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A morte brutal de Maria da Escócia a mando da rainha — e sua prima — Elizabeth I

Acusada de conspiração, a candidata perfeita ao trono foi golpeada diversas vezes em um episódio macabro

Fabio Previdelli Publicado em 02/04/2020, às 13h00

Rainha Maria da Escócia em pintura oficial
Rainha Maria da Escócia em pintura oficial - Wikimedia Commons

A Inglaterra elisabetana era um lugar traiçoeiro. Apesar de o país ter passado por tempos áureos sob o comandado da rainha, que dá nome à época, a nação era constantemente  confrontada com ameaças de franceses e espanhóis. Uma dessas ameaças foi a própria prima da monarca, Maria Stuart, rainha da Escócia, que foi brutalmente decapitada no dia 8 de fevereiro de 1587.

Elizabeth I era filha de Henrique VIII com Ana Bolena, segunda esposa do rei, que havia assumido o posto de Catarina de Aragão. O que fez com que o monarca rompesse com a Igreja Católica no processo e fundasse a Anglicana.

O relacionamento gerou a pequena Elizabeth. Porém, Bolena foi condenada a decapitação por possíveis casos de adultério, incesto e traição. Com isso, muitos viram a reivindicação de Elizabeth ao trono como ilegítima, já que Henrique anulou seu casamento.

Um possível reinado de Elizabeth, também significaria que o retorno do catolicismo como religião oficial da Inglaterra — algo que muitos desejavam na época — ficasse longe de se concretizar, já que ela era protestante. Mas como entra Maria da Escócia nessa confusão toda?

Elizabeth I / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ela era vista pelos católicos como a candidata perfeita ao trono. Filha de Jaime V da Escócia, sobrinho de Henrique VIII, com a francesa Maria de Guise, Maria herdou o direito ao trono escocês com apenas 6 anos de idade.

Ansiosos por criar uma aliança com a França, os escoceses prometeram Maria ao herdeiro do rei francês e a enviaram para ser criada em sua corte. A jovem, de 18 anos, foi brevemente Rainha Consorte da Escócia e da França. Porém, tudo acabou em menos de um ano, quando o monarca acabou morrendo em consequência de uma infecção no ouvido. Com isso, ela foi enviada de volta ao seu país natal.

Após um breve e tumultuado reinado na Escócia, Maria foi forçada a abdicar do poder e procurou refúgio na Inglaterra. Lá, foi acolhida por sua prima real Elizabeth I. Apesar do parentesco, a monarca inglesa sabia da predileção dos católicos por Maria, e a manteve sob eterna vigília de seus nobres leais.

Após quase duas décadas sendo tratada, praticamente, com uma prisioneira, Maria estava envolvida em uma conspiração para derrubar Elizabeth I. Sabendo disso, a monarca a condenou à morte.

Desenho contemporâneo do julgamento de Maria / Crédito: Wikimedia Commons

 

As decapitações parecem particularmente horríveis para os padrões modernos, mas nos tempos elisabetanos, esse método de execução era preferível se comparado a outros muito mais terríveis como o enforcamento, por exemplo.

Havia essa predileção, é claro, se a execução fosse feita corretamente. Afinal, as decapitações poderiam dar muito errado: e foi justamente isso que aconteceu. Depois de ser forçada a se despir e ficar somente com suas roupas de baixo diante dos súditos, ela se despediu, emocionada, de seus servos e teve seus olhos vendados por uma de suas damas de companhia.

Já ajoelhada sobre uma almofada, Maria começou a rezar em latim e, em seguida, foi violentamente obrigada a apoiar seu pescoço no bloco onde ocorreria a decapitação.

Mas ela não teve tempo de se posicionar corretamente. Quando o carrasco desferiu aquele que seria o golpe certeiro e final, ele acertou a parte de trás de sua cabeça, o que impediu o êxito da execução como ela teria de ser.

Ilustração da execução de Maria por um artista dinamarquês / Crédito: Wikimedia Commons

 

Não satisfeito, ele a golpeou novamente, mas este também não foi o suficiente para acabar com seu sofrimento — nem de todos que estavam presentes e se horrorizaram ao ouvir os lamentos da escocesa.

O derradeiro golpe veio logo em sequência, quando o carrasco finalmente conseguiu decapitar Maria. Ele levantou sua cabeça ensanguentada e a expôs para que todos pudessem ver. Há quem diga que a prima de Elizabeth tenha ficado irreconhecível com tamanha brutalidade.

Para finalizar a completa cena de horror, quando o corpo de Maria foi ser removido, descobriram que seu pequeno cão de estimação estava escondido o tempo todo debaixo de seu vestido. O animal se recusou a sair do lado de sua dona e deitou em uma poça de sangue entre a cabeça e o resto do corpo da escocesa.

Túmulo de Maria na Abadia de Westminster / Crédito: Wikimedia Commons

 

Maria, rainha dos escoceses, foi enterrada na catedral de Peterborough, embora, quando seu filho James I sucedeu Elizabeth, como governante da Inglaterra, ela teve seu corpo exumado e enterrado na abadia de Westminster — onde permanece até hoje.


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