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Matérias / Che Guevara

A leitura de um guerrilheiro: Os livros que fascinavam Che Guevara

De Marx a Mandel, Che Guevara era fascinado por leitura

Redação Publicado em 03/06/2022, às 10h00

Fotografia de Che Guevara, Guerrilheiro Heroico, de Alberto Korda - Wikimedia Commons
Fotografia de Che Guevara, Guerrilheiro Heroico, de Alberto Korda - Wikimedia Commons

Ernesto Rafael Guevara de la Serna, mais conhecido como Che Guevara, foi um revolucionário marxista, médico, autor, guerrilheiro, diplomata e teórico militar argentino.

Seu semblante se tornou conhecido em grande parte do mundo, sendo ele um símbolo da contracultura que ia além do conflito socialista travado em Cuba, no período em que a famosa fotografia, Guerrilheiro Heroico, foi tirada por Alberto Korda.

Apesar de sua imagem ser fortemente relacionada à guerrilha e marchas constantes de combates, uma das características mais marcantes descritas por todos próximos a Che sempre foi sua compulsão por leitura. Segundo o próprio revolucionário, em seu diário do Congo, suas duas fraquezas fundamentais eram "o tabaco e a leitura".

Guevara nasceu na cidade de Rosário, a maior da província de Santa Fé, na Argentina, em 1928. Por conta de sua asma, era impedido de ir à escola durante a infância, mas aprendeu a ler ainda assim, em casa, graças à sua mãe, Celia de la Serna, e às condições financeiras favoráveis da família.

Segundo Emiliano Ruiz Díaz, pesquisador responsável por organizar uma exposição sobre o lado leitor do guerrilheiro argentino, conforme repercutido pelo El País em 2017, seus primeiros autores favoritos foram Júlio Verne e Emilio Salgari.

Já o irmão, Roberto Guevara, disse que Che chegava até mesmo a passar horas trancado no banheiro para que pudesse ler sem que fosse interrompido.

Além das obras de Júlio Verne e Emilio Salgari, a biblioteca da família Guevara continha 23 volumes da enciclopédia da História universal, biografias e pensadores e escritores e livros de filosofia e psicanálise, que eram citados em caderno filosófico que começou a escrever durante sua adolescência, o que já servia como indício do que Che viria a fazer posteriormente.

No acervo 

Durante suas viagens por toda a América Latina, Che Guevara incluiu em seu acervo outros livros sobre os países que visitava e, eventualmente, se aproximou do marxismo e da teoria econômica, o que compõe alguns dos temas dos livros fundamentais para o revolucionário. Entre as obras, destacam-se O Capital (1867), de Karl Marx; Manual de Economia Política, da Academia de Ciências da URSS; e o Tratado de Econoia Marxista (1962), de Ernest Mandel.

Além de leitor compulsivo, Che Guevara também tinha o hábito de escrever diários, sendo vários deles publicados. Dentre as obras mais famosas, destaca-se o livro 'De Moto pela América do Sul', em que relata a viagem feita com seu amigo, Alberto Granado, desde a Argentina até a Venezuela, em 1952.

Divulgação/Olga Shirnina

O livro inclusive teve uma adaptação cinematográfica, Diários de Motocicleta, dirigido por Walter Salles e teve sua estreia em 2004. Nela, os dois amigos viajam e veem de perto as disparidades sociais dentro da América do Sul encontrando camponeses pobres e observando a exploração do trabalho por industrialistas ricos.

O filme recebeu o prêmio BAFTA de melhor filme estrangeiro e trilha sonora, o prêmio Independent Spirit de melhor ator revelação e fotografia, e o prêmio Goya de melhor roteiro adaptado.

Ernesto Rafael Guevara de la Sernafoi morto a fuzilamento em La Higuera, na Bolívia, em 1967. Sua trajetória foi extremamente marcante em tudo que se refere ao conflito socialista na América Latina, e a vida desse ávido leitor agora preenche outros incontáveis livros.