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Matérias / Jesus

A história por trás dos pedaços da 'cruz de Jesus' em catedral no Rio de Janeiro

Um dos maiores símbolos do cristianismo, a 'Vera Cruz' teve seus pedaços divididos e alguns estão no Brasil; confira a história!

Pôster promocional do documentário 'Mistérios da Fé' - Divulgação / Netflix
Pôster promocional do documentário 'Mistérios da Fé' - Divulgação / Netflix

No universo do Catolicismo, os símbolos transcendem meras imagens, tornando-se portais para uma profunda compreensão da fé e da tradição. Entre eles, a cruz chama atenção, representando o sacrifício de Jesus Cristo e a redenção da humanidade.

Muitas pessoas encontram na imagem do item um símbolo de fé e força, fazendo com que a cruz tenha uma imensa representação. Mas você sabia que existem pequenos fragmentos da Vera Cruz — que se acredita ser a de Jesus Cristo — em uma igreja brasileira?

Descubra onde está e o motivo por trás da crença de ser a famosa cruz do maior símbolo do cristianismo!

Fiel vendo a relíquia do cristianismo - Divulgação / Netflix

‘Mistérios da Fé’

Da Coroa de Espinhos até o Santo Graal: o documentário da Netflix, intitulado 'Mistérios da Fé', tem como premissa revelar o passado de algumas relíquias da Igreja Católica. 

“Associadas a mitos, lendas e supostos milagres, elas moldaram a história da humanidade. Agora, pela primeira vez, o público pode testemunhar como nunca o poder oculto e a aura de mistério desses objetos sagrados”, diz a sinopse oficial.

Mas o que surpreende na produção francesa é que um dos itens sagrados listados pode ser encontrado no Brasil, mais especificamente na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. Aqui, os fieis encontram fragmentos da Vera Cruz, também conhecida como Verdadeira Cruz.

É uma das mais famosas relíquias, possivelmente devido à importância da Verdadeira Cruz. Embora a Igreja Protestante geralmente não considere autênticos os muitos fragmentos relatados, seguidores do Cristianismo os veneram. Os restos são frequentemente guardados em relicários dourados e exibidos em locais de culto.

A Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro - Wikimedia Commons, sob licença Creative Commons

A história por trás

A cruz, o sinal que apareceu no céu e prometeu a vitória na batalha da ponte Mílvio em 312, rapidamente se tornou o símbolo do império de Constantino e da nova religião. Por isso, o imperador manifestou o desejo de encontrar o verdadeiro lenho no qual Cristo foi crucificado, segundo o Vatican News.

Ele apoiou a viagem de sua mãe, Helena, aos lugares sagrados, com o objetivo de buscar evidências tangíveis da nova fé. A imperatriz viajou para a Palestina entre 326 e 328, em uma expedição arqueológica pelos locais associados à vida, Paixão e Ressurreição de Jesus.

Conforme narra a produção da Netflix, é dito que Helena conseguiu que lhe indicassem o túmulo de Cristo e, com alguns estratagemas, encontrou três cruzes. Para identificar qual delas era a verdadeira, ela fez um teste tocando uma mulher doente com cada uma das cruzes. Quando a mulher foi curada por uma delas, ficou claro que essa seria a cruz de Cristo; as outras duas eram dos ladrões crucificados ao lado dele.

Curiosamente, a cruz foi descoberta ao lado do túmulo, sugerindo que muitos objetos estavam reunidos ali. Helena exibiu as relíquias sagradas, incluindo o fragmento da cruz, em uma capela de seu palácio, o Sessorianum. A Basílica da Santa Cruz em Roma, portanto, é considerada uma parte de Jerusalém dentro da cidade eterna.

Divisão da cruz

O perito em relíquias da arquidiocese de São Paulo (SP), Fábio Tucci Farah, disse para a ACI Digital que “pelo relato de Sócrates, sabemos que a Cruz foi dividida. Uma generosa parte permaneceria ali em Jerusalém e uma porção do Santo Lenho foi enviada a Constantino, “como sinal de bênção à futura Constantinopla”.

Ele explica que, pouco mais de dez anos após a busca de Helena, os pedaços da Verdadeira Cruz se espalharam através do Império.

O documentário da Netflix ainda complementa que muitos fragmentos foram enviados para outros imperadores e também passados de geração em geração até chegarem nas mãos dos imperadores portugueses (que trouxeram para o Brasil).

Padres levando a relíquia para as ruas do Rio de Janeiro - Divulgação / Netflix

Canon Cláudio dos Santos, responsável pela Santa Cruz da catedral carioca, explica no documentário que se sente muito honrado em ser “o escolhido” como guardião de um tesouro tão importante para a fé católica. 

Raramente esses fragmentos da Cruz do Senhor saem da Catedral e são guardados aqui por questões de segurança. Mas este ano (2023) eu quero mudar isso. Como muitas pessoas não tem a oportunidade de vê-la. É o meu desejo que o maior número de pessoas possam reconhecer e também ver esta relíquia”.

Ele ainda afirma que o relicário é uma maneira de evangelizar, já que é uma forma de as pessoas estarem mais próximas de Deus, de alguma forma. 

O que diz a ciência

Candida Moss, que atua no Departamento de Teologia e Religião da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, explicou à BBC que a história da Santa Cruz se baseia em registros de historiadores do passado, contudo, a autenticidade dos tais pedaços não foram confirmados por eles.

"Provavelmente esse pedaço de madeira não é a cruz em que Jesus foi crucificado", explicou ela, "porque muitas coisas poderiam ter acontecido com ela. Por exemplo, que os romanos a reutilizaram para outra crucificação, em outro lugar e com outras pessoas".

Uma datação por carbono-14, por exemplo, poderia ajudar a entender a trajetória dos fragmentos, no entanto, o procedimento é caro para uma Igreja e poderia causar danos a relíquia, explicou Moss.

Quem também se aprofundou na história da Vera Cruz é Joe Kickell. Pesquisador, ele fez parte do Comitê para a Investigação Cética, em Nova York, e encabeçou um estudo que visava entender a origem da Verdadeira Cruz. Em artigo, ele enfatiza que não existem evidências que comprovem a autenticidade da relíquia. 

"Não há uma única evidência que sustenta que a cruz encontrada por Helena em Jerusalém, ou por qualquer outra pessoa, seja a verdadeira cruz em que Jesus morreu. A história da proveniência é ridícula. E seu caráter milagroso, também", publicou Kickell em artigo.