruguai levou o Modelo T, com gomos na forma da letra. Acabaram jogando um tempo com cada modelo. O Uruguai ganhou, de virada, com sua bola preferida.

1950 - Made in Brazil

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A bola da copa do Brasil de 1950, chamada Super Duplo T, foi projetada e feita no país. As costuras tinham um formato diferente, para garantir maior resistência. Para impedir a entrada de água, os laços foram abandonados, dando lugar à válvula moderna. Nada disso impediu que o Brasil perdesse a final contra o Uruguai, no Maracanã.

1970 – Formato clássico

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No México, em 1970, estreia o familiar formato geométrico, que tem o nada familiar nome de icosaedro truncado. O preto e branco dava mais visibilidade nas transmissões de TV – a copa foi a primeira transmitida ao vivo. Era tão futurista que a bola levou o nome de Telstar, em homenagem a uma linha de satélites americanos. O formato duraria décadas.

2006 - Pós-modernas

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Apenas em 2006 os polígonos seriam abandonados com a Teamgeist, usada na copa da Alemanha. Os painéis curvos passaram a ser colados, e não mais costurados, evitando que a bola absorva água na chuva. O mundial da África do Sul, em 2010, adotou um modelo completamente diferente, sem retornar ao formato geométrico.

2018 – Bola interativa

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Usada na Copa da Rússia, a bola batizada de Telstar 18 homenageia o modelo utilizado na Copa de 1970. A pintura em preto e branco lembra a bola usada no México – os pequenos quadrados são os pixels, que representam a inovação trazida pela Telstar 18. É a primeira bola interativa usada em Copas: um chip instalado nela permite a comunicação com smartphones e tablets.