Filha de Stalin mudou de lado, fugiu para os EUA... e neta de Stalin é punk

Há 51 anos, Svetlana Alliluyeva entrava na embaixada dos EUA para abdicar do sobrenome, passado e até filhos. E sua filha foi mais radical ainda

sexta 9 março, 2018
Svetlana e sua filha Chrese: elas rejeitaram o ancestral
Svetlana e sua filha Chrese: elas rejeitaram o ancestral Foto:Domínio Público/Chrese Evans

Era 6 de março de 1967 quando Svetlana Iosifovna Alliluyeva entrou na embaixada dos Estados Unidos em Nova Delhi. E não devem ter sido poucos os queixos a descer de seu lugar quando ficou claro quem ela era. Seu outro nome era Svetlana Stalina, "filha de Stalin". 

O ditador foi pai de três filhos. O mais velho, Yakov Dzhugashvili, morreu na Segunda Guerra, capturado pelos alemães. O segundo, Vasily Stalin, caíra em desgraça com o Partido logo após a morte do pai.

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Única menina, Svetlana não apenas era a última descendente, como havia sido a favorita enquanto ele viveu. Nascida em 1926, a garota perdeu a mãe, Nadzhda, quando tinha 6 anos de idade. E essa morte marcaria para sempre a vida da garota, como relata a professora da Universidade de Toronto e autora do livro Stalin’s Daughter - The Extraordinary and Tumultuous Life of Svetlana Alliluyeva, Rosemary Sullivan. Tornar-se órfã de mãe fez com que Svetlana criasse o desejo por uma vida familiar mais típica.

Aos 16 anos, se apaixonou por um homem de 40 anos, o cineasta Aleksei Kapler, mas a relação passou longe do “viveram felizes para sempre”. Stalin não aceitou o romance e condenou Kapler a viver dez anos em um gulag. 

Aos 17 anos, Svetlana casou pela primeira vez. O pai aceitou parcialmente a relação, da qual nasceu o filho Losif. Em 1949, o casal se divorciou, ela se casou de novo e deu à luz a Yekaterina.

SOBREVIVENDO STALIN

Depois que Stalin morreu, em 1953, a vida de Svetlana passou por uma série de mudanças. Ela tomou conhecimento da extensão dos crimes do pai, como revela Sullivan. Entrava aí o grande paradoxo da vida dela: o sentimento de amor pelo pai e a dor de saber dos crimes dele. Nesse momento, ela deixou de usar o patronímico Stalina, adotando o Alliluyeva, herdado da mãe.

Em 1963, ela conheceu um indiano comunista, chamado Kunwar Brajesh Singh. Os dois ficaram juntos até a morte de Singh, em 1966. Como ele havia sido cremado em Moscou, ela foi autorizada a viajar com as cinzas para a Índia. Passou três meses na casa da família do namorado (os dois nunca foram autorizados a oficializar o relacionamento).

Notando o imenso impacto ideológico na filha de Stalin desertando, o embaixador dos EUA lhe estendeu o tapete vermelho. Ela ganhou oferecido asilo político. Mudou-se para a Itália antes de seguir rumo aos Estados Unidos. Ao chegar à Nova York, em 1967, rompeu de vez com o passado. Deixou para trás os dois filhos e, em solo norte-americano, falou com jornalistas sobre as atrocidades que aconteceram no governo Stalin e, talvez mais importante, no de Nikita Khrushchev, o que havia denunciado o primeiro para começar uma nova fase, supostamente bem mais humana, no comunismo soviético. Para financiar a nova vida, lançou uma biografia.

NETA PUNK
Em 1971, Svetlana casou-se com o arquiteto William Wesley Peters e mudou seu nome para Lana Peters. No mesmo ano, nasceria a caçula. Olga passou a ser um porto seguro para a mãe, que morreira em 2011, com bem-vividos 85 anos, de câncer no cólon, sem qualquer arrependimento. Em sua última entrevista, em 2010, ao Wisconsin State Journal, ela afirmara: "Ele [Stalin] era um homem muito simples. Muito Rude. Muito Cruel". "Não havia nada nele que fosse complicado. Ele me amava e queria que ficasse com ele e me tornasse uma marxista educada."

Olga, a filha americana, foi rejeitada pelos dois mais velhos, que continuaram na União Soviética. Iosif, um cardiologista, morreu em 2008, aos 67 anos. Katya é uma cientista reclusa que estuda vulcões na Sibéria. 

Em suas conversas com a imprensa, Olga afirmou que acreditava que sua mãe viveria mais que ela e que tentava ter uma vida própria e desassociada dos crimes cometidos por Stalin.

E, por isso, ela rejeitou ainda mais radicalmente seu passado soviético. Ela trocou de nome e responde por Chrese Evans. Tem 46 anos, vive nos Estados Unidos, em Portland, Oregon, tocando uma butique. 

Seu estilo é basicamente punk. Sem mais delongas, fotos dela de 2016, fazendo um cosplay de Tank Girl.

Chrese Evans/Facebook
Chrese Evans/Facebook
Chrese Evans/Facebook
Lucas Vasconcellos


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