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A morte do cantor Claudinho, o episódio que abalou o país em 2002

Famoso pela dupla com Buchecha, o óbito instantâneo parou o Brasil

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 03/04/2021, às 09h00 - Atualizado às 23h11

Claudinho em fotografia
Claudinho em fotografia - Divulgação / Instagram / Buchecha

No final da década de 1990, o Brasil teve a oportunidade de consolidar o sucesso dos talentosos cantores Claucirlei Jovêncio de Souza e Cláudio Rodrigues de Mattos. Se os nomes são irreconhecíveis individualmente, passam a ser notáveis quando unidos em uma dupla; era Claudinho e Buchecha, juntos desde a infância no município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Com músicas que invadiram o imaginário popular, como "Quero Te Encontrar" e "Só Love", a dupla foi responsável por popularizar o funk carioca no cenário da indústria musical nacional — quando os mesmos ainda eram chamados de "melô" e "rap". Por outro lado, a certificação de platina que os três primeiros álbuns receberam da associação Pró-Música Brasil transpareceu o sucesso comercial e profissional dos rapazes.

Com isso, era fácil compor uma agenda cheia de shows por todo o Brasil. Da mesma maneira, eles faziam dezenas de apresentações para promover o sexto álbum, ‘Vamos Dançar’, porém, a conturbada rotina de deslocamento constante interrompeu a trajetória de sucesso da dupla após um show realizado em Lorena.

Claudinho e Buchecha reunidos na capa do álbum "Destino" / Crédito: Divulgação / Universal Music

 

Noite final

A apresentação ocorreu na noite de 12 de julho de 2002. Claudinho, preferiu viajar em seu próprio carro ao invés de acompanhar o amigo e os músicos de apoio na van de volta ao Rio de Janeiro.

O último encontro da dupla foi em um posto de gasolina, visto que a van estava logo atrás do carro, como relatado por Buchecha no especial 'Por Toda Minha Vida', da Rede Globo.

O músico atravessou os estados com um Golf de placa LAZ-4665, como informa o portal Terra, mas o retorno, com muita chuva e sinuosidade, resultou em uma derrapagem, fazendo Claudinho colidir com violência contra uma árvore, falecendo instantaneamente, aos 26 anos de idade. O motorista era o secretário do cantor, Ivan Manzieli, que foi hospitalizado em estado grave e conseguiu sobreviver.

O companheiro de dupla, que vinha atrás, fora encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu após perícia. O funeral, coberto pela Folha, foi acompanhado por cerca de 1,5 mil fãs, que chegaram a vaiar Ivan aos gritos de "assassino" por ter conduzido o carro no acidente. Porém, a culpa foi atribuída anos depois a um fator chave no acidente.

Razão e culpa

Em 2011, o processo da morte condenou a concessionária da rodovia, Nova Dutra, de maneira que a viúva do cantor, Vanessa Alves Ferreira, recebesse uma indenização de R$ 13.460,39 pelos danos que resultaram na perda do automóvel, como informou o portal G1.

A Justiça de São Paulo, através da 6ª Vara Civil de São José dos Campos, também ordenou o pagamento de R$ 500 mil pelos danos morais sofridos com a perda, além de uma pensão de R$ 2.051,23 até a mesma completar 70 anos, visto que a renda do músico garantia o sustento da companheira e da filha, Andressa, na época com 3 anos.

O juiz Daniel Toscano compreendeu a solicitação da viúva, que apontou irregularidades na via; não existia mureta no acostamento e a árvore estava a apenas dois metros do fim da via: "Se somos obrigados a pagar pedágios semelhantes aos cobrados em países desenvolvidos, que sejamos contemplados, em contrapartida, com rodovias de países desenvolvidos", afirmou o juiz na decisão.


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