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A mulher que foi abandonada pela mãe e descobriu 30 anos depois que ela era uma guarda nazista

Em um reencontro que tinha tudo para ser emocionante Helga Schneider se deparou com uma mulher que sentia orgulho de ter trabalhado para o Führer

Giovanna de Matteo Publicado em 01/10/2020, às 18h37

Traudi e Helga Schneider
Traudi e Helga Schneider - Divulgação

“A mamãe tem que ir embora. Seja uma boa menina, não chore", essas foram as últimas palavras que Helga Schneider ouviu antes de sua mãe partir. Com apenas 4 anos, ela foi deixada com seu irmão mais novo, de somente 19 meses, enquanto presenciou a mãe, Traudi Schneider, fechar a porta de casa com uma mala em mãos no ano de 1941, em Berlim.

Segundo nota do Mirror em 2017, Helga foi levada para uma instituição, até que seu pai, que lutava na guerra, voltou e se casou novamente um ano depois. Então, ela e seu irmão cresceram junto de sua madrasta Ursula, que tinha uma irmã que trabalhava para Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do governo nazista.

Nesse momento, continou sonhando em ter sua mãe de volta, e à procura de um colo que poderia tranquilizá-los durante os momentos de horror da Segunda Guerra. Um dia a agonia chegaria ao fim, no entanto, não do jeito que ela esperava.

Helga e seu irmão / Divulgação

 

De acordo com o The Independent, foram 30 anos até Helga conseguir rastrear Traudi. A filha acreditava que naquele dia realizaria um sonho de anos, entretanto, tudo acabou em pesadelo. A mulher finalmente revelou os motivos que a levaram a abandonar sua casa. Era uma verdade que deixaria sua filha perturbada para sempre.

Os horrores do Holocausto

Helga afirmou que conheceu o Füher em 1944, o que não seria impossível já que a irmã de sua madrasta tinha conexões com o Partido Nazista. Em sua declaração disse que: “ele não era desagradável, era bom para nós”. "Ele estava muito pálido. Ele parecia doente e um pouco suado. E ele não conseguia andar direito. Mas o olhar dele, não sei explicar, foi fixado, resolvido", acrescentou.

Aos 16 anos Helga fugiu para a Áustria, onde estudou artes cênicas. Mais tarde, ela conheceu seu futuro esposo e passou a viver com ele em Bolonha, Itália. Para ela, a Alemanha era perturbadora, assim, se esforçava para esquecer seu passado, a sua mãe, a guerra, a língua. Era um capítulo que não queria reviver.

Depois de ter engravidado, acreditava que a mãe tivesse a deixado por um homem, estava pronta para perdoá-la, e foi atrás dela para um encontro. Mas quando chegou o grande dia, nada foi como esperado.

Durante o conflito mundial, a mãe serviu voluntariamente a Waffen-SS nazista de Hitler, além de trabalhar como guarda em Auschwitz -Birkenau, um dos maiores e mais temidos campos de concentração.

Segundo a filha, os afazeres de Traudi incluíam direcionar mulheres e crianças para as câmaras de gás, e conter as vítimas dos experimentos médicos bizarros feitos no local.

Frustrações

Segundo o Mirror, a mulher ficou chocada com a verdade apresentada. Enquanto caía em choro, sua mãe a explicava sua ideologia e falava de como estava "orgulhosa" de ter feito o seu trabalhado como oficial nazista. Ela não se arrependia, e reafirmou até o fim que “os nazistas eram justos, Hitler era grande e os judeus precisavam ser exterminados”. 

A reação da filha foi angustiante. "Depois de 30 anos, quando uma mãe lhe diz 'Eu estava com a SS e um guarda em Auschwitz', e ela está 'orgulhosa, não arrependida', você fica sem palavras. Foi terrível, terrível", revelou Helga em entrevista ao Mirror.

"Eu queria encontrar uma mãe, então quando, em vez de uma mãe, você encontra uma mulher que diz, com orgulho, que era guarda em Auschwitz. Você consegue imaginar isso?", disse ela com frustração.

No começo "foi emocionante", diz a filha, mas depois da revelação de sua mãe, tudo desmoronou. Traudi chegou a pedir à filha que experimentasse seu uniforme de Auschwitz e presenteou-a com joias, que Helga logo percebeu que eram peças de judeus do campo de concentração. “Eu disse a ela: 'Como você pôde? Como você pode levar crianças para a câmara de gás?".

Helga perguntou se ela se sentia culpada por tirar bebês judeus de suas mães, para extermínio, mas a resposta foi decepcionante: “Eles teriam crescido e se tornado adultos judeus”, Traudi disse.

Imagem de Traudi Schneider, ex-guarda nazista / Divulgação

 

Por fim, o reencontro durou somente 45 minutos. Helga desabafou sobre o traumático episódio: "Cresci pensando nela, imaginando uma mulher gentil, doce. Em vez disso, encontrei um criminoso de guerra". 

A sua história traumática foi transformada em um livro de memórias de best-seller e, mais tarde, foi adaptada ao cinema, no filme Let Me Go, da diretora britânica Polly Steele. "É mais importante manter viva a memória do Holocausto agora do que nunca", disse Helga. "Com este livro e filme, espero ter cumprido meu dever".


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