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Fim enigmático: neste dia, em 1849, morria Edgar Allan Poe

O escritor e poeta, conhecido por sua obra misteriosa e melancólica, teve um fim que poderia ter sido escrito por ele próprio

Ingredi Brunato Publicado em 07/10/2020, às 00h00

Ilustração de Edgar Allan Poe.
Ilustração de Edgar Allan Poe. - Getty Images

Em 3 de outubro de 1849, um dia em que, segundo relatos, caía uma chuva fina, o escritor e poeta Edgar Allan Poe, mais conhecido pelo seu melancólico poemaO Corvo”, foi encontrado caído na sarjeta em uma das ruas da cidade de Baltimore, nos Estados Unidos. Ele estava desaparecido por cerca de uma semana, todavia, esse reaparecimento tampouco tornava o episódio menos perturbador.

Isso porque Poe não estava mais em contato com a realidade: sofria de delírios, e foi descrito por Joseph W. Walker, o senhor que o encontrou, como “muito angustiado e precisando de ajuda imediata”. Walker mandou uma carta para um dos amigos do escritor, que veio socorrê-lo, e o levou para o hospital mais próximo.

Edgar Allan Poe. Crédito: Wikimedia Commons. 

 

O amigo, que se chamava Dr. Joseph E. Snodgrass, teria mais tarde afirmado que o poeta ostentava então uma aparência “repulsiva” - estava sujo, com o cabelo bagunçado, roupas gastas que sequer eram do tamanho certo, e por último, tinha olhos “vazios e sem brilho”. 

Mesmo nesse cenário, contudo, as coisas estavam prestes a ficar ainda mais sombrias e enigmáticas, com o falecimento do escritor famoso se dando quatro dias mais tarde, em um domingo de 7 de outubro.

Sua causa de morte oficial foi inchaço no cérebro, entretanto, devido à estranheza de toda a situação, muitas hipóteses foram levantadas posteriormente para o que poderia ter acontecido com Poe, que nunca teve a chance de realmente se explicar, por ter passado seus últimos quatro dias ainda em estado delirante. 

Fim da vida 

Dois anos antes de sua fatídica morte, Edgar Poe perdeu sua amada esposa, VirgíniaClemm, que também era sua prima, e quatorze anos mais nova que ele. Ela faleceu vítima de tuberculose, doença comum na época, que a esse ponto já a assolava fazia cinco anos, corroendo a moça pouco a pouco. 

Virginia Clemm. Crédito: Wikimedia Commons 

 

Após alguns casos, o poeta se reencontrou com um amor de sua juventude, Sarah ElmiraRoyster, que também tinha se tornado viúva recentemente, e eles decidiram se casar. Na véspera da cerimônia, todavia, a noiva descobriu que o escritor ainda mantinha proximidade com uma de suas supostas amantes, Annie Richmond, e cancelou a união. 

Após meses de isolamento, Poe fez uma viagem surpresa para visitar Elmira, e os dois retomaram o noivado. Dessa vez, parecia que o casamento iria acontecer mesmo, sendo inclusive marcado para o mês seguinte. Foi nesse contexto de reconciliação amorosa e um futuro menos solitário no horizonte que o poeta desapareceu. 

Ele teria partido em uma breve viagem para buscar Maria Clemm, sua tia e também sogra, por ser mãe de Virginia. Porém, como sabemos hoje, Edgar Poe nunca voltou dessa viagem. 

O que matouEdgar Allan Poe 

Alguns sugerem doenças, como cólera, raiva ou sífilis. Outros acham que Poe se envenenou de propósito. O poeta tinha uma mente torturada, algo visível em sua obra, e também nas cartas que enviava para conhecidos. 

“(...) minha tristeza é inexplicável, e isto me entristece mais ainda. Estou repleto de tenebrosos pressentimentos. Nada me anima, nada me consola. Minha vida parece feita para se perder; o futuro me parece um terreno baldio pavoroso, mas penso em seguir lutando por ter 'esperança contra toda esperança”, escreveu ele para Annie Richmond em abril daquele ano. 

Outra carta, dirigida para Maria Clemm, sua tia, é ainda mais direta, ao fazer uma proposta mórbida: “Não nos resta senão morrer juntos. Agora já de nada serve argumentar comigo; não posso mais, tenho que morrer. Desde que publiquei Eureka, não tenho desejos de seguir com vida”. 

Apesar de comprovadamente possuir pensamentos sombrios, Poe também não era isento de inimigos, e alguns acreditam que o autor pode ter sido assassinado. Ou então, simples vítima do azar, sendo uma última teoria a de que ele foi capturado por agentes eleitorais e obrigado a votar em quem eles queriam, para então ser largado bêbado nas ruas.


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