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A infeliz saga de Henry Rathbone, o homem que tentou salvar a vida do presidente Lincoln

Após seus atos na marcante noite da morte Lincoln, Rathbone acabou perdendo a sanidade mental

Penélope Coelho Publicado em 12/05/2020, às 10h47

Fotografia de Henry Rathbone
Fotografia de Henry Rathbone - Wikimedia Commons

O dia 14 de abril de 1865, seria para sempre um marco na história dos Estados Unidos. Durante a encenação da peça Our American Cousin no Teatro Ford, aconteceria o assassinato do então presidente, Abraham Lincoln.

Os EUA viviam um período complicado após a Guerra de Secessão, que havia deixado marcas na sociedade. Lincoln foi uma das figuras marcantes nesse período. Seu assassino, o ator e espião John Wilkes Booth, pretendia se tornar um herói nacional.

Porém, uma peça-chave nessa história não foi muito comentada por seus atos verdadeiramente heroicos — que se tivessem sido mais assertivos teriam mudado a história dos Estados Unidos como conhecemos hoje. Era Henry Rathbone, um homem que tentou fazer o impossível naquela trágica noite.

Bem antes da trágica noite

Rathbone era conhecido por seu trabalho como militar, nascido em Albany, Nova York, o oficial era um dos quatro filhos de Jared L. Rathbone, comerciante e empresário, que mais tarde se tornaria prefeito da cidade de Albany.

Após a morte de seu pai em 1845, a mãe de Rathbone se casou novamente, dessa vez com Ira Harris, pai de Clara, por quem Henry iria se apaixonar. Seu casamento com Clara Harris, inicialmente foi alvo de críticas, já que eles seriam meio irmãos, porém, sem a existência de um vínculo sanguíneo.

Rathbone estudou direito no Union College, mas não seguiu a carreira e logo ingressou no Exército da União no início da Guerra Civil. Durante a guerra, o homem serviu como capitão e no final da batalha já havia alcançado o posto de major.

Ilustração retratando morte de Abraham Lincoln / Crédito: Wikimedia Commons

 

O papel na morte Lincoln

Um convite despretensioso para assistir a uma peça de teatro, iria mudar para sempre a vida de muitos americanos, inclusive a de Henry. O oficial era amigo íntimo do presidente e na fatídica noite de 14 de abril, estava sentado com junto de Clara Harris, ao lado de Lincoln e sua esposa, Mary Todd Lincoln, quando abruptamente, John Wilkes Booth entrou no camarote do presidente americano, no Teatro Ford, atirando friamente contra Abraham.

Rathbone, desesperado com a situação, decidiu rapidamente tomar uma atitude: tentar impedir Booth de fugir do local do crime. Durante o confronto, o assassino feriu gravemente o braço do oficial com uma adaga. O corte foi do cotovelo ao ombro. No meio de tanta adrenalina, Henry nem percebeu a gravidade dos machucados.

Ele agarrou John pelo casaco, enquanto ele estava se preparando para saltar para fora do estabelecimento, Rathbone o puxou de volta, fazendo com que o homem caísse de costas no palco.

Alguns estudiosos acreditam que ele tenha quebrado a perna neste momento, enquanto outros dizem que isso aconteceu posteriormente. Fato é que, mesmo após a queda, Booth ainda conseguiu escapar e ficou por mais 12 dias foragido.

Naquela noite, após a briga com o criminoso, Rathbone relatou o olhar repleto que ele percebeu no assassino de seu amigo. Apesar de estar consideravelmente machucado, o diplomata não se deixou abalar e fez companhia para Mary Lincoln, naquela noite. Porém, pouco depois, ele acabou desmaiando devido a perda de sangue causada pelo ferimento.

O homem foi levado para um hospital, quando um cirurgião já conhecido afirmou que os machucados eram gravíssimos. Booth quase havia cortado os ossos de Rathbone, rompendo uma artéria. Nesse período, Clara permaneceu com Mary, enquanto o presidente morreu às 7h22 da manhã de 15 de abril de 1865.

Adaga usada por Booth para atacar Rathbone / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dias finais

Após a tragédia, Rathbone se sentia culpado por não ter conseguido impedir a morte do grande amigo. Perseguido pelo passado, seu estado mental foi piorando a cada dia. Ele acabou descontando toda a frustração em sua família. Os Rathbones se mudaram com os três filhos para a Alemanha, devido à dificuldade de Henry para encontrar um emprego nos EUA, graças a sua situação mental.

Todavia, o dia 23 de dezembro de 1883 foi o ápice da loucura de Henry, quando o homem atacou brutalmente um de seus filhos. Clara, na tentativa de proteger sua prole, acabou sendo esfaqueada pelo marido.

Quando percebeu a gravidade do que tinha feito, Rathbone se esfaqueou cinco vezes no peito em uma tentativa de suicídio. Ele foi acusado pelo assassinato da esposa, mas, após ser analisado por médicos, foi declarado como louco.

O homem foi enviado para um asilo especializado em pessoas com problemas mentais, enquanto seus filhos foram criados por um tio, nos Estados Unidos. O ex-policial passou o resto de seus dias solitário no asilo, onde morreu em 14 de agosto de 1911. Apesar de seu crime, Rathbone foi enterrado ao lado de sua esposa Clara, na cidade de Hanôver, na Alemanha.


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