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A genialidade — e a melancolia — de Lima Barreto, um dos maiores nomes da literatura brasileira

Barreto enfrentava sérios problemas com o alcoolismo e teve um triste fim; sendo impedido de ver o sucesso de suas obras

Penélope Coelho Publicado em 11/06/2020, às 16h57

Lima Barreto, em 1917
Lima Barreto, em 1917 - Wikimedia Commons

“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa”, a frase dita pelo escritor e jornalista Afonso Henrique de Lima Barreto, representa significativamente sua luta e também os últimos anos de sua vida.

Barreto tem uma trajetória de extrema importância para a literatura nacional no século 20, sendo um exímio escritor romancista, tratava de assuntos como o preconceito, racismo e problemas sociais. O autor não teve o reconhecimento que merecia em vida e suas obras ficaram conhecidas somente 20 anos depois da morte.

Triste infância

Em 13 de maio de 1881, no Rio de Janeiro, nascia Lima Barreto, de família humilde, o homem era descendente de escravos e desde cedo já enfrentava preconceitos. Ainda criança, sofreu uma grande perda em sua vida diante do falecimento precoce de sua mãe, uma professora primária.

Seu pai lutou com todas as forças para conseguir criar os filhos, mas, foi acometido por uma doença mental e acabou enlouquecendo, isso fez com que ainda muito jovem, Barreto se tornasse um dos responsáveis pela sua casa e uma referência para os seus três irmãos. Contrariando as estatísticas, ele se matriculou na Escola Politécnica, no curso de Engenharia, mas, abandonou a faculdade para se dedicar à sua família.

Início da carreira e alcoolismo

Apesar de contribuir para jornais desde a faculdade, Lima fez sua primeira grande aparição como jornalista em abril de 1907, quando escreveu algumas sátiras para a antiga revista Fon-Fon. Mas, a verdade é que o escritor já se dedicava há um tempo para a literatura.

O autor tratava de temas socioeconômicos e costumava evidenciar histórias de personagens negros. Em 1904, ele começou a escrever a primeira versão de seu romance Clara dos Anjos, abrangendo questões sobre a escravidão no Brasil, onde a jovem Clara, uma mulher negra, se envolve com um homem branco. O escritor não chegou a ver esse livro publicado.

Em 1911, Lima escreveu rapidamente aquela que viria a ser uma de suas maiores obras: O Triste Fim de Policarpo Quaresma — um romance do pré-modernismo considerado um dos principais representantes desse movimento. Essa história foi levado ao público pela primeira vez no formato de folhetim, para depois se tornar um livro.

Em suas escritas críticas o artista demonstrava muita personalidade, mas, em sua vida pessoal o homem vinha enfrentando sérios problemas. Em 1912, ele continuava colaborando com a imprensa, no entanto, começou a apresentar alguns episódios de alucinação e depressão ao mesmo tempo em que abusava do uso de álcool.

Em 1914 foi internado no manicômio conhecido como Hospital Nacional dos Alienados. Por um tempo, Barreto conseguiu proceder com a escrita e chegou a ver a publicação de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, em 1915, para isso, ele tirou dinheiro do próprio bolso.

Busto de Lima Barreto no Rio de Janeiro / Crédito: Wikimedia Commons

 

O Triste Fim de um gênio

Seus dias finais foram extremamente solitários, o homem acabou se aposentando precocemente em 1918, já que não tinha mais condições de escrever como jornalista. O fantasma do alcoolismo e a depressão ainda estavam presentes em sua vida e a saúde do autor estava cada vez pior.

Em 1919, após uma série de crises nervosas, foi internado no manicômio novamente, essa triste experiência rendeu mais uma de suas obras: Cemitério dos Vivos, na qual o relata a realidade e a rotina que ele vivenciou no hospício. Devido ao uso exacerbado do álcool, o jornalista desenvolveu alguns problemas de saúde. Acabou morrendo sozinho em sua casa, no bairro de Todos os Santos, Rio de Janeiro.

Isso aconteceu no primeiro dia de novembro do ano de 1922, em decorrência de um ataque cardíaco. Seu pai faleceu apenas dois dias depois do filho e eles foram sepultados no cemitério de São João Batista.

A maioria de suas obras foi publicada após sua morte, nas décadas de 1940 e 1950, diante de uma extensa pesquisa encabeçada pelo biógrafo Francisco de Assis Barbosa. Mesmo que não tenha visto seus textos se tornarem grandes clássicos nacionais, Lima Barreto é um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Sem medo de falar sobre preconceito e problemas sociais enfrentados por negros e mulatos, o autor é um dos grandes representantes dessa luta, em uma época onde o assunto não era evidenciado. 


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