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Matérias / Arqueologia

A intrigante múmia medieval da Mongólia que criou a lenda urbana do tênis adidas

Encontrada em 2016 no topo das Montanhas Altai, a múmia surpreendeu por seus calçados que parecem extremamente modernos

Redação Publicado em 26/06/2022, às 10h00

Múmia encontrada na Mongólia e detalhe dos calçados - Divulgação/Centro do Patrimônio Histórico da Mongólia
Múmia encontrada na Mongólia e detalhe dos calçados - Divulgação/Centro do Patrimônio Histórico da Mongólia

No topo das Montanhas Altai, na Mongólia, a uma altitude de mais de 2.800 metros, arqueólogos encontraram, em abril de 2016, uma impressionantemente conservada múmia medieval enterrada com muitos de seus intrigantes pertences.

Na época, não foram divulgadas muitas informações sobre a descoberta curiosa feita na região montanhosa. O Ministério da Arqueologia da Mongólia se limitou a informar que "a múmia encontrada mostra que as pessoas daquela época tinham bastante habilidade com ferramentas".

No entanto, nos meses seguintes à identificação do corpo mumificado, os cientistas do país se esforçaram para decifrar os mistérios que ele guardava, em especial o significado dos artefatos que foram encontrados junto dos restos.

A múmia da mulher descoberta na Mongólia / Crédito: Divulgação/Centro do Patrimônio Histórico da Mongólia

Quando as fotos da descoberta foram divulgadas ao público, um item acabou chamando muito mais a atenção que os outros: o calçado que a múmia usava. Compaardo a um tênis da marca Adidas, o sapato surpreendeu tanto os curiosos, quanto os especialistas, e chegou até mesmo virar lenda urbana. Afinal, muitos acreditaram que a múmia contava com um tênis da marca.

Embora pudesse ser parecido com um par de tênis de aparência extremamente moderna por conta das listras vermelhas e pretas que se tornaram sua marca, uma restauração minusciosa realizada no objeto revelou que se tratava de um par de botas de feltro.

Nada de tênis da Adidas!

"Quando nosso achado se tornou público, as faixas foram confundidas com um tênis Adidas. Nesse sentido, ele é um objeto de estudo interessante para os etnógrafos, especialmente porque o estilo é muito moderno", disse Galbadrakh Enkhbat, diretor do Centro do Patrimônio Cultural da Mongólia, ao jornal The Siberian Times.

A partir das análises dos pesquisadores, foi possível verificar que as botas eram feitas de feltro e contavam com solas de couro, além de fivelas decorativas — um design bastante fashion para um período tão distante na história.

Sapatos usados pela múmia / Crédito: Divulgação/Centro do Patrimônio Histórico da Mongólia

Ela também foi encontrada com inúmeros de seus pertences, como uma bolsa, quatro mudas de roupa, uma faca, uma sela com estribos de metal, pedaços de um cavalo, além de um kit de beleza que incluía um espelho e um pente.

“Vários utensílios de costura foram encontrados com ela. Dentro [da bolsa dela] estava o kit de costura e como o bordado estava na bolsa e nos sapatos, podemos ter certeza de que o bordado foi feito por moradores locais”, acrescentou Enkhbat.

Quem foi a mulher?

“Isso é apenas um palpite, mas achamos que ela poderia ter sido costureira”, sugeriu o especialista. "A julgar pelo que foi encontrado dentro do enterro, achamos que ela era de um estrato social comum".
Bolsa enterrada junto à mulher / Crédito: Divulgação/Centro do Patrimônio Histórico da Mongólia

De provável origem turca, a mulher teria morrido entre os seus 30 e 40 anos em decorrência de um grave ferimento na cabeça causado por um golpe significativo há cerca de 1.100 anos, segundo revelaram especialistas do Centro de Patrimônio Cultural da Mongólia ao Daily Mail.

Todas as características da múmia foram estudadas devido a excelente preservação do corpo, que ocorreu devido à altitude elevada e clima frio, além da colaboração dos seus pertences para tal — como uma camada espessa de Shilajit que cobria seu corpo, além do próprio feltro que envolvia sua pele e cabelo.