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Respeitado por Darwin: A importância de Dom Pedro II para a história da ciência brasileira

Em um passado não tão distante, o país já foi ovacionado por seu interesse na área

Fabio Previdelli Publicado em 09/08/2021, às 14h00

Pintura de Dom Pedro II
Pintura de Dom Pedro II - Delfim da Câmara via Wikimedia Commons

Criado em 1985, logo após o fim da ditadura militar no Brasil, o Ministério da Ciência e Tecnologia foi concebido com o dever de receber o “tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público”, segundo consta na atual Constituição Brasileira, de 1988 — que é uma das primeiras do mundo a dedicar um capítulo específico à ciência.  

Desde então, o impulso significativo que a pasta recebeu foi dado a partir dos anos 2000, logo na virada do século, quando foi criado novas universidades federais e a expansão das já existentes.

Além disso, foi neste período que o programa Ciência sem Fronteiras começou a ser implantado, oferecendo bolsas de estudo para brasileiros estudarem e desenvolverem pesquisas no interior.  

Em 2015, segundo artigo publicado no site do Senado Federal, o setor chegou ao seu auge. Porém, após essa crescente, a pasta só despencou, o que culminou com o encerramento do Ciência sem Fronteiras, em 2017.  

Nos últimos anos, o investimento em Ciência e Tecnologia vem sendo cada vez mais reduzido. Para se ter ideia, em 2015, R$13,97 bilhões deflacionados foram investidos na pasta. No ano passado foram apenas R$ 5 bi, valor próximo ao investido no ano de 2000.  

Essa queda implicou em cortes em programas de bolsas tanto na pós-graduação, quanto na educação básica e em programas de fomento à pesquisa. Porém, esse desdenho pela ciência nem sempre foi assim. 

Dom Pedro II em uma das pinturas oficiais / Crédito: Delfim da Câmara via Wikimedia Commons

 

Para reviver isso, no entanto, precisamos voltar aos tempos do Brasil Império, mais precisamente para a figura de Dom Pedro II

Monarquia científica 

Último imperador do Brasil, Dom Pedro II foi derrubado em um golpe militar que instituiu a República em 1889. Em sua época de reinado, o Magnânimo era conhecido, também, por seu amor às artes e à ciência.  

“Nasci para consagrar-me às letras e às ciências", registrou o monarca em uma página de seu diário em 1862. Antes disso, vale ressaltar, o desenvolvimento da ciência já havia sido iniciado por Pedro I, mas o seu ápice só foi atingido graças ao Segundo Reinado. 

Dom Pedro II era o responsável pela seleção dos pedidos de patentes e invenções. Mas seu papel na área não se resumia a isso, foram além do Brasil, atingindo patamar internacional.  

É sabido que o monarca gostava de conversar com grandes escritores e intelectuais, como Victor Hugo, porém, ele também trocava cartas com grandes personalidades ligadas à ciência, como o químico Louis Pasteur; o inventor Alexander Graham Bell; e o naturalista Charles Darwin.  

Além de sua visita ao Brasil, o biólogo britânico também tinha boas ligações com nosso país por conta de Dom Pedro II. "O imperador faz tanto pela ciência, que todo sábio é obrigado a demonstrar a ele o mais completo respeito”, declarou em certa ocasião.  

Charles Darwin em 1868 / Crédito: Julia Margaret Cameron via Wikimedia Commons

 

A importância do monarca também era reconhecida por grandes sociedades científicas, das quais ele se tornou membro, como: a Royal Society, da Inglaterra; as Reais Academias de Ciências e Artes da Bélgica; a Academia de Ciências da Rússia; Académie des Sciences, da França; e a Sociedade Geográfica Americana. 

Além de tudo, Pedro também usava de recursos pessoais para financiar pesquisas, ajudando não só estudiosos brasileiros, como importantes estrangeiras. Para se ter uma ideia, em 1888, patrocinou a fundação do Instituto Pasteur, na França.  

Anos antes, ele já havia iniciado contato com Louis Pasteur demostrando sua preocupação com a febre amarela. Foi nessa ocasião que passou a admirar o cientista, investindo na inauguração de sua entidade, a primeira no mundo a estudar as doenças infecciosas.  

O inventor Alexander Graham Bell foi outro que contava com o respeito e admiração do monarca brasileiro. Os dois se conheceram na Exposição da Filadélfia, em 1876, onde o britânico apresentou uma de suas invenções: o telefone.  

D. Pedro e Graham Bell: uma amizade crucial / Crédito: Domínio Público

 

Na época, ninguém ouvia falar dele ou muito menos davam importância aos seus projetos, porém, Pedro não só ficou encantado com o invento de Bell, como também se tornou amigo dele. Isso fez com que, em menos de um ano, o Brasil se tornasse os segundo país do mundo a contar com uma linha telefônica.  

Espaço e astros

Admirador do espaço e dos astros, o imperador tinha um observatório próprio no terraço do palácio, sendo um dos laboratórios mais modernos da época. Por lá, não só acompanhava as pesquisas astronômicas, como também fazia suas próprias observações em seus cadernos.  

Sua paixão pelo céu era tão grande que sempre visitava observatórios quando viajava ao exterior. Esse interesse fez com que o Dia Nacional da Astronomia fosse estabelecido no Brasil em 2 de dezembro, mesma da de seu aniversário. Como forma de homenageá-lo.

Outro ponto que poucos sabem é que Dom Pedro II era louco por fotografia. Quando tinha apenas 14 anos, em 1840, comprou um daguerreótipo.

Foi então que se tornou um entusiasta na nova forma de registrar imagens, o que ajudou a difundir a fotografia por aqui. Antes de ser expulso do Brasil, depois da Proclamação da República, o Imperador doou todo seu acervo, o que compreendia mais de 25 mil fotos, à Biblioteca Nacional. 


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